Mamonas Assassinas e futebol: a música que virou hit de torcida nas arquibancadas

Mamonas Assassinas
Foto: Reprodução

A manhã desta segunda-feira (2) seria como qualquer outra, não fosse a enxurrada de nostalgia e saudade que invade o coração de grande parte dos brasileiros. O motivo dessa avalanche de sentimentos que toma conta do país remete a um episódio ocorrido há 30 anos, quando um trágico acidente aéreo interrompeu de forma abrupta a trajetória meteórica dos Mamonas Assassinas, transformando a alegria contagiante da banda em um silêncio ensurdecedor.

Inexplicavelmente, mesmo após três décadas de suas mortes, as lembranças de Dinho, Samuel, Júlio, Sérgio e Bento permanecem vivas entre nós, principalmente aos amantes do futebol.

A irreverência das letras debochadas, politicamente incorretas e carregadas de humor, somada à energia contagiante da banda fez com que, em pouquíssimo tempo, o álbum Mamonas Assassinas, lançado em junho de 1995, ultrapassasse a marca de 3 milhões de cópias vendidas. O feito entrou para a história como um dos maiores recordes da música brasileira, consolidando o grupo como um fenômeno nacional.

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Músicas dos Mamonas Assassinas com referência ao futebol

A ligação com o futebol ia além da torcida pelos seus respectivos times de coração: os Mamonas Assassinas também levavam a paixão nacional para dentro das músicas. No sucesso ‘Arlinda Mulher’, por exemplo, durante a introdução em uma versão ao vivo, Dinho brincou ao cantar: “Essa desgraçada, que com certeza é palmeirense, que briga com você quando quer assistir um jogo de futebol e ela quer ver novela reprisada”, misturando humor e rivalidade esportiva.

Outra canção que faz referência ao universo do futebol é ‘Cabeça de Bagre II’, que cita a conquista do tetracampeonato mundial da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA, em 1994. Em meio à irreverência característica da banda, os versos lembram o feito histórico:“Loucura, insensatez, estado inevitável, embalagem de iogurte inviolável, fome, miséria, incompreensão. O Brasil é Tetra Campeão”.

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Não faltaram referências ao maior nome do futebol brasileiro e mundial, o Rei Pelé. Em tom de brincadeira, na música ‘1406‘, a banda fez alusão ao relacionamento entre o craque e a apresentadora Xuxa para ironizar a própria “falta de sorte”. No verso bem-humorado, cantam: “Eu sou cagado, veja só como é que é… Se der uma chuva de Xuxa, no meu colo cai Pelé”.

Em 2018, 22 anos após a morte dos integrantes dos Mamonas Assassinas, foi lançada ‘Vai Aê‘ uma música inédita escrita por Dinho. Os versos, encontrados pelo primo do cantor em um sítio da família, revelaram um rascunho guardado desde a época da banda. A canção é uma referência ao esporte paixão nacional, o futebol e só se tornou realidade graças à colaboração do guitarrista Tor Sakata e de Ruy Brissac, que interpretou Dinho em O Musical Mamonas.

Legado que ecoa nas arquibancadas

A trajetória da Mamonas Assassinas foi tão marcante que ultrapassou os limites da música e alcançou um universo até então improvável: as torcidas de futebol espalhadas por todo o Brasil.

Um dos cantos mais populares das arquibancadas tem como referência a canção Pelados em Santos, composta por Dinho.Trechos da música já ecoaram entre torcidas do Flamengo, Bahia, Ceará, Sport, América (RN), CSA, Clube do Remo, Chapecoense, Ferroviária e América (RJ). Cruzeiro e Figueirense também adaptaram a melodia, criando versões que provocam os rivais Atletico Mineiro e Avaí.

Uma das versões mais conhecidas é “Minha Camisa Vermelha”, criada em 2008 pela Guarda Popular, principal torcida organizada do Internacional. Outra adaptação bastante popular é “Mengão do Meu Coração”, surgida em 2009 e criada por torcedores flamenguistas.

Entre risos, nostalgia e futebol, o legado irreverente da banda formada pelos cinco jovens de Guarulhos mostra que certos fenômenos jamais caem no esquecimento. Passe o tempo que passar, eles seguirão sendo exaltados e lembrados com muito carinho.