O clássico mais emblemático de Manchester volta a movimentar o futebol inglês neste sábado (17). Manchester United e Manchester City se enfrentam às 9h30 (de Brasília), no Old Trafford, em duelo válido pela 22ª rodada da Premier League, cercado de rivalidade, história e interesses diretos na tabela.
Conhecido como Derby de Manchester, o confronto carrega mais de um século de antagonismo. O primeiro encontro entre os clubes aconteceu em 1881, ainda quando o United era chamado de Newton Heath, e desde então a rivalidade cresceu junto com a cidade, dividindo torcedores, gerações e identidades. De um lado, o United, tradicional potência inglesa e europeia, do outro, o City, que nas últimas temporadas se consolidou como uma das forças dominantes do futebol mundial sob o comando de Pep Guardiola.
Além do peso histórico, o clássico costuma ser decisivo. Goleadas marcantes, viradas improváveis e atuações memoráveis fazem parte do roteiro do derby, que ganhou ainda mais intensidade na era moderna, especialmente após a ascensão do lado azul na Premier League. Jogar no Old Trafford, porém, sempre adiciona um ingrediente especial, transformando o duelo em um teste de nervos, orgulho e ambição para os dois lados.
United é um gigante em queda livre
Eliminado precocemente da FA Cup e com a temporada já marcada por frustrações, o Manchester United vive um de seus momentos mais delicados no século. Com as quedas nas copas nacionais, a Premier League passa a ser o único objetivo restante, e a diretoria optou por uma solução caseira, Michael Carrick assume o comando da equipe como treinador interino até o fim da temporada, após a saída de Rúben Amorim.
O cenário em campo é alarmante. O United chega a quatro partidas consecutivas sem vitória, acumulando três empates contra equipes da parte de baixo da tabela — Wolves, Leeds e Burnley — além da dolorosa derrota para o Brighton, que selou a eliminação na terceira rodada da FA Cup. Resultados que evidenciam a falta de repertório, confiança e competitividade de um elenco que já foi sinônimo de protagonismo no futebol europeu.
As eliminações sucessivas também deixam uma marca histórica negativa. Sem avançar nas copas locais, os Diabos Vermelhos disputarão apenas 40 partidas em toda a temporada, o menor número de jogos do clube desde 1914/15, campanha que ocorreu em meio à Primeira Guerra Mundial. Um dado que escancara o tamanho da crise e reforça o contraste entre o peso da camisa e a realidade atual em Old Trafford.
Agora, sob o comando de Carrick, ídolo recente e profundo conhecedor do clube, o United tenta estancar a sangria, reconstruir a confiança e salvar o mínimo de dignidade em uma Premier League que, mais do que nunca, virou questão de sobrevivência esportiva e institucional.
City embala nas copas enquanto a Premier League aperta
Na contramão do rival de Manchester, o Manchester City chega embalado e confiante. Nas copas nacionais, a equipe de Pep Guardiola tem sido implacável. Pela FA Cup, aplicou uma goleada histórica de 10 a 1 sobre o Exeter, na terceira fase, em uma atuação que beirou a perfeição. Já no meio de semana, deu um passo gigantesco rumo à final da Carabao Cup, ao bater o Newcastle por 2 a 0, fora de casa, no jogo de ida das semifinais.
O grande nome desse recorte recente atende por Antoine Semenyo. Contratado há pouco mais de uma semana, o atacante teve impacto imediato: dois jogos, dois gols, sendo decisivo logo nos primeiros minutos com a camisa azul. A adaptação relâmpago reforça a força do modelo de Guardiola, que potencializa peças novas quase instantaneamente e amplia ainda mais o leque ofensivo do elenco.
Mas, apesar do domínio nas copas, o City entra em campo no derby com uma missão: voltar a vencer na Premier League. A equipe soma três empates consecutivos no campeonato e vê o Arsenal abrir seis pontos de vantagem na liderança, cenário que não permite novos tropeços. Contra o maior rival e em pleno Old Trafford, o clássico surge não apenas como duelo de orgulho, mas como um jogo-chave na corrida pelo título, onde qualquer erro pode custar caro na reta decisiva da temporada.
Retrospecto
O Derby de Manchester vai muito além de um clássico local e carrega quase dois séculos de história, rivalidade e disputa por supremacia. Ao longo do tempo, Manchester United e Manchester City já se enfrentaram 197 vezes, em duelos que atravessaram eras, divisões e contextos completamente diferentes. No retrospecto geral, a vantagem ainda é vermelha, com 80 vitórias do United contra 62 do City, números que ajudam a explicar o peso histórico dos Diabos Vermelhos no embate.
Quando o palco é o Old Trafford, o domínio do United se impõe com ainda mais força. Em 97 confrontos disputados no Teatro dos Sonhos, os donos da casa saíram vencedores 43 vezes, transformando o estádio em um território tradicionalmente hostil ao rival azul, que venceu 25 partidas nesse cenário.
Pela Copa da Liga Inglesa, onde o clássico ganhou contornos ainda mais intensos, o equilíbrio cresce, mas o duelo segue eletrizante. Em 161 jogos pelo campeonato, o United soma 61 vitórias, contra 51 triunfos do City, além de 49 empates, números que evidenciam como a rivalidade se tornou mais acirrada com o passar dos anos, especialmente na era moderna, marcada pelo crescimento do lado azul.
Os dados não contam apenas quem venceu mais, mas revelam a essência do derby: tradição contra ascensão, passado glorioso contra poder recente. E a cada novo capítulo, como o que será escrito neste sábado, estatísticas e história ficam em segundo plano. Porque no Derby de Manchester, nada é previsível, tudo é confronto, tensão e identidade em jogo.

