Empate com Palmeiras mantém Grêmio no Z-4 na estreia de Renato Gaúcho

Grêmio vai para Data FIFA no Z4, mas usará parada para ajustes; Palmeiras pode ver o Flamengo abrir distância na liderança

Weverton foi o grande destaque do empate entre Grêmio e Palmeiras e evitou a vitória do ex-clube. Foto: Lucas Uebel / Grêmio

Na manhã deste domingo (20), Grêmio e Palmeiras ficaram no empate sem gols na Arena do Grêmio, em partida válida pela 28ª rodada do Brasileirão. O resultado marcou a reestreia de Renato Gaúcho no comando do Tricolor, na sua quinta passagem pelo clube e levou cerca de 50.694 torcedores ao estádio.

Weverton garante o zero no marcador

Renato Gaúcho optou por uma postura mais cautelosa logo em sua estreia, cedendo a iniciativa ao Palmeiras, fechando os espaços na defesa e priorizando os contra-ataques e as brechas deixadas pelo adversário. Essa escolha deu ao Palmeiras maior presença no campo ofensivo ao longo da partida.

Do lado ofensivo, o Grêmio teve menos volume de jogo e buscou acelerar pelas pontas com Amuzu e Villasanti nos momentos de recuperação de bola, chegando perto do gol ainda no primeiro tempo, parado pela defesa e pelo travessão. Mas o nome da tarde tricolor foi o goleiro Weverton: ele teve atuação decisiva para manter o placar zerado, com destaque em cabeçadas de Gustavo Gómez e Vitor Roque e em finalizações de Andreas Pereira e Maurício, este já nos acréscimos. Com o ponto somado, o Grêmio chegou aos 29 pontos, mas segue dentro da zona de rebaixamento, agora na 17ª posição.

O momento de Grêmio e Palmeiras

O Palmeiras chegou embalado por uma classificação emocionante à semifinal da Libertadores decidida nos pênaltis contra a LDU, mas amargava dois empates seguidos fora de casa no Brasileirão e via a liderança escapar após tropeços contra Mirassol e Botafogo. Para piorar, o time chegou desfalcado: Abel Ferreira cumpria suspensão pelo segundo jogo consecutivo e não podia comandar a equipe do banco, enquanto Murilo, suspenso por acúmulo de cartões contra o São Paulo, também ficou de fora. Ainda assim, o time alviverde impôs volume de jogo e criou as chances mais claras, esbarrando na atuação de Weverton.

No Grêmio o retrato é de um time em reconstrução. Antes da chegada de Renato, a equipe vinha de derrota por 3 a 2 para o Botafogo e havia demitido Luís Castro na sequência, numa temporada em que já soma três derrotas seguidas e 38 gols sofridos em 27 rodadas, média de 1,4 gol por partida, evidenciando um problema defensivo estrutural que antecede o novo técnico. No ataque, a referência segue sendo Carlos Vinícius: ele é responsável por dez dos trinta gols do Grêmio na Série A 2026, praticamente um terço da produção ofensiva do time, dependência que precisa ser resolvida se o time quiser se manter na elite.

A volta de Renato Gaúcho: o “bombeiro” de sempre

Não é a primeira vez que o Grêmio recorre a Renato Portaluppi quando a casa pega fogo. Esta é oficialmente sua quinta passagem à frente do clube, e o padrão se repete: o nome é chamado justamente nos momentos de crise, seja para reconstruir um time rebaixado, seja para conter uma sequência ruim como a atual. A troca de comissão técnica na véspera do jogo contra o Palmeiras, com a equipe em 16º lugar, a poucos pontos do Z-4, é o tipo de movimento que costuma gerar alívio emocional imediato, mas também risco de desorganização tática.

Curiosamente, a data escolhida para a reestreia carrega simbolismo: nas três vezes em que Renato dirigiu o Grêmio exatamente em 20 de setembro, o treinador nunca perdeu, registrando duas vitórias e um empate, sequência agora estendida a quatro. Na entrevista de apresentação, o técnico já deixou claro o tom de campanha salvadora: ele pediu apoio da torcida e afirmou que é proibido vaiar os jogadores a partir daquele domingo, argumentando que a equipe precisa de energia positiva para reagir na reta final da competição.

Renato também trouxe uma conta particular para a fuga do rebaixamento: com 28 pontos e restando 11 rodadas, ele calcula que cinco vitórias, 15 pontos a mais, totalizando 43, seriam suficientes para a permanência, citando o histórico de que nenhum clube com 12 vitórias em pontos corridos caiu para a Série B. É uma conta otimista, mas vale lembrar que o próprio Grêmio caiu para a Série B em 2021 com exatamente 12 vitórias, assim como Coritiba (2009) e Portuguesa (2013), ou seja, o número não é garantia matemática, apenas uma referência favorável.

O que o Grêmio precisa fazer e como aproveitar a Data Fifa

Com o time agora dentro do Z-4, a urgência é dupla: corrigir o que está errado e fazer isso rápido, já que o calendário não dá margem pra erro. O primeiro ponto central é resolver o problema defensivo antes do ofensivo: uma média de 1,4 gol sofrido por jogo em 27 rodadas não se resolve só com a chegada de um novo treinador, exige trabalho de reorganização coletiva, algo que Renato já sinalizou como prioridade ao colocar o condicionamento físico do elenco no centro da preparação, depois de identificar, junto à comissão técnica, uma sequência preocupante de lesões musculares em jogadores importantes.

Ao mesmo tempo, o time precisa reduzir a dependência de Carlos Vinícius, um time que produz um terço dos seus gols em um único jogador fica vulnerável a suspensões, lesões ou marcação especial, e ativar outras peças ofensivas, como Amuzu, Villasanti e Jovane Cabral, é tarefa que passa justamente pelos treinos da Data Fifa.

É aí que entra o ponto mais concreto: o próximo compromisso do Grêmio só será no dia 7 de outubro, contra o Remo em Belém, o que dá a Renato praticamente duas semanas cheias para corrigir os erros vistos na estreia. É tempo raro em meio a uma temporada apertada, e o próprio treinador já decidiu não desperdiçá-lo, reduzindo de cinco para três dias a folga do elenco durante a pausa, decisão tomada em conjunto com os jogadores, justamente por ter assumido o cargo há poucos dias e enxergar ali o primeiro período de trabalho mais longo desde que chegou.

Junto com o fator torcida: o público recorde na reestreia mostra que a Arena ainda responde, e repetir bons números nos próximos jogos em casa, somado ao apelo “antivaia” de Renato, pode ser o tipo de fator psicológico que muda o rendimento de um elenco pressionado.

Em resumo, o empate sem gols não tira o Grêmio do sufoco, mas mostrou uma equipe mais organizada e competitiva do que a de Luís Castro. A Data Fifa chega em bom momento, não para descansar, mas para organização do elenco. Se Renato conseguir usar essas duas semanas para arrumar a defesa e destravar o ataque além de Carlos Vinícius, a chance de recuperação começa agora. Se não, o discurso da “conta das cinco vitórias” pode virar só mais uma estatística contra o clube.

Grêmio terá que aproveitar pausa para Data Fifa para ajustes. Foto: Lucas Uebel / Grêmio