O que o elenco do Brasil revela sobre o plano de Ancelotti para Copa do Mundo

Lista de convocados reforça a busca por equilíbrio e confiança em jogadores consolidados

Carlo Ancelotti convocou os 26 nomes que disputarão a Copa do Mundo pela Seleção Brasileira (Rafael Ribeiro/CBF)
Carlo Ancelotti convocou os 26 nomes que disputarão a Copa do Mundo pela Seleção Brasileira (Rafael Ribeiro/CBF)

No último dia 18 de maio, o treinador Carlo Ancelotti anunciou os 26 nomes convocados para a disputa da Copa do Mundo pela Seleção Brasileira nesses próximos dois meses. O torneio, que será disputado de forma dividida entre Estados Unidos, Canadá e México, tem seu início para o começo de junho.

As escolhas de nomes por parte de Ancelotti evidenciam um critério comum a seus antecessores no momento de definir os grupos que viajaram para a disputa do Mundial: a prioridade na formação de um grupo coeso, capaz de ter entrosamento.

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Se muitas vezes o torcedor esperou que momento ou convocações recentes fossem ser prioridade, Ancelotti passa um recado de que nada importa mais do que ter o melhor grupo possível convocado e essa análise individual ajuda a perceber ainda melhor isso.

Nome a nome

Goleiros

Alisson: escolha óbvia. O melhor goleiro que o Brasil tem a oferecer na atual geração. A dúvida acontecia por razão de sua condição física mas, uma vez convocado, entende-se que os médicos da Seleção Brasileira o compreendem como apto à disputa do Mundial. Uma grande notícia ao torcedor.

Ederson: outrora símbolo de segurança e, junto a Alisson, símbolo de exaltação ao fato de o Brasil “ter dois goleiros de classe mundial na geração”, tornou-se desconfiança por conta das atuações recentes por Seleção e Fenerbahçe. Como goleiro reserva, tende a não incomodar tanto mas espera-se que dê um salto de qualidade caso seja exigido.

Weverton: a grande surpresa da lista, sem sombra de dúvidas. Não por ser um goleiro ruim, mas por ter sido pouco lembrado no todo do ciclo. Passa a frente de nome como Bento, Hugo Souza, Leo Jardim e Fábio, por exemplo. Vai para sua segunda Copa do Mundo seguida. Escolha que prioriza experiência à oportunidade. Opção pouco ousada.

Defensores

Wesley: escolha natural. Vinha se destacando como o lateral-direito mais consistente nesse ciclo. Herdou com facilidade a vaga desde 2024 pelo Flamengo. Opção mais ofensiva para o setor e agrega o fator da versatilidade, uma vez que vinha atuando como lateral-esquerdo pela Roma também. Agrega em diversos aspectos. Após lesão sofrida contra o Egito, Wesley foi cortado da lista mas fica o registro opinativo da sua escolha inicialmente.

Roger Ibañez: escolha que valoriza o aproveitamento de chances recebidas. Ibañez pode não ter surpreendido, mas convenceu. Não deixou a desejar nas chances que teve. Gera desconfiança pelo clube em que atua, o Al-Ahli, da Arábia Saudita. Sempre difícil convencer o torcedor que um atleta consegue traduzir suas melhores qualidades em alto nível vindo de uma liga fraca. A ver.

Danilo: o primeiro a ser garantido no Mundial. Curioso, pois passa longe de ser unanimidade entre os torcedores. A personificação do critério de “formação de grupo”. Jogador que agrega liderança, experiência e currículo vitorioso. Em bola jogada, não é tão convincente mas não é loucura alguma. Pode sim contribuir dentro de campo. Vem de bom ano pelo Flamengo.

Marquinhos: uma das maiores certezas desse ciclo. Mesmo que marcado dentre os torcedores por momentos de falha com a amarelinha, é dos que apresentou maior nível no ciclo de Copa e dificilmente ficaria de fora. Virtualmente, o titular dessa defesa e com risco de fardar a braçadeira de capitão. A conferir.

Gabriel Magalhães: o zagueiro brasileiro em melhor nível no mundo atualmente. General da zaga do Arsenal. Pela Seleção, sempre convincente. Praticamente impecável. Quase zero questionamento. Qualidade, forma física, encaixe tático e técnico. Um dos melhores defensores do mundo na atual temporada e com risco de chegar à Copa campeão da Champions (Marquinhos idem).

