Diniz faz Corinthians sobreviver à pressão e ganhar fôlego na Libertadores

Classificação diante do Rosario Central não apaga a crise, mas dá ao treinador tempo para tentar reorganizar o Timão

Rodrigo Coca / Corinthians

O 1 a 0 na Neo Química Arena colocou o Corinthians nas quartas de final da Libertadores pela primeira vez desde 2022, em uma classificação com roteiro bem corintiano: pressão, tensão, expulsão e um gol no segundo tempo para fazer a Fiel respirar.

No meio de tudo isso estava Fernando Diniz, que chegou ao confronto carregando não apenas a responsabilidade de fazer o time jogar, mas também de administrar um ambiente pesado. O Corinthians vinha de eliminação na Copa do Brasil, derrota para o Cruzeiro no Brasileirão e uma série de problemas internos que passaram a ocupar cada vez mais espaço no noticiário. A situação envolvendo Memphis Depay, o transfer ban e os protestos mais recentes viraram assunto antes do mata-mata, aumentando ainda mais a pressão sobre o elenco e a comissão técnica.

Diniz precisou encontrar uma maneira de fazer o futebol falar mais alto do que os problemas fora de campo. E, pelo menos no confronto contra o Rosario Central, conseguiu.

O empate sem gols no primeiro jogo, na Argentina, já havia mostrado um Corinthians disposto a competir mesmo em uma situação complicada. Na volta, diante da Fiel, o time voltou a encontrar dificuldades, principalmente depois da expulsão de Raniele, aos 13 minutos do segundo tempo. Porém, a equipe conseguiu se reorganizar, suportou a pressão e encontrou o gol que garantiu a classificação.

Diniz tenta fazer o futebol falar mais alto

A relação com Memphis também ajuda a entender como Diniz tentou conduzir o momento. Na coletiva após o jogo, o treinador revelou que conversou em particular com o atacante e que torcia para que a negociação envolvendo sua permanência no Corinthians desse certo. Segundo o treinador, a renovação do holandês seria “o grande reforço da temporada”.

O time não fez uma partida perfeita e esteve longe de dominar o adversário durante os 90 minutos, mas mostrou uma característica importante para quem disputa mata-mata: soube sofrer.

Com um jogador a menos, a equipe precisou repensar a estratégia, disputar cada bola e esperar o momento certo para atacar. Na cobrança de falta de Memphis, Breno Bidon apareceu para marcar o gol da classificação e transformar uma noite que caminhava para a tensão em festa na Neo Química Arena.

Breno Bidon gol
Foto: Divulgação / Corinthians

A classificação não apaga os questionamentos

Nesse cenário, Diniz também ganhou pontos. O treinador não conseguiu apagar os problemas que cercam o clube, mas conseguiu evitar que eles tomassem conta do campo. Isso não significa, porém, que tenha acertado em todas as decisões.

Antes do confronto decisivo pela Libertadores, o treinador optou por utilizar jogadores importantes contra o Cruzeiro pelo Brasileirão. O Corinthians acabou derrotado por 2 a 1, e a escolha aumentou os questionamentos sobre o planejamento da equipe para uma semana tão importante.

Além disso, a derrota veio acompanhada de mais pressão sobre o trabalho de Diniz, que precisava rapidamente mudar o ambiente antes do jogo que poderia definir o futuro do Corinthians na competição continental.

O Corinthians ainda está longe de viver um momento tranquilo. A classificação não apaga a eliminação na Copa do Brasil, não resolve os problemas internos e também não coloca todas as decisões de Diniz acima de qualquer questionamento. Mas muda o ambiente.

Uma vitória em mata-mata, principalmente na Libertadores, dá confiança ao elenco, aproxima o torcedor e oferece ao treinador algo que parecia cada vez mais difícil de conseguir: tempo para trabalhar.

Por isso, talvez seja cedo para dizer que Diniz conseguiu blindar completamente o Corinthians da crise. O que ele conseguiu, até aqui, foi algo mais realista: impedir que o caos fora de campo definisse o desempenho da equipe dentro dele.

A classificação diante do Rosario Central mostra um time que ainda tem problemas, mas que encontrou forças para competir e sobreviver em uma noite decisiva.

Com a classificação garantida e o Corinthians entre os oito melhores da Libertadores, Diniz agora terá pela frente mais um desafio em meio ao cenário turbulento do clube. Nas quartas de final, o Timão encara o Estudiantes, em mais um capítulo de uma caminhada que promete testar o elenco e o trabalho do treinador.

Divulgação/Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Corinthians