Max Verstappen não escondeu o incômodo com o sábado em Interlagos. Depois de um dia que começou cedo e terminou à noite, o piloto da Red Bull foi direto ao avaliar o tempo gasto no autódromo. “Não, não gostei. Foram doze horas da minha vida desperdiçadas. Por nada. Você acaba passando doze horas nisso, das sete e meia da manhã às sete e meia da noite”, disse.
A reclamação de um piloto que já sabia que largaria no fim do grid tem uma razão simples: com a posição de largada definida de antemão, a classificação não teve nenhum valor esportivo para ele.
Um sábado de dois climas
O dia em Interlagos teve duas faces. De manhã, o terceiro treino livre foi disputado sob calor intenso, com 32°C no ar e asfalto acima dos 53°C. Verstappen aproveitou a pista seca e foi o mais rápido, com 1:11.622, apenas 0s025 à frente de Kimi Antonelli.
À tarde, o cenário mudou por completo. A classificação, marcada para as 15h, foi interrompida por bandeira vermelha poucos minutos depois do início. O grande volume de água no asfalto e a baixa visibilidade provocaram registros de aquaplanagem, e os pilotos que estavam na pista precisaram reduzir a velocidade para voltar aos boxes com segurança. A Defesa Civil do Estado de São Paulo havia emitido alerta severo de chuva para as zonas oeste e sul da capital. A sessão só foi retomada depois de uma avaliação das condições de segurança.
Apesar da irritação com o tempo perdido, o holandês não criticou a decisão de manter a classificação no sábado. Para ele, o caminho escolhido foi o mais adequado: “A decisão de realizar a classificação foi acertada, melhor do que transferi-la para domingo de manhã, como aconteceu há dois anos”, afirmou.
A fala mostra que o incômodo de Verstappen não foi com a organização em si, mas com o fato de ter passado o dia inteiro em um autódromo sem ter nada a disputar.
“Quando não há nada em jogo, não me importo”
O motivo é a punição por troca de motor. A Red Bull substituiu todos os componentes da unidade de potência do carro de Verstappen, o que o obriga a largar do fim do grid. Assim como em 2024, o holandês aproveitou a etapa brasileira para fazer a troca.

Com o grid praticamente definido para ele, o piloto tratou a classificação como uma tarefa burocrática. “Eu já sabia que teria que largar de trás. Quando não há nada em jogo para mim, não me importo. É simplesmente uma questão de completar aquela volta no Q1 e voltar aos boxes sem correr riscos”, explicou.
A prioridade era evitar qualquer risco desnecessário em uma pista molhada, já que um acidente poderia comprometer o carro para a corrida de domingo.
A aposta na recuperação
Para o GP de São Paulo, Verstappen quer aproveitar o motor novo para ganhar posições, mas fala com cautela. “Você nunca sabe. Às vezes, de repente, você consegue ser muito rápido em determinado circuito e tudo se encaixa. Mas, até agora, as coisas estão indo razoavelmente bem, então espero que consigamos avançar algumas posições.”
O histórico em Interlagos ajuda a alimentar a expectativa. Em 2024, depois de uma classificação caótica na chuva, Verstappen foi punido por trocar o câmbio, largou em 17º e venceu a corrida. O chefe da Red Bull, Laurent Mekies, reconheceu que o piloto conhece bem a posição de largada no fim do grid depois dos últimos dois anos e disse ter certeza de que ele fará mais um milagre.

Verstappen não é o único afetado pelas trocas de componentes. Lewis Hamilton e Charles Leclerc perderão dez posições cada, e George Russell perderá cinco, por troca de elementos da unidade de potência. Isso reorganiza a ordem de largada e pode favorecer quem ficou à frente.

