Rafael Câmara viveu em Interlagos um sábado de estreante: rodou, bateu o carro e, ainda assim, teve motivos para sair do autódromo satisfeito. Logo após a classificação, o piloto da Haas fez questão de destacar o lado positivo de um dia que testou os nervos de todo o grid. “Foi a primeira vez que andei na chuva com um carro de F1. Foi um fim de semana positivo”, declarou.
Torcida para o brasileiro
Questionado sobre o que muda ao correr no Brasil, o piloto não hesitou: “Com certeza o maior diferencial de correr aqui é a torcida tão intensa”. Câmara é pernambucano, nascido em Recife, e esta é a primeira corrida dele na Fórmula 1, e justamente em solo brasileiro. Para quem estreia, correr em casa soma ao desafio técnico uma carga emocional que poucos pilotos conhecem.
Apesar disso, o próprio Câmara disse que a sensação dentro do carro foi a de sempre. “Sensação normal de estar dentro do carro, mesmo com o apoio da torcida, porque esse é o sonho que você vem trabalhando pra estar aqui. Foi tudo normal, tudo tranquilo”, contou o piloto da Haas.

O balanço positivo tem respaldo nos números. No TL3, disputado sob pista seca, Câmara colocou a Haas em 15º, com 1:12.981, e superou o companheiro Oliver Bearman por 0s128. O próprio piloto disse que foi evoluindo até o TL3 e também durante a classificação.
A manhã de pista seca permitiu testar o carro em condições estáveis. À tarde, o cenário virou de cabeça para baixo, e o brasileiro precisou se adaptar a um asfalto encharcado em plena estreia.
Uma classificação de sustos
A tempestade mudou o dia em Interlagos. O treino foi paralisado por quase 1h30min. A bandeira vermelha veio poucos minutos depois do início, com grande volume de água no asfalto, baixa visibilidade e registros de aquaplanagem.
Câmara sentiu o impacto logo no Q1. Ele rodou na pista molhada, mas conseguiu voltar aos boxes. O brasileiro furou um pneu e quebrou a asa dianteira, mas a equipe reparou o carro a tempo, e ele avançou ao Q2. Depois do reparo, completou três voltas rápidas e garantiu a vaga na segunda fase.
O susto maior veio no Q2. Em volta rápida, na tentativa de brigar por uma vaga entre os dez primeiros, Câmara perdeu o controle em uma curva e bateu forte no muro. Ele terminou eliminado, com o 13º tempo. O piloto reconheceu que bater na classificação não é o ideal e explicou que vinha melhorando no Q2 quando acabou indo reto na curva.

Com as punições por troca de componentes de motor aplicadas a outros pilotos, Câmara ganhou posições e larga em 11º, o que o coloca em uma posição da zona de pontuação, e qualquer ultrapassagem nas primeiras voltas pode mudar o rumo da corrida para o brasileiro.

