Em entrevista para a Record, exibida no último domingo (23), o presidente Lula falou, entre outros assuntos, sobre a situação financeira dos times brasileiros. Torcedor declarado do Corinthians, trouxe como exemplo a polêmica dívida da Neo Química Arena, onde os valores pagos só em juros já ultrapassam em mais de duas vezes o valor do financiamento original, de R$ 400 milhões. O time de Itaquera já desembolsou R$ 1,075 bilhão para pagar o estádio.
Bets e sites adultos como financiadores do esporte mais popular do mundo
Em tom descontraído, como quem incorpora um verdadeiro torcedor, o presidente da República questionou as principais empresas patrocinadoras dos clubes: as casas de apostas e até o site de acompanhantes que vem estampando cada vez mais os uniformes, a Fatal Fans. A pergunta que fica é: com tantos meios de gerar receita, os clubes precisam se sujeitar a tais patrocínios?
Nenhuma proposta foi apresentada, porém, o movimento de mercado é claro. Podem servir de exemplo para a CBF as medidas tomadas pela Premier League, que proibiu as bets como patrocinadoras másters dos clubes nesta temporada. Elas continuam, porém, precisam ocupar espaços menores ou mais escondidos nas vestimentas.
O que é o desenrola e como seria aplicado no futebol
O Desenrola Brasil é um programa do Governo Federal criado para ajudar pessoas a renegociarem suas dívidas em atraso e limparem o nome. Ele surgiria como uma opção diferente da Recuperação Judicial, que hoje acontece por intermédio do Poder Judiciário. O “Desenrola do Futebol” traria linhas de crédito especiais ou renegociação direta com aval governamental, permitindo que a dívida seja quitada ou parcelada em condições que o mercado comum não aceitaria.
Ou seja, apesar de “parecer uma mãe” para as finanças dos clubes, para acontecer, o projeto provavelmente viria com uma série de regras rígidas, como teto de gastos e prestações de contas, além de controlar o recebimento de receitas de fontes duvidosas, como as já citadas anteriormente.

Próximos passos e previsões
Apesar de ser uma boa ideia, o assunto só foi abordado de maneira rasa e não há, até o momento, qualquer tipo de manifestação do Governo ou da Caixa Econômica Federal sobre o projeto. O que se sabe é que demandaria grande planejamento para evitar possíveis brechas dentro dos contratos firmados com os clubes e com a CBF.
Também não ficou claro se o aporte seria feito com dinheiro público (governo) ou da Caixa como única e principal financiadora. No campo das sugestões, surge uma boa ideia, e quem sabe, por culpa dos clubes, mas para os clubes, um momento de respiro e a esperança de dias melhores.