Bremer: outrora um zagueiro de nível top-5 mundial, decaiu. Mesmo assim, segue em alto nível e é convincente o suficiente para não ser surpresa em estar na lista para a Copa. Um dos pilares da gigante Juventus na Itália. Há duas temporadas, foi consagrado melhor defensor do futebol italiano – feito formidável para um não-italiano.

Léo Pereira: um dos grandes questionamentos populares dessa lista. Em 2025, foi o melhor zagueiro do futebol sul-americano. Em 2026, assim como o todo do Flamengo, caiu de nível. Tornou-se alvo fácil. Tem qualidade e, na minha opinião, nas vezes em que esteve na Seleção, convenceu o suficiente para não ser uma loucura. Outros, como Thiago Silva, poderiam ter ido, mas nenhum problema em ter Léo Pereira no Mundial.

Douglas Santos: um dos grande asteriscos dessa lista. Não por não ter qualidade suficiente para nela estar, mas por atuar, assim como Roger Ibañez e outros que temos pela frente na lista, numa liga pouco consumida pelo torcedor brasileiro. Vem tendo boas temporadas pelo Zenit, da Rússia. Pela seca de opções na posição, torna-se “não-loucura”.

Alex Sandro: vindo de 2025 magnânimo pelo Flamengo, faz um 2026 não tão consistente. Apesar da titularidade incontestável no Flamengo, não apresenta um ano de destaque no cenário nacional e internacional e gera dúvidas sobre a escolha em si. Apesar disso, ostenta toda a confiança possível de Carlo Ancelotti e o ciclo dá a entender que nunca foi uma dúvida.

Meio-campistas

Bruno Guimarães: vem de temporada “agridoce” pelo Newcastle United. Não foi grande destaque da Premier League nesse ano mas também passou longe de ter uma temporada decepcionante. Gera alguma dúvida pelas apresentações recentes que teve na Seleção. Apesar disso, dos jogadores que mais manteve o alto nível no ciclo e sua convocação é natural.

Casemiro: não somente pela bola jogada mas pelo que representa ao vestiário, Casemiro nunca foi uma dúvida para a Copa do Mundo nesse ciclo. Desde sua saída do Real Madrid para o Manchester United se reinventou. Antes coadjuvante de luxo, agora assume papel, muitas vezes, protagonista pela equipe inglesa. Faz época lá e justifica a sua chamada para o Mundial.

Danilo: para muitos, a grande surpresa positiva da lista de Ancelotti. Faz um grande ano pelo Botafogo apesar dos problemas da equipe mas no todo do ciclo não pareceu ser uma certeza. A escolha final sendo por ele faz muito sentido por tudo que apresentou no ciclo por Palmeiras, Nottingham Forest e agora Botafogo.

Fabinho: ao início do ciclo, parecia natural imaginar que Fabinho estaria na Copa do Mundo de 2026. Porém, sua saída do Liverpool para o Al-Ittihad pareceu trazer nebulosidade para esse cenário. Já na reta final do ciclo, voltou a ser lembrado e suas atuações em campo pela Seleção tornaram a convencer. Justa chamada.

Lucas Paquetá: mais um que foi nome frequente desse ciclo e que tornou-se dúvida apenas após uma troca de clubes, neste caso, sua saída do West Ham para o Flamengo. Teve dificuldades para se firmar no Campeonato Brasileiro e sofreu com problemas físicos, fatores que o afastaram das últimas listas. Mesmo assim, ostenta confiança de Ancelotti e foi justamente chamado.

Ederson: escolhido como substituto para Wesley, o volante, que tem passagens por Corinthians, Fortaleza e Cruzeiro no Brasil, ostenta consigo muita expectativa. Surgiu muito bem no cenário nacional e se mudou para a Europa, onde defendeu inicialmente as cores da Salernitana, da Itália. Quinze jogos por lá entre 2022 e 2023 foram suficientes para convencer a grande Atalanta de seu talento. Lá desde 2023, já ultrapassou os cem jogos e é uma força tática e física da equipe atualmente treinada por Raffaele Palladino. Escolha que indica que Ancelotti quer priorizar um meio-campo capaz fisicamente para a Copa.

