O último amistoso da Seleção Brasileira Feminina contra os Estados Unidos que aconteceu no estado do Ceará ficou marcado por filas no site de ingressos e um público de 55.744 torcedores, em pleno Castelão. Público esse que não se deixou abalar pelo gol da equipe norte-americana e nem pelas expulsões de suas jogadoras, aplaudindo as mesmas, mesmo após um placar desfavorável de 1 a 0 ao final da partida.
Fortaleza ter registrado esse número foi uma prévia do que se espera da Copa do Mundo Feminina de 2027, no qual o Governo do Estado se colocou na disputa para sediar a abertura do evento. Uma infraestrutura foi montada para que a festa acontecesse, e a mobilização criada pelos órgãos governamentais, desde a boa divulgação do amistoso até a facilitação do acesso ao estádio, contribuíram para que tudo acontecesse da melhor forma.
Em conversa com a jogadora cearense Jayanne Queiroz, que já atuou no time do Fortaleza, e hoje representa a camisa do Minas Brasília FF, a atleta expôs sua empolgação ao ver a festa que foi formada em seu estado natal:“Foi maravilhoso, que energia incrível. Fiquei impressionada com o público, foi histórico”, comentou Jayanne à ORB Sports.
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Apesar de se fazer acreditar no potencial da modalidade no estado, o Ceará carrega um triste histórico de desvalorização com o futebol de mulheres, já que suas principais equipes, ao conquistarem acesso à Série A1 do Brasileirão Feminino, sofreram um verdadeiro sucateamento.
Em 2022, a equipe feminina do Ceará conquistou o título do Brasileirão A2, e o acesso para o A1, mas com a queda da equipe masculina para a segunda divisão, iniciou-se um verdadeiro desmanche com relação às atletas, que não representavam, na época, nem 1% da folha de despesas do clube. O que se assistiu no ano de 2023 foi o fim de uma equipe que havia conquistado grandes coisas, e jogando contra o Corinthians, referência na modalidade mundialmente, foram goleadas por 14 a 0, submetendo jogadoras de categoria de base a jogarem contra atletas experientes.

Já no ano de 2025, foi a vez do Fortaleza conquistar o tão sonhado acesso à elite do futebol feminino brasileiro, mas no mesmo momento, a equipe masculina do clube caiu para a segunda divisão. Como em uma cena já vista antes, as leoas do tricolor sofreram as consequências.
Avisadas por mensagem de que a equipe não assumiria a vaga no campeonato, atletas tiveram que, de última hora, buscar por novos clubes e refazerem suas carreiras. Ao voltar atrás, avistando uma possível parceria com o clube R4, do ex-jogador Ronaldo Angelim, o Fortaleza também não cumpriu com a data máxima de inscrição na competição, de acordo com o regulamento da CBF, ficando de fora da mesma.
O R4 é um projeto que visa o desenvolvimento de meninas através do futebol, localizado na cidade de Juazeiro do Norte, que fica a 500 km da capital, Fortaleza, o que dificultaria a interação da equipe com o seu torcedor.
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De forma surpreendente e fora do regulamento, a Confederação Brasileira de Futebol convidou a equipe do Ceará a voltar a disputar a série A2, as Meninas do Vozão voltaram a participar do Campeonato Brasileiro da segunda divisão no ano de 2026, já o Fortaleza segue sem a modalidade.

