Cruzeiro e Boca Juniors. Dois gigantes continentais, oito títulos em conjunto. Com todo esse cenário, era de se imaginar um grande jogo. Contudo, não foi bem assim que a partida se desenrolou na noite desta terça-feira (28). Os argentinos vieram para Belo Horizonte e fizeram de tudo para não jogar, catimbando e gastando todo o tempo do mundo.
O Cabuloso chegou a cair na pilha e, mesmo com a expulsão de Bareiro, sofreu muito para aproveitar o fato de ter um jogador a mais. No fim, diante de 59.126 torcedores, a Raposa superou os desafios para vencer por 1 a 0, graças a Villarreal, e garantir três pontos importantes na terceira rodada da Libertadores em pleno Mineirão.
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Feitiço vira contra feitiçeiro?
O Cruzeiro aproveitou o fator casa e, com a energia de sua torcida, correspondeu, tendo mais volume de jogo e buscando mais os lados de campo. No entanto, era um pouco lento nas transições, algo que facilitava a recuperação do Boca. A equipe argentina passou a catimbar o duelo cedo. Além disso, os comandados de Claudio Úbeda subiram a linha de marcação, tentando dificultar a saída de bola da Raposa. Dependendo do momento, Gerson e Lucas Romero atuavam ao lado dos zagueiros para ajudar na construção de jogadas, mas os espaços deixados pelos companheiros complicavam as subidas para o ataque.
Com o tempo, o jogo travado dificultou o desenvolvimento. Quando não eram as faltas que impediam o andamento, os Xeneizes aproveitavam o fato de estarem na liderança para gastar o máximo de tempo possível quando tinham a oportunidade e sabiam fechar os espaços, sendo orquestrados por Paredes, que usava toda sua experiência para orientar o time nas jogadas.
Esse roteiro de não querer jogar fez os atletas do Cruzeiro caírem na pilha, ficando nervosos nas jogadas. Contudo, o feitiço virou contra o feiticeiro. Bareiro tentou fazer uma proteção e acabou acertando o rosto de Christian. O árbitro Esteban Ostojich deu o segundo amarelo e expulsou o jogador, que deu trabalho até para sair de campo.

Jogo lento, mas Cruzeiro é recompensado pela insistência
Artur Jorge resolveu mudar o Cruzeiro para o segundo tempo. O português tirou o amarelado Fagner para colocar o jovem Kauã Moraes. Se você, caro leitor, pensou que o dinamismo do jogo iria melhorar, se enganou. Mesmo com um a mais, a Raposa era lenta e não tinha intensidade para atacar e, ao invés de buscar o ataque, parava para trocar passes com a defesa. Os visitantes, por sua vez, gostavam da falta de ímpeto e seguiam no seu estilo: catimba e fechar os espaços.
Observando que os donos da casa tinham dificuldades de aproveitar o fato de ter um a mais, Úbeda fechou mais o Boca, colocando um zagueiro (Figal) na vaga de um meia ofensivo (Aranda), além de deixar Zeballos para segurar a bola no ataque. Com isso, os azul y oro formavam uma linha de cinco e, dependendo de como o Cruzeiro aparecia no ataque, chegavam a seis. A equipe estrelada passou a alugar mais o campo de ataque, apostando em Fabrício Bruno nas bolas paradas e em Arroyo, que foi o responsável pelas principais finalizações e, por muito pouco, não marcou um golaço ao tentar encobrir o goleiro de fora da área. Mas a redonda tirou tinta da trave.
Ainda assim, o tempo ia beneficiando cada vez mais o Boca Juniors. Mesmo deixando o Cabuloso mais ofensivo, Artur Jorge não conseguiu “fazer o time jogar”. Seguia lento nas tomadas de decisão, demorando muito para trocar passes. A melhor oportunidade de todo o jogo, e curiosamente a única no alvo, ocorreu apenas aos 80′. Kaio Jorge buscou o canto e parou em Brey. Três minutos depois, o goleiro nada pôde fazer. O camisa 19 aproveitou a enfiada de Matheus Pereira e rolou para Villarreal inaugurar o marcador e explodir o Gigante da Pampulha.
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Olho na tabela
Com o resultado, o Cruzeiro iguala os mesmos seis pontos do Boca Juniors. No entanto, a Raposa aparece na segunda posição, enquanto os argentinos lideram o grupo D, devido ao saldo de gols.
O que vem por aí
Na próxima rodada da competição, os Xeneizes irão encarar o Barcelona de Guayaquil, na próxima terça-feira (5), às 21h (de Brasília), no Monumental. No dia seguinte, o Cabuloso medirá forças contra a Universidad Católica, às 23h (de Brasília), na Claro Arena.