Atacantes

Endrick: com toda certeza, um nome que teve justiça em ser chamado. Fez um bom ciclo de Copa do Mundo por Palmeiras, Real Madrid e Lyon. Tornou-se dúvida muito por conta de outros critérios que não bola jogada. Em bola jogada, nunca foi uma dúvida. Sempre convenceu o torcedor. Grande atacante de grande personalidade. Tem tudo para fazer a diferença no Mundial.

Gabriel Martinelli: um jogador que esteve em grande parte desse ciclo de Copa do Mundo. Se a atual temporada não convence em bola jogada, certamente ostenta valores táticos interessantes para um já campeão inglês Arsenal. Convocação que se baseia, muito provavelmente, no aspecto de encaixe com a equipe. Jogador dedicado taticamente.

Igor Thiago: o grande nome emergente desse setor ofensivo. Surgiu recentemente pelo modesto Brentford e foi artilheiro da Premier League por uma equipe que passa longe de ser postulante ao título. Se colocou em evidência pelo trabalho duro e capacidade de marcar gols. Em característica, faz sentido ao time. Em suma, convocação justíssima.

Luiz Henrique: um jogador que quebra padrões. Mesmo defendendo uma equipe de fora do grande holofote, que é o futebol europeu, nunca foi uma dúvida ao torcedor. Sempre que esteve em campo pela Seleção Brasileira, convenceu. Quando esteve em evidência ao torcedor brasileiro, pelo Botafogo, encantou. Justa chamada.

Matheus Cunha: jogador que oferece versatilidade. Se reinventou desde que chegou ao Manchester United. Tornou-se um protagonista em muitos momentos com a camisa dos Red Devils. Jogador que apesar da capacidade de marcar gols também entrega em outras esferas do jogo e, muito por isso, convence pela sua convocação.

Neymar: o grande enfoque dessa lista de 26 nomes. O jogador que mais marcou as últimas gerações de jogadores em nível técnico e poder de decisão. Tornou-se dúvida a partir do segundo quarto desse ciclo ao optar em deixar o Paris Saint-Germain pelo Al-Hilal. Mais recentemente pelo Santos, já mais próximo do torcedor brasileiro, deixa claro deficiências no seu jogo, sendo elas físicas ou técnicas. Ainda assim, ostenta qualidades que condecoram confiança na sua ida ao Mundial. Ancelotti fez jogo duro, suspense mas, no fim, cedeu ao côro popular. Justa escolha.

Raphinha: juntamente a Vinicius Jr., o expoente ofensivo mais produtivo desse grupo no decorrer do ciclo de Copa do Mundo. Três temporadas de “duplo-duplo” pelo gigante Barcelona nesse período. Tornou-se protagonista numa equipe com nomes como Robert Lewandowski e Raphinha. Fez a diferença e se colocou na Copa do Mundo.

Rayan: grande expoente jovem dessa convocação. Divide com Endrick o peso de serem os primeiros convocados de 19 anos para uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira desde Ronaldo Nazário em 1994. Fez grande segunda metade de ciclo por Vasco, Bournemouth e Seleção Brasileira. Ascendeu rapidamnte e conquistou com méritos essa vaga no Mundial.

Vinicius Jr.: para muitos, o grande rosto dessa atual geração da Seleção Brasileira. Melhor do mundo dentro desse ciclo, grande protagonista dum vitorioso Real Madrid que, sob a batuta ade Ancelotti, zerou (mais uma vez) a cartilha de títulos. Há muita expectativa em Vinícius mas, por enquanto, pouca resposta. Que nessa Copa viva a sua redenção.

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Qual recado a convocação passa?

O recado que a convocação passa é de que o Brasil irá ao Mundial com um grupo cascudo, com grandes lideranças fazendo parte do elenco. Ao mesmo tempo, especialmente na fase ofensiva, conta com destaque mundiais, como Raphinha e Vinicius Jr. O Retorno de Neymar também garante experiência vencedora e eficiente em grandes palcos como esses do Mundial.

A recente perda de Wesley e escolha por Ederson revela uma mudança de planos. Antes priorizando um Brasil ofensivamente numeroso e capaz fisicamente pelo lado direito, agora Ancelotti prioriza um fortalecimento do meio-campo e indica que teremos um time mais equilibrado, menos dependente de contra-ataques.

O treinador italiano terá de saber equilibrar bem as peças que tem a disposição para conseguir que o Brasil tenha um desempenho convincente e não acumule mais um vexame na sua história recente de disputas de mundiais.