Equilíbrio e oscilações marcam a primeira fase do Brasileirão Feminino A1

A fase de pontos corridos revela um campeonato sem soberanias absolutas e definido por margens mínimas na tabela

Foto: Miguel Schincariol / são Paulo


A primeira fase do Brasileirão Feminino A1 encerrou seus pontos corridos neste sábado (22) com um panorama claro: este foi um dos campeonatos mais parelhos e imprevisíveis das últimas temporadas.

A competitividade do torneio foi ditada pela volatilidade das equipes, com altos e baixos constantes impediram que poucas potências disparassem na liderança, gerando uma briga feroz até os últimos instantes pela vaga no mata-mata.

O grande símbolo desse nivelamento foi a escassa diferença de pontos entre a zona de classificação e o meio da tabela. Com o corte do G-8 estabelecido em 27 pontos, a margem de erro para avançar foi mínima. Clubes que garantiram vaga para a fase decisiva, como Bahia (29 pts) e Cruzeiro (28 pts), ficaram a pouquíssimos tropeços de serem ultrapassados por times como Bragantino e Fluminense (ambos com 26 pts). O próprio Internacional (27 pts) assegurou a 8ª posição empatado em pontos com o Grêmio (9º colocado), dependendo dos critérios de desempate para não ficar de fora.

Raio-X das campanhas

O desempenho dos clubes ao longo de toda a fase classificatória refletiu diretamente os momentos vivenciados por seus departamentos de futebol.

O Palmeiras manteve grande consistência ao longo do campeonato, sofrendo apenas uma derrota em 17 rodadas sob o comando da treinadora Rosana Augusto, graças à solidez tática e ao poder decisivo de um elenco experiente.

O Flamengo, por sua vez, registrou uma clara curva de evolução. Com o técnico Celso Silva mesclando veteranas como Cristiane e Djeni a jovens promessas da base, o time construiu uma das defesas mais sólidas da competição (19 gols sofridos em 16 jogos) e engatou uma forte arrancada na reta final.

Foto: Paula Reis / C.R. Flamengo

Em contrapartida, o Corinthians viveu uma fase atípica de instabilidade defensiva e desequilíbrio provocados pelo desgaste e rodízio de elenco entre competições, perdendo invencibilidades marcantes e sofrendo reveses como o 3 a 1 para o Internacional na última rodada.

O Cruzeiro enfrentou dificuldades para traduzir seu volume de jogo e boas artilheiras em vitórias tranquilas, precisando fazer contas até o fim para avançar.

Já o Santos protagonizou uma campanha bastante abaixo das expectativas, frequentando a metade inferior da tabela e somando apenas 23 pontos após sofrer em confrontos diretos contra os líderes.

Foto: Rafael Zucco / Ferroviária

A Ferroviária terminou na 4ª colocação, somando 31 pontos. As Guerreiras Grenás demonstraram enorme regularidade e uma longa sequência de invencibilidade na reta final do torneio, garantindo a classificação antecipada e assegurando a última vaga do G-4 após empatar por 1 a 1 com o Fluminense na rodada final e conseguindo a vantagem de decidir em casa os confrontos do mata-mata.

O São Paulo fez uma campanha brilhante e garantiu a ponta da tabela com 41 pontos. Sob o comando do técnico Thiago Viana, o Tricolor manteve enorme consistência ao longo de todo o torneio, equilibrando uma defesa sólida a um ataque extremamente produtivo com destaques como Crivelari, Duda Serrana e Isa Guimarães. Por terem conquistado a melhor campanha dessa fase inicial, as Soberanas vão decidir a vaga na semi dentro de casa diante de sua torcida.

Com a definição do G-4 e o fechamento do G-8 tão apertado, a fase classificatória do Brasileirão Feminino A1 entrega um cenário de mata-mata marcado pelo equilíbrio e imprevisibilidade. A fase decisiva promete confrontos intensos, onde o físico e a eficiência tática será o fator determinante para o título.