Marcada para sempre na história da equipe feminina do Vila Nova (GO), Samara Chaves faz hoje, seu último jogo como jogadora de futebol profissional pelo Campeonato Brasilero. Aos 38 anos, vive com gratidão a chegada deste momento, e relembra como tudo começou, aos nove anos, jogando com meninos na escolinha Du Parma, no setor Jardim Novo Mundo (GYM).
Nesta última temporada como jogadora, já foram 15 jogos, contabilizando suas partidas pela Copa do Brasil Feminina e Brasileirão Feminino A2. A um jogo de sua despedida do campeonato nacional, ainda deu tempo de participar da partida que deu a permanência do Vila Nova na série A2, coisas feitas apenas por craques, como a camisa 10.
Início de um sonho
Aos 9 anos, a pequena goiana ainda não imaginava a história que trilharia no futebol. Matriculada na escolinha Du Parma, deu seus primeiros chutes junto aos meninos, já que o incentivo de meninas neste esporte sempre foi muito pequeno. Samara conta que sempre recebeu muito apoio de seus familiares, e isso, com certeza, fez total diferença para que seguisse seu caminho no futebol.
“Minha família sempre me incentivou a jogar, apoio total mesmo. Comecei a jogar futebol em uma escolinha no setor Jardim Novo Mundo (Du Parma)”, disse a atleta.
Times que jogou e carreira profissional
Com pontapé inicial no Goiânia em 2011, experimentou muitas fases do futebol feminino, e em um momento em que mulher em campo parecia não ser uma profissão, ela persistiu.
Depois disso, chegou ao Aliança, em 2013, Jaó, em 2017, e finalmente ao Vila Nova em 2018, time em que construiu forte vínculo e identificação. A meio-campista explica, ainda, que seu primeiro vínculo trabalhista profissional se deu com a entrada do Vila no Campeonato Brasileiro, em 2022. Ali, tanto ela como outras atletas, experimentaram uma nova fase em suas carreiras.
“Já joguei outras competições nacionais antes disso, porém minha vida profissional começou mesmo há 4 anos”, explicou.

Momentos mais desafiador e o mais feliz de sua carreira
Assim como muitos outros atletas profissionais, para Samara, seu maior desafio dentro do futebol foi enfrentar uma lesão no joelho. O famoso LCA, rompimento do ligamento cruzado anterior, a tirou por longos meses de atividades com o grupo. Em 2022, aos 34 anos, se viu tendo que se recuperar de uma grave e desafiadora lesão, mas se reinventou com muita resiliência, provando que nasceu para isto e retornou aos gramados.

Já o mais feliz, compensando todos os momentos difíceis vividos anteriormente, foi a chegada à final do Brasileirão Feminino A3 de 2025, que garantiu o acesso para a segunda divisão neste ano. Com direito a gol na decisão, ela mostrou mais uma vez a sua importância para esta instituição.

“O mais desafiador com certeza foi uma lesão de LCA no final de 2022, com 34 anos, já o mais feliz da minha carreira foi chegar à final do brasileiro A3 de 2025, marcando gol.”
Identificação com o Vila e jogadoras que mais gostou de atuar ao lado
No Vila desde o início do projeto em 2020, participou de todas as fases e desafios impostos à equipe. Com grande reconhecimento vindo de sua comissão, o último jogo em casa, no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), foi marcado por muitos aplausos e comemorações. Um misto de alegria e saudades, que já se faz presente naquele local.

Com relação a colegas de equipe, foram destacadas as goleiras Teté e Ana Carolina Bellas.
De jogadora do Vila a treinadora da base
Visando o pós carreira, Samara se formou em Educação Física e conciliou durante quatro anos os treinos, jogos e estudos. Ao fim desse percurso, foi convidada a treinar as bases sub-11 a sub-17 do Vila Nova. Uma grande oportunidade, e um grande gesto de reconhecimento por parte do clube.
“A oportunidade surgiu ao final de 2023, pois já estava prestes a concluir minha graduação em Educação Física. Desde então trabalho com as categorias sub-11 ao sub-17.”

Sentimento neste momento de despedida
“O sentimento é de gratidão por tudo que vivi dentro do clube, acredito que tudo que o futebol pôde me proporcionar eu aproveitei da melhor forma possível. Então, logo após o goiano vou encerrar minha carreira de cabeça erguida, pois fiz tudo que podia para fazer o Vila Nova ser reconhecido nacionalmente”, concluiu Samara.

Uma grande história, de mais uma jogadora que iniciou sua carreira jogando com os meninos, e superou barreiras para escrever seu nome em um clube. Samara se despede dos campos, após o campeonato estadual, deixando um legado para quem a viu atuar e para a próxima geração de meninas goianas que desejam embarcar no futebol.

