Race Week: saiba tudo sobre o GP da Espanha de Fórmula 1

Novo circuito combina trechos urbanos e permanentes e promete testar os pilotos na 14ª etapa do campeonato

Race Week: saiba tudo sobre o GP da Espanha de Fórmula 1
Curva La Monumental do Madring, novo lar do GP da Espanha. Foto: Divulgação/F1

A Fórmula 1 retorna para completar sua sequência de dois finais de semana seguidos com corrida. Porém, desta vez, após 45 anos, a maior categoria do automobilismo mundial retorna a Madri para o GP da Espanha, a 14ª etapa do campeonato mundial de Fórmula 1. Com sua última edição na capital espanhola acontecendo em 1981, a Fórmula 1 retorna para um novíssimo circuito em Madri, chamado Madring. A ação começa na próxima sexta-feira (11), segue pelo sábado (12) e termina com a corrida no domingo (13).

Na eletrizante última etapa, o GP da Itália, o líder do campeonato, Andrea Kimi Antonelli (Mercedes), conseguiu uma impressionante vitória, saindo da 19ª posição. Seu companheiro de equipe, George Russell, ficou com a segunda posição, enquanto Max Verstappen (Red Bull) fechou o pódio. Vale destacar também a pole position de Pierre Gasly (Alpine). Porém, mesmo largando na primeira posição, o francês terminou a corrida na sétima colocação. Enquanto isso, o herói local, Charles Leclerc (Ferrari), sofreu um forte acidente logo na segunda volta e abandonou a corrida italiana.

Portanto, Kimi Antonelli chega a Madri mais líder do que nunca, com 267 pontos, caminhando a passos largos rumo ao seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Na segunda posição está George Russell, com 201 pontos. Porém, neste momento, a briga de Russell parece ser mais com o terceiro colocado, Lewis Hamilton (Ferrari), do que com Antonelli. O britânico da Ferrari está, atualmente, com 191 pontos.

Já no Mundial de Construtores, com mais uma dobradinha, a Mercedes chega aos 468 pontos, 122 a mais do que a segunda colocada, Ferrari, que tem 346. A terceira colocada segue sendo a McLaren, com 287. Por fim, a Cadillac segue sendo a única equipe que ainda não pontuou em 2026.

Horários e onde assistir

  • Sexta-feira, 11 de setembro
    08h30 – Treino Livre 1 (Sportv3 / Globoplay / F1TV Pro)
    12h00 – Treino Livre 2 (Sportv3 / Globoplay / F1TV Pro)
  • Sábado, 12 de setembro
    07h30 – Treino Livre 3 (Sportv3 / Globoplay / F1TV Pro)
    11h00 – Qualificação (Sportv3 / Globoplay / F1TV Pro)
  • Domingo, 13 de setembro
    10h00 – Corrida (Globo / Sportv3 / Globoplay / F1TV Pro)

GP da Espanha

  • Voltas: 57
  • Comprimento da pista: 5.416 km
  • Pneus disponíveis: C2, C3 e C4
  • Melhor volta:1:15.743 – Oscar Piastri (McLaren – 2025)
  • Primeiro GP: 1951
  • Maiores vencedores: Michael Schumacher e Lewis Hamilton (6 vitórias)
  • Equipe que mais venceu: Ferrari (12 vitórias)
Traçado do Madring, casa do GP da Espanha.

Novo lar do GP da Espanha, o Madring

Como esperado, o que mais chama atenção para este GP da Espanha é o novo circuito em que ele será sediado, o Madring. Este circuito está montado ao redor do Centro de Exibições IFEMA, no noroeste da capital espanhola. O circuito está localizado a cinco minutos do Aeroporto de Madri-Barajas, no distrito de Barajas.

O circuito é híbrido, ou seja, tem partes permanentes, construídas apenas para ser pista de corrida, e partes que ocupam as ruas de Madri, de forma semelhante ao que acontece no Circuito Gilles Villeneuve, lar do GP do Canadá.

Segundo as primeiras simulações feitas no circuito da capital espanhola, o tempo médio de volta deve ficar na casa de 1m34s. Contando com 22 curvas, o Madring, segundo os pilotos de Fórmula 3 que testaram o circuito há cerca de duas semanas, mistura características dos circuitos de Mônaco, Azerbaijão e Arábia Saudita.

Além dos pilotos da Fórmula 3, quem já andou em simulador no traçado destaca uma pista travada no geral, porém com trechos desafiadores, que vão testar a habilidade dos pilotos, além de uma reta de altíssima velocidade. Os principais pontos de ultrapassagem podem estar nas curvas um e dois, na freada forte da grande reta, na curva cinco, além da própria grande reta.

Para os pilotos mais ousados, a curva 13 também pode se apresentar como uma oportunidade de ultrapassagem. Porém, esta última é arriscada graças à proximidade com o muro e pelo fato de ser a freada forte que recebe os pilotos depois da curva 12, apelidada de La Monumental.

Esta curva é em formato semicircular, com 550 metros de comprimento e uma inclinação extrema de 13,5 graus, cerca de 24% de inclinação. Para comparação, a curva mais inclinada do calendário atual, a curva 14 e última do Circuito de Zandvoort, na Holanda, tem inclinação de 18 graus, equivalente a 32%. Já as curvas do Circuito de Indianápolis, lar das 500 Milhas de Indianápolis, têm cerca de nove graus, considerado baixo.

