Cristiano Ronaldo, hoje com 41 anos, foi eleito o Bola de Ouro de Todos os Tempos, o chamado Ballon d’Or of All Time (BOAT), em uma votação aberta ao público pela organização da Bola de Ouro e divulgada nesta quarta-feira, 28 de outubro. O resultado saiu dois dias depois da cerimônia que consagrou Harry Kane como melhor jogador de 2026, em Londres, e fez parte das comemorações pelos 70 anos do prêmio. Vale um esclarecimento importante: o BOAT não é um troféu novo nem define o maior jogador da história, e sim a melhor campanha premiada com a Bola de Ouro.
O formato foi bem diferente do da Bola de Ouro tradicional, decidida por jornalistas. A campanha começou em 1º de outubro, e os torcedores escolheram entre 32 edições do prêmio, conquistadas por dez jogadores que venceram a Bola de Ouro ao menos duas vezes: Cristiano Ronaldo (cinco títulos), Lionel Messi (oito), Johan Cruyff, Michel Platini e Marco van Basten (três cada), além de Ronaldo Nazário, Franz Beckenbauer, Kevin Keegan, Alfredo Di Stéfano e Karl-Heinz Rummenigge (dois cada). Cada voto custava um euro e dava direito a concorrer a dois ingressos para a cerimônia de 2027. A votação se encerrou na madrugada de terça para quarta.
Como os eleitores votavam em temporadas, e não em jogadores, os votos de cada craque se dividiam entre suas várias conquistas. Messi, que aparece oito vezes na lista (2009, 2010, 2011, 2012, 2015, 2019, 2021 e 2023), foi o mais afetado por isso. Na última parcial divulgada, em 20 de outubro, a edição de 2008 de Cristiano tinha 75% dos votos, contra 9% da edição de 2012 de Messi e 6% da de 2017 do próprio português. O percentual final não foi encontrado nas fontes consultadas.
A temporada 2007/08: gols, assistências e títulos
A campanha vencedora foi a de um Cristiano de 23 anos, no Manchester United de Sir Alex Ferguson. Ele marcou 42 gols em todas as competições, sendo 31 na Premier League, número que lhe rendeu a Chuteira de Ouro europeia. Foram também seis assistências em 49 jogos. Na Liga dos Campeões, terminou como artilheiro, com sete gols, incluindo o da final contra o Chelsea. Entre os gols marcantes do ano está um hat-trick na goleada por 6 a 0 sobre o Newcastle.
No coletivo, o United conquistou a Premier League e a Liga dos Campeões, e a Goal ainda inclui a Supercopa da Inglaterra (Community Shield) entre os troféus da temporada. Ronaldo também foi eleito o melhor jogador da Premier League. No fim de 2008, o time acrescentou o Mundial de Clubes, e naquele ano o português ainda levou o prêmio de melhor do mundo da FIFA, o da FIFPro e o de melhor jogador de clube da UEFA.
A Bola de Ouro de 2008 foi decidida por 96 jornalistas, segundo a Trivela. Cristiano superou Messi e o espanhol Fernando Torres e se tornou o terceiro português a vencer o prêmio, depois de Eusébio (1965) e Luís Figo (2000).
O top 10: a lista toda é de Cristiano e Messi
O ranking final foi dominado pelos dois maiores rivais da era moderna. Em primeiro lugar ficou a temporada de 2008 de Cristiano Ronaldo, seguida pela de 2012 de Messi, o ano dos 91 gols em um ano civil, recorde que se mantém. O pódio se completa com a temporada de 2017 de Cristiano, e a sequência traz a de 2023 de Messi em quarto, a de 2016 de Cristiano em quinto e a de 2014 de Cristiano em sexto. Depois vêm a de 2015 de Messi, a de 2013 de Cristiano, a de 2011 de Messi e, em décimo, a de 2009 de Messi.
O resultado em números: as cinco Bolas de Ouro de Cristiano (2008, 2013, 2014, 2016 e 2017) ficaram entre as dez primeiras, e Messi ocupou as outras cinco vagas, com 2009, 2011, 2012, 2015 e 2023. Os oito outros nomes da disputa, entre eles Cruyff, Platini, Van Basten, Beckenbauer e Ronaldo Nazário, ficaram fora do top 10. Segundo o Mais Futebol, o primeiro nome que aparece sem ser Cristiano ou Messi é o do Fenômeno, com a edição de 2002, na 13ª posição.
Por que 2008 venceu
As fontes consultadas não trazem uma explicação oficial para a escolha, já que a votação não pedia justificativas, mas os números da temporada ajudam a entender a preferência do público. A campanha reuniu o que costuma pesar em prêmios individuais: artilharia europeia, título da Liga dos Campeões com gol na final, título nacional e protagonismo absoluto em um grande clube. A organização do prêmio resumiu o ano dizendo que o português “varreu” os troféus, com Premier League, Champions, Chuteira de Ouro e 42 gols.
Há ainda dois fatores sobre a própria dinâmica do voto, que são interpretações e não afirmações das fontes. O primeiro é o efeito da divisão de votos: com oito edições de Messi na lista, a torcida do argentino se espalhou, enquanto a do português se concentrou na primeira Bola de Ouro. O segundo é o fato de a edição de 2008 ter sido o ponto de partida da década em que ele e Messi dominaram o prêmio, o que dá a ela um peso simbólico a mais.
Uma semana de Bola de Ouro e uma ironia
O título chega na mesma semana em que Harry Kane, do Bayern de Munique, levou a Bola de Ouro de 2026, à frente de Kylian Mbappé e Lamine Yamal. Ele se tornou o primeiro inglês a vencer em 25 anos, desde Michael Owen, em 2001. A cerimônia de Londres também consagrou Alexia Putellas pela terceira vez no prêmio feminino e deu à Espanha prêmios de melhor técnico, goleiro e jovem. Com isso, o BOAT acabou funcionando como um segundo capítulo da festa, dessa vez nostálgico.
Há também uma ironia. Depois da edição de 2024, vencida por Rodri, Cristiano afirmou em entrevista que não via credibilidade na premiação e que Vinicius Junior merecia o troféu. Agora, ele é o grande nome de uma votação promovida pela própria Bola de Ouro. A organização fez questão de lembrar que não se trata de um prêmio oficial, mas de uma ação de engajamento dos fãs. Segundo o site AllFootballApp, alguns torcedores chegaram a acreditar que se tratava de um troféu de verdade e tentaram manipular os votos.
O debate sobre o maior de todos os tempos, claro, não termina aqui. O BOAT mede a preferência da torcida por uma única temporada, e não por uma carreira completa: nessa conta, Messi segue sendo o maior vencedor da Bola de Ouro, com oito troféus contra cinco do rival.

