Copa do Mundo se tornou uma Eurocopa com convidados?

Queda de Brasil, México e Estados Unidos garante maioria de seleções europeias nas quartas de final

Seleções da Eurocopa dominam Copa do Mundo e apenas "convidam" participantes. Foto: England

O dia de Copa do Mundo nesta segunda-feira (6), terminou com a queda da última anfitriã e cravou a maioria das seleções europeias na fase de quartas de final. Com a grande ascensão das seleções do Velho Continente, e favoritismo na atual edição, o Mundial virou uma espécie de Eurocopa com alguns convidados?

Ao todo, França, Espanha, Bélgica, Noruega e Inglaterra estão nas quartas de final, das quais já temos a certeza de duas nas semifinais, vide os confrontos entre Espanha x Bélgica e Noruega x Inglaterra. As surpresas da fase de quartas ficarão por conta de equipes sul-americanas e/ou africanas. O Marrocos já está classificado e pega a França, enquanto Argentina, Colômbia e Egito ainda têm chance de classificação.

Desde a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, as seleções europeias foram maioria a partir das quartas de final. Com exceção da Copa de 2022, vencida pela Argentina, todas as edições tiveram europeus erguendo o maior troféu do mundo: Alemanha (2014), França (2018). A única seleção que conseguiu bater de frente foi justamente nossos hermanos de continente, sendo vice na competição sediada no Brasil e tricampeões em 2022. Seria a Argentina a convidada de honra de uma festa que tem convites selecionados ao Velho Continente?

Histórico europeu em Copas do Mundo evidencia distância

O ano de 2010, quando a Copa do Mundo foi sediada na África do Sul, foi o último em que os países da Eurocopa não chegaram em grande peso às quartas de final. Naquele ano, a fase eliminatória foi formada por maioria sul-americana: Uruguai, Paraguai, Argentina, Brasil, Gana, Alemanha, Espanha e Holanda. Estes últimos, entretanto, foram os finalistas e os espanhóis ficaram com o seu primeiro título.

AnoQtd. europeus nas quartasQtd. NÃO UE nas quartasCampeão
201035Espanha
201444Alemanha
201862França
202253Argentina

É evidente que o continente europeu leva vantagem por ter mais vagas à Copa do Mundo. A UEFA tem direito a 16 postos, enquanto nesse atual Mundial a África tem 9 vagas, a Ásia tem 8, a Conmebol e a Concacaf têm 6 a Oceania tem uma e a repescagem classifica duas equipes, além dos países-sede (que em 2026 foi representado por países da Concacaf, mas em 2030 terá Espanha e Portugal, além de Marrocos). Mas o predomínio dos postulantes à Eurocopa vêm também por fatores financeiros, técnicos e táticos.

Argentina é exceção à regra de Europeus na Copa do Mundo nos últimos anos. Foto: Argentina

Na Copa do Mundo 2026, dos 1248 atletas convocados, 850 atuavam em clubes localizados no continente europeu. Isso demonstra a força do mercado na Europa, concentrando a maior parte dos jogadores do torneio, bem como o poderio financeiro de ligas como a inglesa. A Premier League, hoje, é considerada a melhor do mundo. É ela, aliás, que lideram o ranking de representantes.

É bem verdade que os europeus sempre disputaram o título, mas o caso se ampliou nos últimos anos. Com exceção da Copa de 1950, em que o título foi decidido por Brasil e Uruguai, em todas as outras edições tiveram pelo menos um clube europeu na decisão. A Copa de 2026 caminha a passos largos para ter outro.

Marrocos e Argentina: convidados de honra?

Se levarmos em conta o retrospecto nas últimas duas edições de Copa do Mundo, Marrocos e Argentina aparecem como exceção à regra europeia. Ambas as equipes apresentaram bom futebol e chegaram longe. Os africanos desafiaram a lógica e alcançaram a semifinal em 2022, a maior participação de sua história, enquanto os hermanos saíram campeões. Em 2026, ambos seguem vivos nas quartas de final e podem seguir adiante na competição.

Marrocos enfrenta uma das favoritas: França, algoz de 2022, e busca seguir surpreendendo em busca do primeiro título para o continente africano. Em 2026, a Argentina de Lionel Messi chega novamente como uma das favoritas, mas ainda não alcançou as quartas. A seleção entra em campo nesta terça-feira (7), contra o Egito visando carimbar a classificação e lutar pelo tetra. O Brasil, que chegou nas quartas em 2022 e 2018, e nas semis em 2014, decepcionou e caiu (novamente para um europeu) nas oitavas de final. A Canarinho perdeu o convite dessa festa.