A Rússia encerrou o Mundial Sub-19 de boxe da World Boxing com uma demonstração de força coletiva. Com cinco medalhas de ouro e cinco de prata, a seleção terminou na liderança do quadro de medalhas em Budva, Montenegro, à frente do Uzbequistão e dos Estados Unidos. O diferencial da campanha apareceu no alcance de sua delegação: os russos chegaram à decisão em dez das 20 categorias do campeonato.
Ter representantes em metade das finais significou ocupar dez das 40 vagas disponíveis na disputa pelos títulos. Antes mesmo do primeiro combate decisivo, portanto, um em cada quatro finalistas defendia a Rússia. Essa presença distribuída por diferentes pesos ajuda a explicar a liderança: a equipe construiu várias possibilidades de ouro ao longo do torneio, sem depender de um único destaque. Os números são calculados a partir da relação de finalistas divulgada pela World Boxing.
A competição foi disputada de 16 a 27 de outubro, no Mediterranean Sports Center. Foi a segunda edição do Mundial Sub-19 da entidade, depois da estreia nos Estados Unidos, em 2024, reunindo disputas masculinas e femininas em 20 categorias. O evento integra o percurso de desenvolvimento de jovens atletas rumo ao boxe adulto internacional.
As mulheres tiveram papel decisivo
A composição das finais russas revela o peso do boxe feminino na campanha. Foram seis mulheres nas decisões, com três títulos, enquanto os homens chegaram a quatro finais e conquistaram dois ouros. Assim, as atletas responderam por 60% tanto das vagas russas nas decisões quanto dos títulos do país. Esse recorte resulta da contagem dos resultados publicados pela organização.
Anastasiia Golunova, nos 57 kg, Daria Antipova, nos 75 kg, e Ekaterina Frolova, nos 80 kg, foram as campeãs. No masculino, Prokhor Startsev venceu nos 80 kg, e Kirill Korshakov conquistou os 85 kg. Os cinco triunfos nas finais vieram por decisão unânime.
Golunova já havia mostrado capacidade de encerrar uma luta antes da leitura das papeletas durante a campanha. No terceiro dia de competição, venceu Nurperi Makeshova, do Quirguistão, por interrupção no segundo round. A vitória fez parte de uma jornada em que a Rússia somou três triunfos, assim como a Índia, segundo o balanço diário da World Boxing.
Cinco pratas mostram o alcance e a resistência dos adversários
As medalhas de prata ficaram com Vladimir Orlov, nos 50 kg, Islam Magomedov, nos 55 kg, Ekaterina Nesvetaeva, nos 60 kg, Bella Zueva, nos 65 kg, e Samira Itonieva, acima dos 80 kg. Orlov perdeu por 3 a 2 para o escocês Aaron Sarwar, mesmo placar da derrota de Nesvetaeva para a chinesa Wang Shasha.
A Rússia venceu cinco de suas dez finais, aproveitamento de 50%. O Uzbequistão converteu quatro de seis oportunidades em ouro, aproximadamente 66,7%. A comparação mostra como os russos chegaram ao primeiro lugar: mesmo com uma taxa menor de vitórias nas decisões, tiveram mais atletas em condições de disputar o título. Esses percentuais descrevem a etapa final e não medem, isoladamente, a dificuldade dos caminhos percorridos por cada seleção.
Uzbequistão manteve a disputa próxima
O Uzbequistão terminou com quatro ouros, duas pratas e dois bronzes. Os Estados Unidos ficaram em terceiro, com dois ouros, uma prata e dois bronzes. O resultado deixou os uzbeques a apenas um título da liderança russa e confirmou uma disputa pelo topo mais apertada do que a diferença no número de finalistas poderia sugerir.
Ao todo, 12 países conquistaram pelo menos um ouro. Além dos três primeiros, chegaram ao título Cazaquistão, China, Irlanda, Índia, Ucrânia, Inglaterra, Brasil, Argentina e Escócia. A distribuição evidencia que o protagonismo russo aconteceu em um campeonato com campeões de diferentes regiões e escolas de boxe.
Entre eles esteve a brasileira Elissandra Santos, campeã dos 48 kg após vencer a japonesa Hiyori Miki por decisão unânime, por 5 a 0.
A campanha russa deixa um indicador concreto para acompanhar essa geração: a capacidade de colocar atletas de diferentes categorias na última etapa do torneio. Em uma competição concebida como ponte para o nível adulto, chegar a dez finais amplia o grupo de nomes que merece atenção nos próximos anos. O desempenho em Budva registra a força dessa geração na base; sua continuidade será medida nos desafios seguintes do calendário internacional.

