Lewis Hamilton deixou a classificação para o Grande Prêmio de Mônaco com sentimentos mistos. Terceiro colocado no grid, o piloto da Ferrari reconheceu o bom resultado, mas lamentou a perda de desempenho do carro entre sexta-feira e sábado, fator que, segundo ele, impediu uma disputa mais forte pela pole position conquistada por Andrea Kimi Antonelli.
Após a sessão, o heptacampeão mundial elogiou o jovem piloto da Mercedes e afirmou que a Ferrari demonstrou velocidade ao longo de todo o fim de semana, mas sofreu uma mudança inesperada no comportamento do carro antes da classificação.
“Antes de tudo, parabéns ao Kimi. Estávamos muito fortes durante todo o fim de semana e é sempre muito divertido pilotar nesta pista. Eu me sentia muito bem no carro e acho que demos um passo à frente ontem. Mas, chegando hoje, acabamos dando um pequeno passo para trás”, afirmou.
Hamilton revelou que a equipe perdeu rendimento durante a noite e que o equilíbrio do carro mudou completamente para a sessão classificatória.
“Quando chegamos à classificação, o carro estava em uma situação muito ruim. No Q1 eu estava cerca de sete décimos atrás e tivemos que fazer grandes ajustes na asa dianteira para tentar reequilibrar o carro. Ainda não sei exatamente o que aconteceu. Vamos analisar tudo em profundidade”, explicou.
O britânico destacou que a principal dificuldade foi a perda de aderência traseira, justamente um dos pontos fortes apresentados pela Ferrari nos treinos livres.
“Por algum motivo, eu não tinha aderência traseira, algo que tinha sido um ponto forte durante praticamente todo o fim de semana. Com o ritmo que mostramos ontem, acho que poderíamos ter estado mais perto. Mas esses caras fizeram voltas incríveis no final, então mérito para eles”, comentou.
Apesar da frustração por não lutar pela pole, Hamilton valorizou o trabalho realizado ao longo da sessão e acredita que extraiu o máximo possível do equipamento disponível.
“Sou grato por ter conseguido extrair tudo o que era possível com o acerto que eu tinha. O carro estava no limite e eu também estava no limite o tempo todo”, disse.
Questionado sobre os carros da atual geração em Mônaco, o piloto admitiu que o modelo de 2026 está longe de ser um de seus favoritos no tradicional circuito de rua.
“Provavelmente é um dos meus menos favoritos entre todas as gerações que pilotei aqui. Com a carga aerodinâmica reduzida, parece um passo atrás em termos de aderência. Além disso, as pressões dos pneus são muito altas”, avaliou.
Hamilton relembrou as primeiras participações em Monte Carlo e apontou que os carros de gerações anteriores proporcionavam uma experiência mais prazerosa ao volante.
“Lembro de quando corri aqui em 2007 e 2008. Havia muito mais aderência e era ainda mais divertido. Não foi ruim hoje, ainda me diverti, mas comparando todas as gerações, acho que o período de 2020 foi provavelmente o melhor em termos de aderência”, afirmou.
Mesmo largando da segunda fila, o britânico não descarta a possibilidade de lutar pela vitória, embora reconheça as dificuldades naturais do circuito monegasco.
“Você sabe como são essas corridas. É muito difícil. Não acredito que veremos muitas ultrapassagens. Espero fazer uma ótima largada e talvez colocar pressão nos dois da frente. Provavelmente também precisaríamos de chuva”, analisou.
Por fim, Hamilton lamentou o fato de Mônaco frequentemente proporcionar corridas com poucas disputas por posição e defendeu mudanças que possam tornar a prova mais atrativa no futuro.
“É uma pena que esta corrida frequentemente se transforme em uma procissão, com os carros apenas seguindo uns aos outros. Espero que no futuro encontrem uma forma inteligente de tornar esta corrida mais divertida tanto para os pilotos quanto para os fãs. Mas vou dar tudo de mim para pressioná-los ao máximo e tentar forçá-los a cometer algum erro”, completou.

