A convocação da Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, anunciada nesta segunda-feira (18), chamou atenção não apenas pelos nomes presentes, mas também pelas ausências. Entre elas, a que mais repercutiu foi a do goleiro Hugo Souza, do Corinthians, que ficou fora da lista final da Seleção Brasileira.
Apesar de a convocação contar com o maior número de jogadores atuando no futebol brasileiro desde 2002, ano do pentacampeonato mundial, quando o Brasil levou 12 atletas que jogavam no país, um outro dado histórico acabou chamando ainda mais atenção.
Ao analisar os 26 nomes da lista oficial, percebe-se um fato histórico: a Seleção Brasileira chegará à Copa do Mundo sem jogadores de Palmeiras, Corinthians e São Paulo, três clubes ligados às maiores conquistas da Amarelinha. O dado chama atenção porque, nas cinco Copas do Mundo vencidas pelo Brasil, ao menos um atleta dessas equipes esteve presente na convocação final do Brasil.
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Histórico da Seleção na Copa do Mundo
Além do tabu histórico pela ausência de representantes dos clubes paulistas na convocação oficial, esta também será a primeira vez que a Seleção Brasileira disputará uma Copa do Mundo sob o comando de um treinador europeu, Carlo Ancelotti, um marco inédito na história do principal esporte do país.
Em 1958, ano em que o Brasil conquistou pela primeira vez a Copa do Mundo, a Seleção contava com representantes dos três grandes paulistas: Mazzola, do Palmeiras; Mauro e De Sordi, do São Paulo; além de Gilmar e Oreco, do Corinthians.
Já em 1962, quando se sagrou bicampeã mundial, a Seleção Brasileira contava com representantes de Palmeiras e São Paulo. Entre os convocados estavam Djalma Santos, Zequinha e Vavá, pelo alviverde, além de Bellini e Jurandir, pelo tricolor. Naquela edição, no entanto, o Corinthians não teve jogadores na lista desta Seleção.
No tricampeonato mundial, em 1970, seleção considerada por muitos a maior de todos os tempos, o cenário do primeiro título voltou a se repetir, com representantes de Palmeiras, Corinthians e São Paulo na convocação. O elenco contava com Leão e Baldocchi, do Verdão, Rivellino, do Timão, e Gérson, do Soberano.
Na conquista do tetracampeonato, em 1994, os três grandes paulistas voltaram a ter representantes na Seleção Brasileira. O Palmeiras contou com Mazinho e Zinho; o São Paulo teve Cafu, Leonardo, Müller e Zetti; enquanto o Corinthians foi representado por Viola.
Por fim, em 2002, na campanha do pentacampeonato mundial, o cenário se repetiu. O Palmeiras teve Marcos na convocação; o São Paulo contou com Rogério Ceni, Belletti e Kaká; e o Corinthians foi representado por Dida, Ricardinho e Vampeta.
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Tradição ou superstição
No entanto, um dilema fica martelando em nossa mente: tradição ou superstição? A ausência simultânea dos clubes paulistas quebra um padrão que atravessou gerações e reacende o debate entre torcedores e apaixonados por futebol.
Para alguns, isso representa apenas uma consequência natural da internacionalização do futebol, já que a maioria dos principais jogadores brasileiros atua na Europa desde muito jovem. Para outros, o cenário deixa evidente a perda de protagonismo dos clubes nacionais, consequentemente a quebra da tradição na formação da base da Seleção principal.
A lista de Carlo Ancelotti reforça justamente essa mudança no perfil do elenco brasileiro, majoritariamente por atletas que atuam fora do país. Ainda assim, Palmeiras, Corinthians e São Paulo carregam um peso histórico e emocional difícil de ignorar. Visto que de alguma forma, os três estiveram presentes em todas as conquistas mundiais da Seleção Brasileira.
Agora, resta saber se a equipe comandada por Ancelotti conseguirá quebrar mais esse tabu histórico e encerrar o jejum de 24 anos sem títulos mundiais, conquistando o tão sonhado hexacampeonato mesmo sem representantes dos três gigantes paulistas.

