Cruzeiro sofre com lentidão, mas conta com Villarreal para vencer Boca Juniors na Libertadores

Partida travada no Mineirão exige paciência da Raposa, que garante três pontos com gol decisivo no segundo tempo

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Cruzeiro e Boca Juniors. Dois gigantes continentais, oito títulos em conjunto. Com todo esse cenário, era de se imaginar um grande jogo. Contudo, não foi bem assim que a partida se desenrolou na noite desta terça-feira (28). Os argentinos vieram para Belo Horizonte e fizeram de tudo para não jogar, catimbando e gastando todo o tempo do mundo.

O Cabuloso chegou a cair na pilha e, mesmo com a expulsão de Bareiro, sofreu muito para aproveitar o fato de ter um jogador a mais. No fim, diante de 59.126 torcedores, a Raposa superou os desafios para vencer por 1 a 0, graças a Villarreal, e garantir três pontos importantes na terceira rodada da Libertadores em pleno Mineirão.

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Feitiço vira contra feitiçeiro?

O Cruzeiro aproveitou o fator casa e, com a energia de sua torcida, correspondeu, tendo mais volume de jogo e buscando mais os lados de campo. No entanto, era um pouco lento nas transições, algo que facilitava a recuperação do Boca. A equipe argentina passou a catimbar o duelo cedo. Além disso, os comandados de Claudio Úbeda subiram a linha de marcação, tentando dificultar a saída de bola da Raposa. Dependendo do momento, Gerson e Lucas Romero atuavam ao lado dos zagueiros para ajudar na construção de jogadas, mas os espaços deixados pelos companheiros complicavam as subidas para o ataque.

Com o tempo, o jogo travado dificultou o desenvolvimento. Quando não eram as faltas que impediam o andamento, os Xeneizes aproveitavam o fato de estarem na liderança para gastar o máximo de tempo possível quando tinham a oportunidade e sabiam fechar os espaços, sendo orquestrados por Paredes, que usava toda sua experiência para orientar o time nas jogadas.

Esse roteiro de não querer jogar fez os atletas do Cruzeiro caírem na pilha, ficando nervosos nas jogadas. Contudo, o feitiço virou contra o feiticeiro. Bareiro tentou fazer uma proteção e acabou acertando o rosto de Christian. O árbitro Esteban Ostojich deu o segundo amarelo e expulsou o jogador, que deu trabalho até para sair de campo.

Cruzeiro teve dificuldades de chegar bem ao ataque (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Jogo lento, mas Cruzeiro é recompensado pela insistência

Artur Jorge resolveu mudar o Cruzeiro para o segundo tempo. O português tirou o amarelado Fagner para colocar o jovem Kauã Moraes. Se você, caro leitor, pensou que o dinamismo do jogo iria melhorar, se enganou. Mesmo com um a mais, a Raposa era lenta e não tinha intensidade para atacar e, ao invés de buscar o ataque, parava para trocar passes com a defesa. Os visitantes, por sua vez, gostavam da falta de ímpeto e seguiam no seu estilo: catimba e fechar os espaços.

Observando que os donos da casa tinham dificuldades de aproveitar o fato de ter um a mais, Úbeda fechou mais o Boca, colocando um zagueiro (Figal) na vaga de um meia ofensivo (Aranda), além de deixar Zeballos para segurar a bola no ataque. Com isso, os azul y oro formavam uma linha de cinco e, dependendo de como o Cruzeiro aparecia no ataque, chegavam a seis. A equipe estrelada passou a alugar mais o campo de ataque, apostando em Fabrício Bruno nas bolas paradas e em Arroyo, que foi o responsável pelas principais finalizações e, por muito pouco, não marcou um golaço ao tentar encobrir o goleiro de fora da área. Mas a redonda tirou tinta da trave.

Ainda assim, o tempo ia beneficiando cada vez mais o Boca Juniors. Mesmo deixando o Cabuloso mais ofensivo, Artur Jorge não conseguiu “fazer o time jogar”. Seguia lento nas tomadas de decisão, demorando muito para trocar passes. A melhor oportunidade de todo o jogo, e curiosamente a única no alvo, ocorreu apenas aos 80′. Kaio Jorge buscou o canto e parou em Brey. Três minutos depois, o goleiro nada pôde fazer. O camisa 19 aproveitou a enfiada de Matheus Pereira e rolou para Villarreal inaugurar o marcador e explodir o Gigante da Pampulha.

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Villarreal saiu do banco para garantir a vitória estrelada (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Olho na tabela

Com o resultado, o Cruzeiro iguala os mesmos seis pontos do Boca Juniors. No entanto, a Raposa aparece na segunda posição, enquanto os argentinos lideram o grupo D, devido ao saldo de gols.

O que vem por aí

Na próxima rodada da competição, os Xeneizes irão encarar o Barcelona de Guayaquil, na próxima terça-feira (5), às 21h (de Brasília), no Monumental. No dia seguinte, o Cabuloso medirá forças contra a Universidad Católica, às 23h (de Brasília), na Claro Arena.