Corda bamba na Ilha: Gilmar Dal Pozzo encara momento mais crítico no Sport sob a sombra de um ultimato

Com 43,3% de aproveitamento em 10 jogos e queda de rendimento qualitativo, treinador rubro-negro vê clássico contra o Ceará no Castelão virar divisor de águas para a temporada e para a gestão do clube

Gilmar Dal Pozzo, técnico do Sport. Foto: João Moraes / ORB Sports

A derrota por 2 a 1 diante do Novorizontino na última sexta-feira (28) não apenas expôs fragilidades de postura dentro de campo, mas teve um impacto devastador na tabela de classificação. Com o desfecho da rodada para os concorrentes diretos, o Sport caiu para a oitava colocação e voltou a se desgarrar do pelotão do G-6. O revés no interior paulista acendeu de vez o sinal de alerta na Praça da Bandeira e colocou o trabalho de Gilmar Dal Pozzo sob a sua maior onda de questionamentos desde a sua chegada.

Anunciado no dia 30 de junho de 2026 como o terceiro técnico do clube no ano, Dal Pozzo soma exatamente 10 partidas à frente do Leão: são 3 vitórias, 4 empates e 3 derrotas, somando apenas 13 dos 30 pontos disputados — um aproveitamento modesto de 43,3%. Se no prisma meramente quantitativo o número pode parecer o início padrão de um trabalho em reconstrução, a análise qualitativa das atuações desenha um cenário alarmante.

O raio-x qualitativo: Dificuldade contra o Z-4 e fragilidade em confrontos diretos

O grande agravante do trabalho de Dal Pozzo não reside apenas nos pontos deixados pelo caminho, mas na disparidade de desempenho diante dos diferentes blocos da competição:

  • Contra os times da parte inferior (Luta contra o Z-4): O Sport enfrentou Botafogo-SP (empate na Ilha), Cuiabá (empate na Ilha), Londrina (vitória na Ilha), Avaí (derrota na Ressacada) e América-MG (vitória na Ilha). Foram oito pontos somados em 15 possíveis (pouco mais de 53%). No entanto, o Leão sofreu para criar, oscilou na posse de bola e não conseguiu se impor com a autoridade esperada diante de adversários que brigam para não cair.
  • Contra concorrentes diretos (Briga pelo G-6 e acesso): Nos duelos contra quem joga o mesmo campeonato do Leão, a resposta foi ainda mais tímida. O Sport encarou Criciúma (derrota fora), Operário-PR (empate na Ilha), Goiás (empate fora), Vila Nova (vitória fora) e Novo Horizontino (derrota fora). O saldo é magro: apenas cinco pontos conquistados em 15 disputados.

Em uma Série B marcada pelo equilíbrio milimétrico, vencer os duelos diretos é o que confere estabilidade no pelotão de frente, assim como fazer o “dever de casa” contra o bloco de baixo é obrigação matemática de quem mira o retorno à elite nacional.

Clássico no Castelão: prova de fogo e clima de decisão

É com essa bagagem pesada que o Sport desembarca em Fortaleza e neste sábado (05) encara o Ceará, na Arena Castelão. Um clássico regional de enorme peso histórico que, pelas circunstâncias atuais, ganha contornos dramáticos para ambos os lados: de um lado, o Vozão afundado na zona de rebaixamento; do outro, um Leão pressionado para estancar a sangria de pontos e não se afastar de vez do G-6.

O confronto no Castelão se desenha como o ultimato definitivo para a comissão técnica. Mais do que estancar a instabilidade na tabela, o Sport entra em campo para provar se ainda tem capacidade de competir e ambição real de acesso.

Em caso de tropeço no Ceará, a diretoria rubro-negra será empurrada para uma encruzilhada: bancar a continuidade de um trabalho que não engrena ou admitir o colapso do planejamento de futebol na reta final da Série B. Para Dal Pozzo e para o Sport, em Fortaleza, só a vitória interessa.