Tifanny é vetada pela FIVB e desfalca Osasco no Sul-Americano

Entraves da ídola do Osasco com a Federação Internacional do Voleibol ganha novos capítulos

Foto: Arquivo Pessoal

O Osasco não contará com a oposta e ponteira Tifanny na disputa do Sul-Americano de Clubes, que terá início nesta quarta, em Lima, no Peru. A atleta, que viajou com a equipe, foi novamente vetada pela FIVB, que exige um processo de autorização do Comitê de Elegibilidade de Gênero para pessoas trans.

Aos 41 anos, Tify foi o centro da polêmica em dezembro de 2025, após ser excluída da lista de inscritas do time para o Mundial de Clubes, que também segue as normas da Federação Internacional.

A estrela do atual terceiro colocado da Superliga participa das competições nacionais, regidas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que exige que atletas trans mantenham o nível de testosterona abaixo de 5 nmol/L por 12 meses, requisito que Tifanny cumpre há anos.

Já nas competições internacionais a FIVB passou a usar uma análise de “elegibilidade caso a caso”, que tem recebido pressão para abaixar o limite citado anteriormente para 2,5 nmol/L, padrão de mulheres cisgênero, o que pode afetar a saúde e o desempenho das atletas trans. Esse impasse coincide com um movimento do Comitê Olímpico Internacional (COI), agora liderado por Kirsty Coventry, para criar uma política unificada e mais restritiva.

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A Federação deve publicar um novo manual de elegibilidade em 2026, seguindo as novas diretrizes do COI, o que deve definir o futuro de atletas trans em competições internacionais e punir a CBV em caso de futuras convocações.

O Osasco, por sua vez, mantém a postura de apoio total a Tifanny. Em nota, o clube declarou que estará do lado da atleta em todas as instâncias cabíveis e fez um apelo público para que o debate seja conduzido com respeito, sem ataques pessoais e transfóbicos. Além disso, a liberação da atleta já foi solicitada, mas sem respostas. A Federação ainda solicitou testes e documentos adicionais, dos quais Tify já está sendo submetida.

Foto: Arquivo Pessoal

Tifanny segue sendo a força dominante no vôlei nacional

Na última temporada o Osasco teve o ano perfeito, conquistando a Tríplice Coroa com o Campeonato Paulista, Copa do Brasil e a Superliga. Tify foi o pilar do time, marcando 442 pontos, consagrando-se a quarta maior pontuadora de toda a Superliga e responsável pelo ponto do título.

Em 2026 ela segue sendo titular absoluta e mantendo uma média alta de pontos. Além do fator decisão, ela é reconhecida pelo seu poder de liderança.

Tifanny detém também o recorde histórico de maior pontuação em uma partida, com 39 pontos, quando ainda defendia as cores do Bauru.

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A primeira atleta transexual no país a defender uma equipe feminina de vôlei é conhecida por ser a última a sair de quadra, atendendo os fãs, independente do resultado do jogo. A camisa 9, que leva seu nome, é há duas temporadas a mais vendida na loja oficial do clube, justificando o tradicional grito “É Tifanny! É Tifanny!”, que ecoa no Liberatti toda vez que ela entra em quadra.