A poucos dias do início da Copa do Mundo, o Terra FC prepara uma mobilização global para tentar quebrar um recorde mundial e entrar no Guinness World Records: reunir o maior número de pessoas fazendo embaixadinhas por 10 segundos ao mesmo tempo. A ação acontece em 6 de junho, a partir das 13h30, como parte da campanha que alerta para os riscos da crise climática para o esporte e o planeta. A mobilização será realizada no Brasil, nos três países-sede do Mundial (Estados Unidos, México e Canadá), além de Reino Unido, Irlanda e Ilhas Faroé.
No Brasil, o Grêmio irá receber a tentativa em Porto Alegre, enquanto o Vasco será um dos palcos no Rio de Janeiro, que ainda conta com desafiantes no Piscinão de Ramos. O Parque do Ibirapuera, em São Paulo, também será um dos anfitriões.
O movimento acontece em um momento em que os impactos da crise climática sobre o futebol ganham ainda mais evidência. Segundo o World Weather Attribution, do Imperial College London, um quarto das partidas da Copa do Mundo de 2026 deve acontecer sob calor intenso – com índices iguais ou superiores a 26°C na escala WBGT, utilizada internacionalmente para medir o impacto combinado entre calor, umidade e radiação solar sobre o corpo humano. A lista inclui a partida entre Brasil e Escócia, marcada para o dia 24 de junho, em Miami (EUA).
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Além disso, a edição de 2026 deve ser a maior e mais poluente da história, com estimativa de cerca de 9 milhões de toneladas de CO₂e — quase o dobro da média das últimas quatro Copas. Para o Terra FC, esse cenário mostra que o futebol não está fora da crise climática: está no meio dela e, por isso, precisa fazer parte da solução.
“A tentativa de recorde é uma forma de chamar atenção para um tema que impacta diretamente o esporte que mais amamos. O calor extremo, a pausa para hidratação e o adiamento de partidas por tempestades mostram que a crise climática já chegou ao futebol. O que queremos é usar a força dessa cultura para envolver clubes, torcedores e comunidades na proteção do futuro do jogo”, afirma Laura Moraes, diretora de campanhas do Terra FC.
A tentativa de quebra de recorde reunirá participantes em 49 locais, distribuídos em 38 cidades de sete diferentes países. O país com mais sedes é os Estados Unidos, onde haverá ativações em Atlanta, Aurora, Boston, Cambridge, Chicago, Dallas, Grand Rapids, Houston, Los Angeles, Miami, Montgomery County, New York State, North Carolina, Ohio, Oklahoma, Pennsylvania, Sacramento, San Diego, Seattle, St. Louis, Tucson e Utah Valley, além de duas sedes nas cidades de New Jersey, Philadelphia e Salt Lake City.
No México, participam Guadalajara e Cidade do México, cada uma com duas sedes. No Canadá, Montreal terá duas ativações. No Reino Unido, a mobilização ocorrerá em Basingstoke, Leicester, Marlow, Newcastle e Londres, que conta com três sedes. Também haverá ações em Limerick, na Irlanda, e em Tórshavn, nas Ilhas Faroé.
No Brasil, em parceria com as prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo, uma muda de árvore será doada e plantada para cada participante envolvido nas ativações realizadas nas duas cidades.
“Queremos deixar um legado local de longo prazo para quem ajudou a quebrar o recorde e chamar a atenção para os impactos do clima, que atingem toda a sociedade, incluindo o futebol”, diz Moraes.
Futebol no centro da crise climática
O impacto do aumento das temperaturas no futebol não se limita à Copa do Mundo 2026. No Brasil, um estudo encomendado pelo Terra FC e conduzido pela consultoria ERM em 2025, mostrou que 78% dos clubes das Séries A, B e C estão em municípios com alto risco de eventos climáticos severos até 2040. O relatório apontou ainda que todos estes clubes enfrentam pelo menos um risco médio de inundações extremas, incêndios, secas e/ou ondas de calor.
Durante o Campeonato Paraense deste ano, o Terra FC promoveu a Parada pelo Clima, em parceria com a Federação Paraense de Futebol (FPF). A pausa para hidratação dos jogadores, reflexo do aumento de temperatura global, se tornou também um espaço de educação ambiental.
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Com uma tema diferente em cada uma das 10 rodadas (seis da primeira fase, uma das quartas, uma da semi e duas da final), a iniciativa exibiu vídeos nos telões, mensagens de locução nos estádios e pelos narradores na TV e internet, além de faixas em campo. Todas as 12 equipes do torneio participaram do projeto.

