Um voo em 1990 e uma medalha histórica para o Brasil

Lucas Pinheiro vence o slalom gigante e coloca o país pela primeira vez no pódio dos Jogos Olímpicos de Inverno

Foto: Divulgação/Getty Images/COB

O Brasil já estava em clima de Carnaval neste sábado (14). Mas, enquanto o país afinava os tamborins, foi o som dos esquis cortando a neve que puxou o grito mais alto do dia. Em Milão-Cortina 2026, Lucas Pinheiro Braathen, de 25 anos, venceu o slalom gigante e transformou a folia em comemoração dupla: conquistou o primeiro ouro e também a primeira medalha do Brasil na história dos Jogos Olímpicos de Inverno.

O resultado coloca o Brasil em um território até então inexplorado nas Olimpíadas. Até hoje, o melhor desempenho do país havia sido o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006. Desta vez, a marca foi ultrapassada de uma só vez, com um ouro histórico logo na estreia brasileira no quadro de medalhas.

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Foto: Rafael Bello/COB

Lucas venceu o slalom gigante com o tempo combinado de 2min25s00 na soma das duas descidas. O suíço Marco Odermatt terminou com a prata, 58 centésimos atrás. Loic Meillard, também da Suíça, completou o pódio com 2min26s17.

A prova começou a ser definida ainda na primeira descida. Primeiro atleta a largar após o sorteio, o brasileiro marcou 1min13s92 e abriu vantagem confortável sobre os principais adversários. A diferença permitiu uma segunda passagem mais controlada, sem erros, suficiente para confirmar a vitória.

Ele volta à pista já na segunda-feira (16), quando disputa o slalom, prova em que terá a companhia dos brasileiros Giovanni Ongaro e Christian Oliveira Soevik. A primeira descida está marcada para 6h (de Brasília).

Quem é Lucas Pinheiro Braathen

Nascido em Oslo, na Noruega, o esquiador carrega também o sobrenome Pinheiro, herdado da mãe, a brasileira Alessandra. Foi ela quem conheceu o norueguês Björn Braathen durante um voo para Miami, na década de 1990. Anos depois, daquela coincidência entre continentes surgiria o atleta que colocaria o Brasil no topo do inverno olímpico.

A conexão com o país nunca foi distante. Ainda criança, Lucas passou um período em São Paulo e descobriu o esporte jogando futebol nas ruas e em escolinhas. O sonho era seguir carreira nos gramados, inspirado por ídolos brasileiros.

O esqui entrou na vida quase por insistência do pai. Aos nove anos, aceitou experimentar a modalidade nas montanhas norueguesas. O começo foi difícil, mas ali encontrou um espaço onde não precisava escolher entre duas identidades. A partir dali, a evolução foi rápida. Na adolescência já integrava programas de desenvolvimento da Noruega e, pouco tempo depois, surgia como promessa internacional. Vieram medalhas em competições de base, vitórias na Copa do Mundo e, também, uma grave lesão nos joelhos que interrompeu a ascensão por meses.

Quando parecia consolidado entre os grandes nomes do circuito, anunciou aposentadoria precoce aos 23 anos após divergências com a federação norueguesa. O afastamento incluiu uma temporada longe da neve, parte dela no Brasil. O retorno veio em 2024, agora defendendo oficialmente o país da mãe.

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