Max Verstappen encerrou o jejum de pole na classificação do GP do Bahrein, disputada neste sábado (3) no circuito de Sepang, na Malásia, o piloto da Red Bull marcou 1min35s130 e garantiu a primeira pole position da temporada 2026 da Fórmula 1, a 49ª da carreira. O resultado também quebra uma sequência: foi a primeira vez no ano que um carro sem motor Mercedes conquistou a posição de honra.

Lewis Hamilton ficou com o segundo lugar, a 0s298 do holandês, e dividirá a primeira fila com ele. É a primeira vez desde 2021 que Verstappen e Hamilton largam nessa ordem, com o holandês na frente, o que reacende uma das maiores rivalidades da história recente da categoria. O grid de frente reúne 11 títulos mundiais, quatro de Verstappen e sete de Hamilton. Charles Leclerc, da Ferrari, larga em quarto, o que dá à equipe de Maranello dois carros entre os quatro primeiros e confirma um fim de semana de ritmo forte.
Isack Hadjar, companheiro de Verstappen, marcou o terceiro melhor tempo em pista, mas foi punido e cairá para a oitava posição, o que beneficiou quem vinha logo atrás. Com a punição, Kimi Antonelli sobe para terceiro, Lando Norris (5º) e Oscar Piastri (6º), da McLaren, ganham uma posição, e George Russell passa a ser o sétimo no grid.
Para Verstappen, a pole tem sabor de recuperação: “Me senti bem, me senti confiante e espero que possamos mostrar isso de novo amanhã”, disse o tetracampeão, que liderou todas as parciais da classificação e ainda melhorou o próprio tempo na última volta. Já Hamilton, em fase irregular de resultados na Ferrari, comemorou o segundo lugar pelo rádio: “Vamos lá, pessoal, vamos lá. Finalmente”.

Mercedes fica abaixo do esperado
Quem saiu de Sepang com mais perguntas do que respostas foi a Mercedes. A equipe, que domina o campeonato e lidera a tabela com Antonelli, levou para a Malásia um pacote aerodinâmico importante, com novas laterais e assoalho, com expectativa de que o carro ficasse ainda mais forte. Na prática, o fim de semana foi de dificuldade desde o começo: na sexta-feira, Russell e Antonelli terminaram o segundo treino apenas em sétimo e oitavo, sem conseguir voltas limpas e representativas com pneu macio, e a própria equipe classificou o dia como um dos mais duros da temporada, já que o asfalto abrasivo e o calor extremo castigaram os pneus.
O sábado trouxe uma reação no terceiro treino livre, em que Antonelli foi o mais rápido, mas a melhora não se repetiu quando valeu. Na classificação, o italiano teve uma volta cancelada por exceder os limites de pista na curva 6, chegou a questionar o engenheiro pelo rádio, e acabou o dia a 0s501 de Verstappen, em terceiro apenas por causa da punição de Hadjar. Em pista, ele havia sido o quarto. Russell, vencedor da última etapa, em Baku, foi ainda pior: marcou 1min35s871, a 0s741 do pole, e largará apenas em sétimo, atrás das duas Ferraris e das duas McLarens. É uma posição que destoa de uma equipe que vinha dominando a temporada e que, pela primeira vez no ano, não terá nenhum carro com motor Mercedes na primeira fila.
Bortoleto no limite e no Q3
Gabriel Bortoleto fez uma classificação de nervos de aço e largará em 10º com a Audi, na quinta fila, ao lado de Pierre Gasly (Alpine), nono colocado. O piloto avançou ao Q3 pela quinta vez na temporada, mas a vaga só veio nos instantes finais do Q2. Com Liam Lawson ultrapassando-o na tabela e jogando-o para a zona de eliminação, Bortoleto foi o último a cruzar a linha, sabia exatamente o que precisava e entregou 1min36s814, de longe a melhor volta da Audi no fim de semana, para tirar a vaga do piloto da Racing Bulls. No Q3, marcou 1min37s673 e garantiu o décimo posto.
O resultado confirma uma recuperação da equipe ao longo do fim de semana. Bortoleto havia sido apenas 13º no primeiro treino livre, foi 12º no segundo, sessão em que ainda teve problema de câmbio nos minutos finais, e subiu para o 11º no terceiro treino, antes de ir à classificação. A posição de sábado repete o 10º lugar da abertura do campeonato, na Austrália, e fica um degrau abaixo do melhor grid do brasileiro no ano, o nono lugar no GP da Holanda, em agosto.
Depois da classificação, o brasileiro mostrou satisfação, mas sem euforia. Ele destacou que é “só uma parte” da engrenagem da Audi, agradeceu à equipe e à família e lembrou que a escuderia vinha de uma queda de rendimento nas últimas etapas, da qual ainda não saiu completamente. Bortoleto também alertou que estar no Q3 não torna a corrida mais fácil: segundo ele, a prova deve ser mais difícil do que as do início do ano, já que o carro rende bem nas curvas, mas sofre nas retas.
Quem ficou pelo caminho
No Q1, foram eliminados Nico Hülkenberg (Audi), Oliver Bearman (Haas), Esteban Ocon (Haas), Alexander Albon (Williams), Valtteri Bottas (Cadillac) e Sergio Pérez (Cadillac).
No Q2, caíram Liam Lawson (Racing Bulls), Fernando Alonso (Aston Martin), Carlos Sainz (Williams), Lance Stroll (Aston Martin), Franco Colapinto (Alpine) e Arvid Lindblad (Racing Bulls). Colapinto e Lindblad ainda foram rebaixados para a última fila por troca de componentes do motor, e o argentino carrega também uma perda de cinco posições por um incidente em corrida.
Confira o grid de largada para o GP do Bahrein:

A corrida
O GP do Bahrein, 16ª etapa da temporada, foi transferido para a Malásia por causa do conflito no Oriente Médio e remarcado para outubro. A última vez que a F1 passou por Sepang foi em 2017, quando Verstappen venceu aos 20 anos, e agora ele volta ao circuito largando na frente. Com Verstappen e Hamilton lado a lado na primeira fila, uma Ferrari em ótima forma, a Mercedes pressionada para reagir e o brasileiro Bortoleto brigando por pontos no meio do pelotão, a corrida promete ser boa. A largada será neste domingo (4), às 4h (de Brasília), com transmissão do SporTV, Globoplay e F1TV Pro.

