Quatro dias depois de sair de campo vaiado com um empate sem brilho em Townsville, o Brasil apresentou uma versão bem diferente diante da Austrália. A Seleção venceu por 4 a 2, no Suncorp Stadium, em Brisbane, em uma partida movimentada de seis gols, resultado que contrasta com a atuação apagada do primeiro confronto, na sexta-feira (25), quando o time só buscou o empate por 1 a 1 no último lance, com gol de Rayan.
Entre um jogo e outro, Carlo Ancelotti promoveu sete mudanças no time titular e alterou a estrutura tática da equipe. O resultado apareceu logo aos 2 minutos, com gol de Vanderson, e se confirmou ao longo dos 90 minutos: um Brasil mais móvel, menos “pregado” em campo e com o meio-campo funcionando como peça central da evolução.
O que mudou taticamente
No primeiro jogo, em Townsville, Ancelotti mandou a campo um 4-2-4, com quatro atacantes e pouco preenchimento no meio-campo. A escolha deu à Seleção 65% de posse de bola e 554 passes certos contra 250 dos australianos, mas sem transformar esse domínio em chances claras, a Austrália se fechou atrás da linha da bola e neutralizou o volume ofensivo brasileiro.
Para o segundo confronto, o treinador abandonou o esquema de quatro atacantes e optou por um 4-3-3 com o meio-campo mais preenchido, formado por Bruno Guimarães, Danilo e o estreante Gabriel Bontempo. A mudança teve efeito imediato: a Seleção passou a ter mais opções de passe entre as linhas, os laterais Vanderson e Mauro Júnior ganharam liberdade para subir ao ataque, e Raphinha, atuando como falso 9, papel que vem exercendo no Barcelona, passou a aparecer pelos lados e a se infiltrar nas costas da zaga australiana.
As mudanças de jogadores
Sete titulares saíram em relação ao time de Townsville. No gol, Otávio entrou no lugar de Hugo Souza, que havia falhado no gol da Austrália no primeiro jogo. Na defesa, Vanderson e Mauro Júnior assumiram as laterais no lugar de Matheuzinho e Douglas Santos, enquanto Jair Cunha e Gabriel Magalhães substituíram Marquinhos e Vitor Reis na zaga. No meio-campo, Danilo e o estreante Gabriel Bontempo formaram o setor ao lado de Bruno Guimarães, dando mais volume de jogo à equipe. No ataque, Rayan, autor do gol de empate no primeiro jogo, ganhou a vaga de Endrick e formou o trio ofensivo com Raphinha e Vini Jr.
Jair Cunha foi um dos destaques da nova formação, mostrando segurança para neutralizar o veloz Irankunda, principal nome do ataque australiano.
Por que o Brasil venceu desta vez
Depois do empate frustrante do primeiro jogo, alguns fatores explicam a virada de chave da seleção. O meio-campo mais forte, com o preenchimento do setor central, deu à Seleção mais saídas de bola e circulação rápida, corrigindo a fragilidade identificada na partida anterior. A mobilidade ofensiva também aumentou: com Raphinha de falso 9 e os laterais avançando, o time deixou de depender apenas da posse de bola e passou a criar mais chances. O início avassalador, com o gol relâmpago de Vanderson aos 2 minutos, deu confiança à equipe logo de cara, algo que não havia acontecido em Townsville. Por fim, o banco de reservas foi decisivo: mesmo após a Austrália buscar o empate parcial com gols de Circati e Metcalfe, as entradas de Andrey Santos e o reajuste do meio-campo garantiram o controle da partida no segundo tempo, com gols de Bruno Guimarães e Vini Jr. de pênalti, fechando o placar em 4 a 2.
Apesar da vitória, Vini Jr. voltou a ter dificuldades diante da marcação, repetindo em parte o desempenho discreto do primeiro jogo, embora tenha participado do lance do terceiro gol e convertido o pênalti que fechou o placar.
Próximo compromisso
Com a vitória, o Brasil vira a chave para o próximo amistoso da Data Fifa: a estreia histórica contra a Índia, em Calcutá, no sábado (3), às 11h (horário de Brasília).

