A Federação Cearense de Futebol publicou em seu site oficial, a notícia de que o Conselho Técnico do Campeonato Cearense Feminino estaria previsto para essa quarta-feira (23). A reunião, com horário marcado para às 15h (horário de Brasília), de forma online, foi responsável por definir assuntos referentes a maior competição regional feminina do Ceará, mas o principal destaque sobre isso, aconteceu antes mesmo de serem ajustados os principais detalhes, já que apenas seis clubes estão inscritos neste Campeonato.
Ceará, R4, The Blessed, São Gonçalo, Hiroos e Maracanã são as equipes que irão disputar a taça do Cearense Feminino de 2026. Um número baixo e que liga um sinal de alerta para a fomentação do futebol feminino no estado. Vale destacar a ausência das Leoas do Fortaleza, acontece que desde o rebaixamento da equipe masculina para a série B do Campeonato Brasileiro, a modalidade feminina da instituição se encontra desativada.
A profissionalização do futebol feminino cearense realmente existe?
Ao falar de futebol feminino, é completamente normal que uma ligação entre a modalidade e o Sudeste brasileiro seja feita, já que lá estão situados projetos que resguardam a modalidade no país. Corinthians, São Paulo e Ferroviária são exemplos claros disso. Por outro lado, o Nordeste vive uma grande fase com o Bahia, a primeira equipe feminina da região a disputar uma semifinal de Brasileirão Feminino. Mas nem sempre foi assim: houve um processo de desenvolvimento. O Bahia, além de revolucionário, deixa um questionamento silencioso para os nordestinos vizinhos sobre valorização e respeito ao futebol de mulheres.
Do Fortaleza, que encerrou as atividades da modalidade com a justificativa de cortes de gastos, em plena conquista do acesso à primeira divisão do Brasileirão Feminino, ao Ceará, que não possui um planejamento coerente e perde atletas promissoras por diversos motivos, é notória uma falsa esperança de profissionalização. É importante destacar também a separação das diretorias entre as modalidades e como, muitas vezes, apesar dos grandes esforços, é necessário esperar um respaldo maior de instâncias superiores dentro das instituições.
O único estado do Nordeste que receberá o Brasil na Copa do Mundo de 2027
Ao analisar a atmosfera formada durante a última Data Fifa, quando a Seleção Brasileira Feminina foi recebida na Arena Castelão, em Fortaleza, algumas teorias são descartadas. O que, de fato, ajuda a explicar a baixa adesão de times, torcidas e profissionais de imprensa em torno do futebol feminino no Ceará é a falta de investimento e infraestrutura. O Campeonato Cearense Feminino deve ser tratado com mais seriedade por parte de todas as entidades envolvidas, incluindo a FCF.

O estado do Ceará, que chegou a disputar entre os representantes interessados em receber a abertura da Copa do Mundo Feminina de 2027, não tem, em 2026, a possibilidade de ao menos vivenciar um clássico entre as principais equipes de sua capital em seu campeonato regional. A expectativa fica, mais uma vez, focada no que este grande evento, no ano que vem, pode deixar para o estado, como a consciência de um crescimento responsável da modalidade.

