Há quase 88 anos, o Brasil caía de cabeça erguida naquela que seria, até então, sua melhor campanha em Copas do Mundo. A chegada às semifinais representou uma participação melhor para a Seleção Brasileira do que a estreia em 1930 e a queda na primeira rodada em 1934. Entretanto, a maior potência do futebol mundial não conseguia mostrar o que viria a ser. Pelo menos não ainda.
Bem-vindo ao Recopando, a série onde recordamos as participações da Seleção Brasileira em Copas do Mundo até os dias atuais, pra te colocar à par da busca pelo hexa em 2026. Leia as demais matérias clicando aqui.
Depois de chegar às semifinais passando pela Tchecoslováquia, o Brasil enfrentou a Itália no domingo, 16 de julho, em Marselha, na França. Derrotados por 2 a 1, o escrete canarinho contou com a ausência de seu maior craque até então, Leônidas. O time dos precursores da canário até marcou com Romeu; mas não impediria o resultado construído por Colaussi e Giuseppe Meazza.
Diante de um público com 33 mil pessoas, a terceira participação do Brasil em Copas do Mundo batia recorde de melhor campanha até então no Stade Vélodrome. A euforia dos brasileiros estava nas alturas após a vitória diante da Tchecoslováquia e nada parecia abalar a confiança dos torcedores, nem mesmo a atual campeã do mundo.

Com um primeiro tempo sem gols, toda aquela empolgação do começo da partida ganhava requintes de drama, sofrimento e angústia com um gol não marcado por parte da Seleção Brasileira. A situação tendia a piorar quando Colaussi, aos 10 minutos do segundo tempo, abriu o placar no Stade Vélodrome, atual casa do Olympique de Marseille.
O time, chefiado por Ademar Pimenta, tinha uma missão daí em diante: acalmar os ânimos daquelas chuteiras tão nervosas e voltar novamente para o jogo. Mesmo com as chances criadas pelo Brasil, nada adiantou e a carência da equipe em a relação à Leônidas era evidente.
Giuseppe Meazza, ídolo do Milan e da Inter de Milão, aproveitou o fato de que nada tinha a ver com as tensões brasileiras e foi derrubado por Domingos, em episódio que ficaria conhecido como Domingada pela imprensa da época, após o zagueiro reagir a uma provocação fora do lance.
Com uma chance de ouro nos pés, o ícone italiano marcou aos 15 minutos, ampliando ainda mais o nervosismo no rosto, mente e coração dos brasileiros.
Com o passar do tempo, o Brasil crescia no jogo para tentar empatar, mas só conseguiu descontar os 42 minutos com Romeu. Não foi o suficiente para avançar à final. Apesar da derrota, o esquadrão brasileiro foi muito bem recepcionado pelos torcedores e imprensa da época, exaltando o desempenho diante da seleção que viria sagrar-se bicampeã do mundo.

Artilharia do Brasil nas Copas até 1938
| Jogador | Gols | Edições que jogou |
| Leônidas | 7 | 1934, 1938 |
| Preguinho | 3 | 1930 |
| Moderato | 2 | 1930 |
| Perácio | 2 | 1938 |
| Romeu | 2 | 1938 |
| Roberto | 1 | 1938 |

