Quando Rogério Ceni chegou ao Bahia, em setembro de 2023, o cenário era bem diferente do atual. O time brigava para escapar do rebaixamento e a prioridade era simples: sobreviver na Série A. Quase três anos depois, a conversa mudou. Hoje, o Bahia olha para cima. A expectativa não é mais apenas permanecer na elite, mas disputar Libertadores, conquistar títulos e se aproximar cada vez mais dos principais times do país. E essa mudança de cobrança talvez seja uma das maiores provas de que o trabalho de Ceni funcionou.
O crescimento aconteceu aos poucos. Em 2023, o Bahia escapou do rebaixamento na última rodada. No ano seguinte, terminou o Brasileirão em oitavo e voltou à Libertadores depois de mais de três décadas. Em 2025, vieram o Campeonato Baiano e a Copa do Nordeste, além de uma campanha ainda mais consistente na Série A. Em 2026, o clube voltou a conquistar o estadual.
Projeto do Bahia cresceu, mas ainda carece de afirmação com Ceni
O Bahia de hoje é mais competitivo, mais estruturado e mais acostumado a olhar para a parte de cima da tabela, mas é justamente aí que aparece uma nova pergunta. Ceni já ajudou o Bahia a sair de um patamar. Agora, é ele quem consegue levar o clube ao próximo?
A cobrança mudou porque o Bahia mudou. É difícil analisar o momento atual do Bahia com a mesma régua de 2023.
Naquela época, escapar do rebaixamento já seria um resultado importante. Depois, chegar à Libertadores virou um grande passo. Os títulos regionais reforçaram a sensação de evolução.
Só que o projeto cresceu. Com o investimento do Grupo City, um elenco cada vez mais forte e quase três anos de trabalho, a expectativa naturalmente aumentou. O Bahia passou a ser cobrado não apenas por competir bem, mas por transformar essa evolução em algo maior.
Esse é o desafio atual.
Bahia de Ceni chega pressionado ao BaVi

Ganhar o Baiano continua tendo peso. Vencer a Copa do Nordeste também. Mas, para um projeto que pretende colocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro, chega um momento em que a régua sobe. E talvez o Bahia esteja exatamente nesse ponto.
Cinco jogos sem vencer não apagam o trabalho. O Ba-Vi deste domingo (23) chega em meio a uma sequência de cinco jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro. É um momento que incomoda e que naturalmente aumenta a pressão. Ainda mais antes de um clássico.
Mas seria exagero usar apenas essa sequência para dizer que o trabalho de Ceni chegou ao limite. Ao mesmo tempo, também seria confortável demais olhar apenas para os títulos e ignorar que o próprio clube criou expectativas maiores.
O Bahia não vive a mesma realidade de três anos atrás. Antes, cada passo adiante era visto como evolução. Agora, existe a expectativa de dar um salto. É isso que torna a discussão mais interessante.
O problema não é que o Bahia tenha parado de crescer. A dúvida é se o ritmo dessa evolução ainda acompanha o tamanho da ambição do projeto. O desafio agora é superar a própria régua.
A prova de ouro
Existe algo curioso no momento de Rogério Ceni. Boa parte da pressão que existe hoje também é consequência do que ele construiu. O treinador ajudou a transformar um time que brigava contra o rebaixamento em uma equipe que se acostumou a disputar posições mais altas e a jogar competições importantes.
Por isso, cinco jogos sem vitória incomodam mais hoje do que incomodariam em 2023. A expectativa mudou. O Ba-Vi não vai responder sozinho se Ceni é ou não o treinador capaz de conduzir o Bahia ao próximo nível. Uma vitória não resolveria tudo e uma derrota também não apagaria o que foi construído.
Mas o clássico aparece em um momento simbólico. Ceni já mostrou que consegue fazer o Bahia crescer. Agora, talvez o maior desafio seja provar que ainda existe espaço para crescer com ele.

