Demissão de Filipe Luís reafirma padrão recente do Flamengo no comando técnico

Clube acumula mudanças no século mesmo em períodos de conquistas expressivas

Foto: Divulgação/Flamengo

A goleada por 8 a 0 sobre o Madureira colocou o Flamengo na final do Campeonato Carioca. Horas depois, o clube anunciou a demissão de Filipe Luís. A decisão foi comunicada na madrugada desta terça-feira (3), encerrando um trabalho que, em números, era forte.

Filipe deixa o cargo após 101 jogos, com 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas. São cinco títulos no período: Copa do Brasil 2024, Supercopa 2025, Campeonato Carioca 2025, Libertadores 2025 e Brasileirão 2025. Com isso, tornou-se o segundo técnico mais vitorioso da história do clube, ao lado de Jorge Jesus e Flávio Costa. Ainda assim, a pressão após a derrota para o Lanús, pela Recopa Sul-Americana, foi determinante. Entretanto, essa não é a primeira vez que resultados expressivos não garantem permanência no Flamengo.

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O efeito Jorge Jesus

A passagem de Jorge Jesus virou referência interna e externa. Entre junho de 2019 e julho de 2020, o treinador teve 81% de aproveitamento e conquistou a Libertadores de 2019, encerrando um jejum de 38 anos na competição. Também venceu o Brasileiro de 2019, Supercopa do Brasil de 2020, Taça Guanabara de 2020, Recopa Sul-Americana de 2020 e o Carioca de 2020.

O desempenho em alta intensidade marcou o torcedor. Desde então, o nome do português volta à pauta em momentos de crise. O motivo? O parâmetro ficou alto. Após a saída de JJ, o Rubro-Negro acumulou trocas no comando. E nem títulos salvaram os treinadores.

Maurício Souza assumiu de forma interina até a chegada de Domènec Torrent. O espanhol permaneceu por 23 jogos e, apesar de um aproveitamento de 62%, não resistiu. Na sequência, o clube voltou a recorrer a soluções provisórias até a escolha de Rogério Ceni. Com ele, vieram títulos: Campeonato Brasileiro de 2020, Supercopa do Brasil de 2021, Taça Guanabara de 2021 e Campeonato Carioca de 2021. Ainda assim, o desgaste interno encurtou o caminho.

Após a saída de Ceni, Renato Portaluppi assumiu e comandou o time por 37 partidas, com 71% de aproveitamento. As derrotas em decisões interromperam o trabalho. O Flamengo voltou, então, ao modelo interino com Maurício Souza, antes de apostar em Paulo Sousa. A passagem do português foi breve e terminou após derrota para o RB Bragantino.

O ano de 2022 ainda teve Fábio Matias e Lucas Silvestre de forma provisória, até a chegada de Dorival Júnior. Dorival conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores daquele ano, mas também não permaneceu para a temporada seguinte.

Em 2023, o roteiro se repetiu. Mario Jorge assumiu interinamente até a contratação de Vítor Pereira, que ficou apenas 18 jogos. Logo depois, Jorge Sampaoli chegou ao clube e permaneceu por 39 partidas, em uma passagem marcada por turbulência interna, incluindo episódio envolvendo integrante da comissão técnica e o atacante Pedro.

Na sequência, Tite assumiu o comando entre 2023 e 2024. Conquistou a Taça Guanabara e o Campeonato Carioca de 2024, mas deixou o clube após eliminação na Libertadores e queda de rendimento no Brasileirão. Matheus Bacchi dirigiu o time de forma interina até a chegada de Filipe Luís.

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Padrão repetido no século

Desde 2001, o Flamengo registra 38 trocas de treinadores no século 21. É o segundo clube com mais mudanças no período, atrás apenas do Vasco, que soma 40. No recorte geral, o Rubro-Negro aparece com 55 mudanças no século.

Os números colocam o clube entre os que mais alteram o comando técnico no país, mesmo com elenco forte e conquistas recentes.

A saída de Filipe Luís aumenta a sequência de trocas e mantém uma dúvida que atravessa este século no clube. No Flamengo, ganhar é obrigação, mas permanecer no cargo é exceção.