Tragédia na Venezuela une rivais do futebol feminino em corrente de solidariedade

Day Rodríguez e Melanie Chirinus protagonizam mobilização que ultrapassa a rivalidade entre Corinthians e Palmeiras

Foto: Arquivo/Pessoal

O último dia 24 de junho, feriado na Venezuela em homenagem à Batalha de Carabobo, uma das principais ações militares pela independência do país, foi marcado por uma tragédia. Dois terremotos em sequência, um de magnitude 7,2 e outro de 7,5, provocaram uma destruição de grandes proporções em todo o território venezuelano.

Os impactos foram tão intensos que os tremores sentidos na região Norte do Brasil, no mesmo dia e horário. Além da destruição, o desastre deixou centenas de feridos e desaparecidos. Em meio às buscas, a Federação Venezuelana de Futebol (FVF) e clubes femininos, como o Adiffem, publicaram notas oficiais e divulgaram fotos de atletas desaparecidas. Enquanto isso, jogadoras venezuelanas que atuam no Brasil utilizam as redes sociais para pedir ajuda e compartilhar informações.

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O futebol feminino brasileiro reúne atletas de diversos países, entre elas várias venezuelanas que se destacam em clubes nacionais. É o caso de Dayana Rodríguez (Corinthians), Kika Moreno (Grêmio), Melanie Chirinus (Palmeiras) e Gellinot Reyes (Palmeiras). Do outro lado, o técnico brasileiro Ricardo Belli comanda a seleção feminina da Venezuela.

Day, meio-campista das Brabas do Timão, tem utilizado suas redes sociais para ajudar nas buscas. Em um gesto de solidariedade, compartilhou informações sobre a situação da família da palestrina Melanie Chirinus, mostrando que o clássico, o famoso derby, também pode ser disputado fora das quatro linhas, em nome da solidariedade. Na publicação, Day informa que a mãe e a irmã da companheira de seleção estão hospitalizadas.

Melanie Chirinus de 18 anos, atua no time Sub-20 do Palmeiras e na seleção da Venezuela. Com o desastre, sua família perdeu a casa onde morava. A atleta passou horas sem conseguir contato com os familiares e afirmou ter recebido uma “segunda chance”, como escreveu em uma publicação nas redes sociais.

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“Hoje Deus não deu apenas uma segunda chance para minha mãe e irmã, mas também para mim, porque vocês são o sentido da minha vida. É verdade que perdemos tudo o que é material, nossa casa, tudo pelo qual você trabalhou tantos anos mãe, mas hoje você filha de 18 anos fará de tudo para retribuir, porque cada batida do meu coração é por vocês duas”.

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Donos e dirigentes de clubes também têm se manifestado nas redes sociais para ajudar nas buscas por suas atletas. A maioria publica fotos e características das jogadoras na tentativa de localizá-las. Além disso, prestam apoio às atletas que atuam fora da Venezuela, mas têm familiares no país.

“Gostaria que vocês compartilhassem uma mensagem de solidariedade às jogadoras venezuelanas que estão no Brasil. É sempre importante oferecer apoio quando se está longe de casa e da família. Assim como essa história, certamente existem muitas outras”, disse Da Rocha, CEO do Adiffem, ao portal Lance!, sobre a situação de Melanie.

A FVF também publicou uma nota de pesar pela morte da ex-jogadora da Academia Puerto Cabello, Yordelis Pereira, uma das vítimas fatais dos terremotos. Segundo o governo da Venezuela, já são 589 mortos, mais de 2,9 mil feridos e, até a publicação desta matéria, a atleta Mainell Rondón, de 12 anos, seguia desaparecida.