Falta exatamente um ano para o pontapé inicial da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Em meio à expectativa para receber o maior torneio do futebol feminino mundial, o país revisita a trajetória de um esporte que, por quase 40 anos, foi proibido para mulheres e hoje vive um processo de crescimento, ainda marcado por desafios estruturais e pela busca por reconhecimento pleno.
Por quase quatro décadas, mulheres foram proibidas de praticar o futebol no Brasil, sob a justificativa machista de que seus corpos não eram adequados para a modalidade, considerada exclusiva dos homens. O decreto que impôs essas restrições entrou em vigor durante o Estado Novo, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, e limitava a participação feminina em diversas atividades esportivas.
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Em 1983, com o fim deste decreto, a modalidade foi regularizada pelo Conselho Nacional de Desportos, e nasceu então, a primeira Seleção Feminina na década de 80. Sem o devido reconhecimento e lutando contra a falta de estrutura, as pioneiras foram as primeiras a acreditarem em uma possível Copa Feminina no Brasil, com isso, a Lei da Copa de 2027 (Lei 15.421/2026) prevê uma premiação em dinheiro para as mesmas, como forma de reparação histórica e reconhecimento por tudo que enfrentaram.
Goleiras
- Lica Laurentino (falecida)
- Simone Carneiro (falecida)
- Meg
- Miriam Soares
Zagueiras e Laterais
- Marisa Pires Nogueira (Capitã)
- Elane dos Santos Rego
- Rosilene “Fanta” Mota
- Sandra Cristina Paiva Duarte
- Suzana Cavalheiro
- Rosa Maria
- Doralice
- Solange
Meio-Campistas
- Marilza Martins da Silva (conhecida como Pelé ou Fia)
- Lúcia Feitosa
- Marcia Honório
- Fia Paulista
- Márcia Matos Calaça (“Russa”)
- Sisleide do Amor Lima (“Sissi”)
Atacantes
- Lucilene de Souza Marinho (“Cebola”)
- Roseli de Belo
- Mariléia dos Santos (“Michael Jackson”)
- Flordelis Oliveira
- Pretinha
Obrigatoriedade e profissionalismo
Apesar da conquista de permissão, os anos seguintes não foram fáceis para a inserção do futebol de mulheres no Brasil. Times como São José, Santos, Ferroviária de Araraquara e Corinthians, na época, foram algumas das poucas entidades que abraçaram a causa. Em 2019, precisou virar lei que times masculinos que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, são obrigados a terem equipes femininas em atividade.
Em um bate-papo com os apresentadores do podcast “PodPorco”, a atacante da Seleção e do Palmeiras, Bia Zaneratto relembrou a sua trajetória no futebol e falou sobre constante insegurança que viveu antes da obrigatoriedade. A atacante compartilhou experiências em que os clubes em que jogava, simplesmente deixavam de existir, e as atletas precisavam buscar por outro espaço para trabalhar, sem nenhuma assistência institucional.
“Eu estava na Ferroviária e aceitei o convite do Cleiton Lima para ir jogar no Santos. Eu queria me desafiar, era um baita de um time, com as melhores jogadoras, mas o time encerrou as atividades. Depois joguei no Bangu, que na verdade era para ser o Flamengo, mas quando estávamos todas prontas para a apresentação, simplesmente falaram que não iria mais ter, e aí foi tipo “Como assim?”, o Bangu foi quem nos deu a camisa”, contou.
Quando se fala em obrigatoriedade, o futebol feminino é vítima de mais um descaso no meio esportivo. Alguns clubes passam a formar equipes apenas por esse motivo, e assim, submeter atletas profissionais a cenários de total defasagem, e sobre isso, Bia ainda cita: “Um exemplo claro, hoje em dia, é o Ceará. Legal, foi o campeonato que mais teve gols, mas quais foram os placares? Você “meteu” 10 gols no Ceará, as jogadoras saíram chorando de campo. Qual bom isso é para o futebol feminino?”, expressou.
Em um país sede de Copa do Mundo Feminina, a obrigatoriedade deve vir junto a seriedade, assistência e empenho por uma modalidade profissionalizada, o que para muitos clubes brasileiros, ainda não é uma realidade.
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O que esperar do evento
A disputa para ser o estádio de abertura da competição segue firme entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Ceará. Até então, estão confirmados como palcos dos jogos: o Estádio Mineirão (BH), Arena Castelão (CE), Beira-Rio (RS), Arena Pernambuco (BA), Neo Química Arena (SP) e o Maracanã (RJ). As 32 seleções e as mais brilhantes jogadoras do futebol mundial jogarão nesses lugares.
A repercussão sobre o mundial é positiva nos meios de comunicação internacional, jogadoras como Alexia Putellas, melhor jogadora do mundo (2020 e 2021), chegou a publicar em sua rede social, com legenda em português, a frase “Tamos indo Brasil”, após a classificação espanhola para a Copa.
Em solo brasileiro, Marta, camisa 10 da amarelinha e maior jogadora de todos os tempos, intensifica o pedido por valorização e responsabilidade com a organização do evento que vem pela frente, diante disso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), representada por seu atual presidente Samir Xaud, afirma o seu empenho em trabalhar em prol a Copa de 2027.
A FIFA, apesar de ainda não ter iniciado a venda de ingressos para os jogos, já abriu o cadastro de interesse para quem quiser receber informações oficiais em primeira mão sobre o evento. O registro pode ser feito no site oficial da entidade.
É importante estar atento à veracidade das informações e utilizar apenas canais oficiais para evitar possíveis fraudes.

