Campeão brasileiro e ídolo do Flamengo, Ronaldo Angelim transforma o futebol feminino no interior do Ceará

Projeto social criado em Juazeiro do Norte alia esporte, educação e acolhimento para meninas da região e revela talentos para o futebol brasileiro

Foto: Divulgação/R4 Feminino

O R4 Feminino é um time de futebol feminino sediado em Juazeiro do Norte, cidade localizada a aproximadamente 500 km de Fortaleza, no Ceará. Fundado em outubro de 2010, o projeto social tinha como objetivo oportunizar o acesso ao esporte para meninas da região do Cariri.

Sem imaginar a proporção que a iniciativa tomaria, Ronaldo, ex-jogador de futebol, construiu um campo em seu próprio sítio. Em pouco tempo, os treinos, que inicialmente seriam voltados apenas para as mulheres de sua família, passaram a receber meninas de diversas cidades da região. A jovem atacante Valessa Guedes, que atualmente atua nas categorias de base do Palmeiras, é um dos exemplos da força do projeto.

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“O futebol feminino nunca teve apoio nessa região, aí começamos os treinamentos para essas meninas”, afirmou Ronaldo, ao programa Elas com a Bola.

Hoje, o time do ídolo flamenguista coleciona participações no Campeonato Brasileiro Série A3, na Copa do Brasil, no Campeonato Cearense (adulto) e no Campeonato Cearense Sub-17. Apesar disso, o ex-jogador do Rubro-Negro carioca reforça que o R4 é, acima de tudo, um projeto de formação. Não há processo seletivo para ingressar no clube, mas é obrigatório estar com as atividades escolares em dia.

“Aquelas que desejam ser profissionais, seguirão para as competições, mas as que não, podem continuar conosco para praticar esporte”, explicou Ronaldo.

A equipe funciona como um verdadeiro lar para suas atletas, que moram no sítio de Angelim, onde ele e sua esposa oferecem alimentação, suporte psicológico, nutricional e de fisioterapia, de forma gratuita, apenas por acreditar na força do futebol de mulheres no Brasil.

Ao frisar sobre a ajuda psicológica, Ronaldo trás à tona o fato do futebol salvar algumas de suas atletas, que chegam a sua instituição com problemas graves de ansiedade e depressão e em alguns casos, até com histórico de abuso psicológico e sexual. Vale ressaltar que a região do Cariri apresenta dados alarmantes de violência doméstica e de gênero, o que torna o R4 Feminino ainda mais essencial.

“Muitas meninas chegam até a gente com problemas de ansiedade e depressão, e os pais me agradecem muito pelo suporte. Outras passaram até por situações mais difíceis, como abuso sexual, enfim, nós tentamos ocupar a mente delas com estudo e esporte”.

Foto: Divulgação/R4 Feminino

Em 2025, o Fortaleza garantiu vaga na Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026. No entanto, após o rebaixamento da equipe masculina para a Série B, o clube decidiu encerrar o projeto feminino, já que sua manutenção deixaria de ser uma obrigação. A decisão deixou as atletas sem respaldo.

O R4 chegou a se colocar à disposição para disputar a competição representando o Fortaleza e utilizando o uniforme tricolor. Quando tudo parecia encaminhado, porém, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que o clube não havia cumprido o prazo de inscrição, o que resultou na perda da vaga.

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O R4 Feminino não conta com fontes fixas de financiamento. O projeto sobrevive graças ao esforço de Ronaldo, de sua equipe, campanhas e eventos realizados para arrecadar recursos. Ainda assim, ele garante que seu compromisso com a modalidade permanece firme e afirma já preparar um sucessor para que o projeto continue transformando a vida de meninas de Juazeiro do Norte.