Pilotos experientes, como o tetracampeão Max Verstappen, falou em “pilotagem complicada e pista desafiadora” quando perguntado sobre o novo lar do GP da Espanha. Já o diretor da pista, Luis Garcia Abad, revelou que os pilotos precisarão de “muita coragem” ao percorrer o traçado.

Ferrari em apuros

Após uma corrida desastrosa em Monza, sua casa, a Ferrari busca recuperação na Espanha. No GP da Itália, Leclerc e Hamilton tiveram uma disputa intensa na largada, principalmente na primeira chicane, que terminou com o monegasco jogando o britânico na brita e fazendo-o despencar no grid. Hamilton finalizou a corrida na sexta posição, duas abaixo da qual largou.

Graças a esta disputa com Leclerc, o heptacampeão cobrou “regras de conduta” dentro da escuderia italiana. Hamilton discordou da visão de Leclerc sobre o acidente, quando o monegasco falou em “responsabilidade mutua”. O piloto n° 44 mostrou sua visão do que aconteceu após a corrida.

“Eu estava na frente na Curva 2. No ápice, eu estava na frente. Não teve nada de ‘nós’ nisso. Olha, eu não corro de forma desleal. Sempre corri de forma limpa e justa e sempre deixei espaço”.

Em resposta, o chefe de equipe da Ferrari, Frederic Vasseur, insinuou que ordens de equipe para que os pilotos não briguem na pista podem começar a ser utilizadas daqui pra frente. Isto é algo que a Ferrari tem se mostrado relutante em fazer nesta temporada, deixando Leclerc e Hamilton livres para disputarem posição na pista.

“Com certeza, em algum momento você tem que tomar uma decisão, mas acho que era muito cedo para tomar uma decisão antes de Monza. Agora terei tempo para discutir com os rapazes”.

Charles Leclerc sob dúvida

Já Charles Leclerc, após o incidente com o companheiro de equipe, havia perdido a terceira posição, da qual largou, para Max Verstappen na segunda volta. E, quando era atacado por Oscar Piastri (McLaren) pela quarta posição, deixou o carro escapar da pista, resultando em um acidente fortíssimo e seu abandono da corrida.

Leclerc saiu andando de seu carro, porém, após isso, sentou do lado de fora da pista, aparentemente tonto. O monegasco foi levado rapidamente para o centro médico, onde não foi constatada nenhuma lesão grave. Ele chegou a dar entrevista após a corrida, relatando dores no corpo e dificuldades para enxergar.

Na última segunda-feira (7), Leclerc realizou exames mais aprofundados e, para alívio dos fãs do monegasco e da Ferrari, não apresentou qualquer sequela da forte batida.

Porém, sua participação ainda está em dúvida. Seu condicionamento físico será avaliado mais uma vez nas próximas horas. Caso Leclerc não tenha condições de pilotar em Madri, o que a Ferrari considera “improvável”, o substituto do monegasco será o italiano Antonio Giovinazzi, atual piloto reserva da escuderia vermelha e piloto da mesma no Mundial de Endurance (WEC). Giovinazzi já esteve no grid da Fórmula 1 entre 2019 e 2021, pela extinta Alfa Romeo (atual Audi), além de ter vencido as 24 Horas de Le Mans pela Ferrari em 2023, quebrando um jejum de 58 anos da equipe italiana sem triunfar na corrida centenária.

Isack Hadjar segue fora

Nas outras equipes, a principal notícia é, mais uma vez, a ausência de Isack Hadjar (Red Bull) da corrida. O francês se lesionou durante as férias na metade da temporada, e por conta desta lesão, já havia perdido os GP’s da Holanda e da Itália.

A expectativa da equipe austríaca era de ter seu piloto titular já pronto para o GP da Espanha. Porém, em uma nova avaliação médica feita nesta semana, Hadjar não apresentou a melhora necessária para voltar a um carro de Fórmula 1, portanto, segue fora.

Assim como em Zandvoort e Monza, Liam Lawson, piloto titular da Racing Bulls originalmente, sobe mais uma vez para substituir Hadjar. Até o momento, o neozelandês conquistou uma sétima posição no GP da Holanda, anotando seis pontos, e uma 14ª posição no GP da Itália, desta vez sem pontos.

Já para o lugar de Lawson na Racing Bulls, Yuki Tsunoda, piloto reserva, ocupará o posto pela terceira vez consecutiva. O japonês, com a Racing Bulls, já alcançou a 11ª posição na Holanda e a 10ª posição na Itália, anotando um ponto.

Carlos Sainz correndo em sua cidade natal

Um dos grandes incentivadores e que trabalhou nos bastidores para o GP da Espanha em Madri foi, justamente, o espanhol Carlos Sainz (Williams). Ele, que nasceu na capital espanhola, relatou suas impressões sobre o Madring, destacando o desafio que o traçado representa.

“Pela forma como colocaram as barreiras e pelo desenho do circuito, será um dos maiores desafios que tivemos na F1 recentemente. O circuito me lembra muito Jeddah, me lembra muito Baku e, em alguns aspectos, até um pouco de Macau. Então, ter isso na F1 com 1.000 cavalos de potência será um desafio bastante interessante”.

O espanhol finalizou se mostrando atento aos testes realizados pela Fórmula 3 no circuito, falando principalmente sobre a grande quantidade de bandeiras vermelhas durante os testes (19 ao todo).

“Vendo o circuito e ouvindo o que aconteceu no teste da F3, acho que todos estamos esperando safety cars, bandeiras vermelhas e bandeiras amarelas na classificação”.

Carlos Sainz mostra pintura especial da Williams, sua equipe, para o GP da Espanha. Foto: Divulgação/F1