Mbappé converteu o pênalti, chegou a sete gols no torneio e igualou Messi na artilharia da Copa do Mundo, mas a vitória francesa por 1 a 0 sobre o Paraguai neste sábado, na Filadélfia, foi construída muito além do camisa 10. Pela terceira vez em cinco jogos, a França não sofreu gols e avançou às quartas de final pela quarta Copa consecutiva com uma solidez defensiva que merece mais atenção do que costuma receber.
Em nenhum momento a Albirroja conseguiu criar perigo real. Saliba e Upamecano bloquearam o caminho pelo centro, Digne e Koundé fecharam as laterais e Mike Maignan passou a tarde inteira iniciando jogadas sem precisar fazer uma única defesa de verdade. Não foi coincidência, já que Deschamps havia preparado o grupo nos dias anteriores para o tipo de jogo que o Paraguai imporia, e a equipe assimilou o recado com precisão.
Saliba foi quem melhor descreveu o que aconteceu dentro de campo, explicando como o grupo resistiu às provocações paraguaias sem perder o foco nem desperdiçar energia.
“O treinador já havia nos alertado dois ou três dias antes. Ele nos mostrou vídeos e disse que eles jogariam de forma muito intensa, fariam faltas e tentariam nos provocar. Precisávamos manter a concentração, porque, se começássemos a desperdiçar energia entrando nesse tipo de jogo, perderíamos o foco da partida. E conseguimos permanecer concentrados”.
Cherki, que entrou no segundo tempo, completou o raciocínio. Para ele, a partida mostrou uma faceta da seleção que frequentemente fica à sombra do talento ofensivo do grupo.
“Para nós, era importante fazermos uma partida como essa durante a Copa do Mundo. Queríamos mostrar a todos que a seleção francesa sabe jogar um futebol bonito, mas também sabe responder quando o jogo exige força física”.
Com cinco vitórias em cinco jogos e apenas dois gols sofridos, a França enfrenta o Marrocos na próxima quinta-feira (9), em Boston, às 17h. O adversário já sabe o que é complicar a vida dos franceses numa Copa do Mundo.

