A escolha de Carlo Ancelotti pelo volante Ederson, da Atalanta para substituir o lateral-direito Wesley, da Roma, que foi cortado da Copa do Mundo por conta de lesão, evidencia leitura do treinador italiano sobre o grupo da Seleção Brasileira convocado para a disputa do Mundial em alguns dias.
O que aconteceu com Wesley?
Antes de mais nada, Wesley foi cortado da disputa da Copa do Mundo após ter sofrido uma lesão muscular de grau três no músculo adutor da coxa esquerda na partida amistosa entre Brasil e Egito, disputada no estádio Huntington Park Field em Cleveland, nos Estados Unidos, nesse último sábado (06).
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O jogador sentiu dores fortes na coxa após um lance ainda na primeira etapa de jogo e precisou ser substituído, dando vaga a Danilo, do Flamengo.
A projeção de especialistas é que Wesley retorne aos gramados apenas daqui a quarenta dias, ou seja, após o período da Copa. Com isso, a comissão técnica da Seleção Brasileira optou em cortá-lo. O corte foi anunciado oficialmente no dia seguinte, domingo (07), pela manhã.
Quais eram as opções?
Já que Wesley é lateral-direito, a expectativa é de que Ancelotti optasse por substituí-lo por outro jogador de mesma posição. As opções na pré-lista, único lugar de onde o treinador italiano poderia selecionar um substituto, ofereciam apenas dois jogadores nesse ofício: Paulo Henrique, do Vasco e Vitinho, do Botafogo.
Ambos foram convocados pela Seleção Brasileira para a última data FIFA de 2025, em que o Brasil enfrentou Japão e Coréia do Sul em amistosos. Contra o Japão, Paulo Henrique inclusive marcou gol, dando a impressão de que teria ganho mais confiança da comissão técnica de Ancelotti.
No entanto, muitos jornalistas já especulavam que o comandante da Amarelinha pudesse optar em selecionar, na verdade, mais um jogador para o meio-campo. A sinalização para isso era o fato de que, na lista inicial, Ancelotti havia selecionado apenas cinco meias de ofício e, diante dos testes contra Panamá e Egito, ficou evidente que o setor estava enfrentando um problema de compactação defensiva.
Outra questão é que tanto Paulo Henrique quanto Vitinho são reservas pelos seus clubes atualmente, evidenciando a má fase que vivem e, naturalmente, fazendo com que não tenham a plena confiança dos torcedores e dos jornalistas.
A escolha por Ederson
Assim foi feito. Carlo Ancelotti e sua comissão optaram em Ederson, volante que defende as cores da Atalanta, da Itália, desde 2022.
O jogador já havia sido convocado em outras oportunidades para a Seleção Brasileira: para dois amistosos em 2024 contra México e Estados Unidos, tendo sido titular no jogo contra o México; para a disputa da Copa América de 2024, na qual entrou em campo em apenas um jogo e para duas rodadas de Eliminatórias em 2025, tendo entrado em campo contra a Argentina na derrota por 4 a 1 em março.
Ederson viveu boa temporada pela Atalanta, clube que disputou a última Champions League e foi eliminado nas oitavas de final para o Bayern de Munique. Além disso a equipe foi semifinalista da Copa da Itália e perdeu para a Lazio nos pênaltis. No Campeonato Italiano, a equipe foi sétima colocada, garantindo classifcação para os playoffs da Conference League na próxima temporada.
Dentro de uma temporada de bons resultados coletivos, Ederson foi um dos pilares da equipe de Raffaele Palladino. Dos 54 jogos totais da Atalanta na temporada, Ederson atuou em 41, sendo 37 como titular. Ou seja, em 68% dos desafios da Atalanta na temporada, Ederson foi escolha pro primeiro time. No total, em 75% dos jogos, esteve em campo.
Na sua penúltima partida da temporada, foi completamente decisivo para a difícil vitória fora de casa da Atalanta contra o Milan pelo Campeonato Italiano por 3 a 2, tendo marcado gol e dado assistência. Ao todo, fez três gols e deu três assistências na temporada – números interessantes para um jogador que atua majoritariamente como primeiro volante.
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O que ela representa?
Primeiro tudo, é importante perceber que a escolha por Ederson quebra uma marca relevante: a de tornar o volante o primeiro jogador da história da Atalanta a ser convocado pela Seleção Brasileira para uma Copa do Mundo. Segundo, perceber que Ancelotti, com isso, acrescenta mais um jogador de meio-campo cuja característica principal é defensiva.
Há quem, com certa razão, critique o fato de Ancelotti aparentemente fechar os olhos para outro problema no setor: a falta de criatividade. Por outro lado, há de se perceber que, com a escolha, Ancelotti escolhe fortalecer algo que também é problema: a deficitária compactação defensiva no meio de campo.
Os amistosos contra Panamá e Egito, mesmo que tenham sido pautados por um ritmo menos competitivo do que se espera na disputa da Copa, evidenciam que o Brasil reage mal a contra-ataques sofridos. Os vários espaços cedidos pela defesa foram fatais nos gols sofridos nessas partidas. Ancelotti parece ter notado isso e, com a escolha por Ederson, ganha uma opção capaz de melhorar isso.
Para a posição de Ederson, entende-se haver dois outros jogadores: Fabinho e Casemiro. Contudo, com a perda de Wesley, Fabinho pode até se tornar opção pela lateral-direita, opção que fez durante grande parte da sua carreira. Em cima disso, seria uma perda para a rotação do meio-campo em determinado momento.
Por outro lado, Ederson tem qualidade técnica suficiente para poder ser companheiro de meio-campo de Casemiro ou de Fabinho, sendo um volante que sai mais para o jogo ou até um volante que fique mais e dê mais liberdade para que um dos dois suba mais e agregue na fase ofensiva. As opções são diversas.
No fim das contas, Ancelotti ganha um meio-campista de muita qualidade, com várias valências táticas que pode auxiliar o Brasil em diversos momentos do jogo, não apenas para completar o grupo. Ao optar por Ederson ao invés de algum lateral-direita, o treinador passa um claro recado.

