Seleção Feminina comete erros e cede empate para Argentina

Bia Zaneratto e Gio marcaram para a equipe brasileira, que sofreu a reação argentina e não aproveitou a vantagem numérica após expulsão

Foto: Luciana Vermell/CBF

O empate teve sabores distintos na Arena Pernambuco. Na noite desta terça-feira (13), Brasil e Argentina ficaram no 2 a 2, pela segunda vez na história do confronto entre as seleções. Se, para a Albiceleste, o resultado teve gosto de vitória, para as Mulheres deste Solo fica um sinal de alerta após uma partida que expôs questões a serem corrigidas.

A Seleção Brasileira chegou a abrir dois gols de vantagem, com Bia Zaneratto e Gio, mas não conseguiu sustentar o controle da partida. A Argentina aproveitou os espaços cedidos e reagiu, evidenciando as dificuldades brasileiras na recomposição defensiva. Porém, o confronto também serviu para testar opções, em meio à preparação para os desafios que vêm pela frente.

Brasil começa bem, mas desmorona com o tempo

Com a volta de Arthur Elias à beira do gramado, a Seleção Feminina teve nove modificações em relação ao primeiro duelo contra a Albiceleste. Com as mudanças, as Mulheres deste Solo começaram errando passes, mas conseguiam recuperar a bola graças à superioridade técnica em relação às adversárias. Kaylane era peça-chave na saída de bola, ligando a defesa ao ataque, com o auxílio de Kerolin. O time apostava nas beiradas do campo para construir as jogadas e ameaçar o gol defendido por Esponda.

No entanto, deixou a Argentina ganhar terreno. Apostando em sua estratégia, o Brasil tratou logo de inaugurar o placar. Raíssa Bahia deu belo cruzamento para Bia Zaneratto balançar as redes de cabeça. A vantagem no marcador poderia trazer tranquilidade e abrir caminho para uma possível goleada. Poderia. A equipe verde e amarela passou a ter dificuldades para encontrar espaços e fazer as transições. A lateral Isabela apareceu bastante na construção das jogadas pelo lado direito. Se estava complicado encontrar espaços para trabalhar as jogadas, a solução veio na individualidade. Gio, que pouco havia aparecido, aproveitou o bate e rebate orquestrado por Priscila e ampliou a vantagem. De quebra, encerrou seu jejum de gols pela Amarelinha, que durava desde a semifinal da Copa América, contra o Uruguai.

Aos 34, a Argentina diminuiu a diferença e mostrou como fazer jogadas por dentro, algo que faltou muito ao Brasil. Holzheier fez boa jogada e encontrou Bonsegundo, que girou com categoria na entrada da área e abriu para Falfán marcar. A Albiceleste ainda tentou aproveitar a frágil marcação brasileira. Quando adiantava demais suas linhas, o time tinha dificuldades para correr para trás e recompor a defesa. Nesse cenário, Tarciane ficava responsável por fazer os cortes.

Expulsão por agressão e alerta ligado

A Seleção Feminina voltou do intervalo com os mesmos problemas e ainda sofreu alguns apagões. Nem os ajustes táticos e a retomada das triangulações pelos lados surtiram efeito para “acordar” a equipe. O Brasil seguia com dificuldades na marcação, e as argentinas aproveitavam os espaços para atormentar a defesa. A dificuldade de recomposição, já percebida na primeira etapa, voltou a pesar. Tudo isso custou caro: pênalti.

Lembra da dificuldade de correr para trás, citada anteriormente? Foi justamente o que aconteceu no lance do pênalti, quando Tarciane saiu errado. Isabela tentou acompanhar Holzheier, que invadiu a área em velocidade e acabou sendo derrubada pela lateral. Na cobrança, Bonsegundo foi perfeita ao mandar uma bomba no alto, sem chances para a goleira.

Com uma Argentina mais perigosa quando chegava ao ataque, o confronto acabou mudando completamente o ritmo. Aos 13, Sofía Domínguez foi expulsa por puxar o cabelo de Kerolin. Vermelho direto por agressão. Com uma a mais, o Brasil teve mais espaços, contudo, mantinha todas as diculdades apresentadas. Aos poucos, foi se encontrando, tentando tirar os espaços das adversários e voltar a criar perigo.

Tanto que Arthur Elias fez dez substituições durante a segunda etapa, em todos os setores do campo. Olhando por um lado, foi bom poder testar quase todas as jogadoras nesta Data Fifa, com exceção de Yanne. Amistosos precisam ser aproveitados para isso, mas também acendem um alerta que persiste há algum tempo: a Seleção ainda sofre defensivamente em alguns momentos e apresenta certos desligamentos. Erros que precisam ser corrigidos visando à Copa do Mundo.

Ainda tem jogo em 2026

A Seleção Feminina terá mais dois compromissos em 2026 na terra do sol nascente. As Mulheres deste Solo enfrentarão o Japão em duas oportunidades: 29 de novembro, em Hiroshima, e 5 de dezembro, em Okayama.