Às vezes, o caminho mais fácil não é o melhor. A dificuldade pode surgir em uma estrada de pedregulhos, mas o que separa os vencedores dos demais é a forma como encontram a saída. Depois de estrear com uma goleada por 7 a 1 sobre a modesta seleção de Curaçao, a Alemanha teve um desafio bem mais complicado contra a Costa do Marfim neste sábado (20). No BMO Field, em Toronto, a Nationalelf não jogou bem. Mérito dos Elefantes, que souberam fechar os espaços e dificultar a vida da tetracampeã. Mesmo com oportunidades para liquidar a partida, os marfinenses viram a Alemanha virar para 2 a 1 graças a Undav, que mostrou mais uma vez que não pode ser esquecido no banco. Afinal, quando passa despercebido, a equipe germânica costuma ficar aquém do que pode produzir.
Mesmo tendo mais posse de bola, a equipe de Julian Nagelsmann não conseguia chegar com facilidade à meta adversária e, aos poucos, os marfinenses aproveitavam para sair em contra-ataque, especialmente pelo lado esquerdo, justamente onde estava o maestro dos alemães: Kimmich. O lateral era obrigado a voltar para ajudar na defesa e o time precisava contar com outros jogadores para auxiliar na construção das jogadas. Pavlovic e, principalmente, Wirtz, apareciam mais para a armação.
A equipe alemã só conseguia ameaçar quando os jogadores conseguiam encostar e acelerar as trocas de passes. Tanto que conseguiu levar perigo com Musiala e Nmecha. Em uma dessas investidas, ganharam escanteio e quase inauguraram o placar com Pavlovic. No entanto, o atleta do Bayern de Munique cometeu falta em cima do goleiro Fofana.

Demorou 30 minutos e a Costa do Marfim mostrou que soube usar bem sua estratégia. Justamente pelo lado esquerdo, Diomandé passou por Kimmich e colocou na área. Diallo parou em Brown, mas Kessié, que acompanhou toda a jogada, completou no rebote para inaugurar o placar. Os Elefantes eram atentos para desarmar, às vezes bobeavam e davam espaços perigosos para os adversários, que voltaram a marcar, mas uma nova falta anularia o gol de Havertz.
Os marfinenses ainda levaram sustos no segundo tempo. No entanto, mostraram, e muito bem, como segurar a Alemanha. Enquanto uma equipe buscava o empate e a outra tentava ampliar o placar, o jogo ficou mais aberto. A Nationalelf via seus principais jogadores de frente (Sané, Musiala, Wirtz e Havertz) apagados. Os Elefantes aproveitavam para ameaçar, Oulaï distribuía bem e, diferente da etapa anterior, optaram por atacar pelo lado direito. Kessié surgia como um elemento surpresa dentro da área. Ele teve duas grandes chances, mas acabou desperdiçando.
Sabendo que uma pedreira aguardava na última rodada, Nagelsmann tratou de sacar Sané, Musiala e Pavlovic para tentar melhorar o desempenho ofensivo, promovendo as entradas de Leweling, Amiri e Undav. Este último, que mudou a dinâmica da equipe na estreia, tinha a missão de brigar com os defensores e abrir espaços para os companheiros. A mão do treinador fez toda a diferença. Foi justamente de quem saiu do banco que nasceu o empate por 1 a 1, em jogada de Amiri para Undav.

A Costa do Marfim teve a chance de voltar a ficar à frente graças a uma jogadaça de contra-ataque de Pépé, mas faltou combinar com Adingra, que, em vez de finalizar de primeira, optou pelo domínio. O tempo foi suficiente para Goretzka cortar.
Tempo esse que costuma ser cruel para uns e um alento para outros. Faltando um minuto para o fim, Undav mostrou o motivo de ser o único alemão no top 10 da artilharia da Bundesliga. Vice-artilheiro, atrás apenas de Harry Kane, fez o pivô para enfim colocar a Alemanha de volta ao mata-mata depois de dois Mundiais.
Mesmo com a vaga carimbada, a Nationalelf terá uma nova pedreira na última rodada da fase de grupos. Desta vez, o desafio será diante do Equador, na quinta-feira (25), às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Resta saber se Nagelsmann manterá Undav no banco ou se aprendeu a lição de colocar quem está resolvendo e, finalmente, dará uma chance ao atacante do Stuttgart, especialmente pensando na próxima fase.

