Leonardo Jardim destaca continuidade do trabalho ao assumir o Flamengo

Treinador afirma que pretende manter características do elenco antes da decisão do Carioca

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O início da passagem de Leonardo Jardim pelo Flamengo já acontece em meio a um cenário de pressão e expectativa. Com poucos dias de trabalho antes de um clássico decisivo, o treinador português destacou que a prioridade imediata é organizar a equipe rapidamente e manter características que já fazem parte do estilo recente do clube.

Apresentado oficialmente nesta quinta-feira (5) no Ninho do Urubu, Jardim assumiu o comando da equipe após a saída de Filipe Luís e já comandou dois treinos desde que chegou ao Rio de Janeiro. O técnico terá apenas alguns dias de preparação antes do confronto contra o Fluminense, que abre a decisão do Campeonato Carioca.

Durante a coletiva, ele também comentou uma declaração feita no passado, quando treinava o Cruzeiro e afirmou que não voltaria a trabalhar em outro clube brasileiro. Segundo o treinador, a fala foi influenciada pelo contexto vivido naquele momento e acabou sendo uma reação emocional.

“Falei o que foi sentido. Me sentia bem em BH, acreditava num projeto a médio longo prazo, mas a vida nos cria surpresas, tive problemas na ordem familiar e pessoal que eu tinha que resolver. Ao mesmo tempo, existiam na estrutura algumas ideias diferentes do que eu acreditava, por isso acabou por se encerrar mais cedo o capítulo Cruzeiro. Fui emotivo porque acreditava que o projeto seria a longo prazo, mas também fui ingênuo, uma coisa que não costumo ser porque sou muito pragmático, mas às vezes a emoção nos leva a ter algumas tiradas infelizes. Agora, como treinador do Flamengo, o capítulo do Cruzeiro passou e quero estar focado nesse novo capítulo”.

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Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Jardim também falou sobre as primeiras impressões do elenco e da estrutura do clube, destacando a receptividade do grupo e as condições de trabalho no centro de treinamento.

“Dei importância a vir para cá trabalhar assim que resolvemos a situação. Sabemos que temos confrontos muito importantes agora no fim de semana. A primeira impressão que tive dos jogadores foi muito boa, muito abertos ao trabalho, com boa atitude. As condições são boas, com um bom centro de treinamento no Ninho. Por isso temos reunido condições para dar continuidade ao que fizemos no passado e sermos uma equipe dominante que pretende conquistas em todas as competições”.

O treinador também comentou o desafio de assumir a equipe às vésperas de um clássico e explicou que ainda está em processo de adaptação ao novo ambiente.

“Uma chegada é difícil porque estamos a quatro dias de um clássico e sei a importância dos clássicos para a torcida. Também quero competir com um adversário que tem nos criado alguma dificuldade. Cheguei sem equipe técnica porque foi muito em cima do fim de semana. Minha equipe técnica não estava preparada. Curiosamente, estava no Brasil, tinha vindo para um casamento. Foi fácil deslocar de BH para o Rio. Agradeço ao staff do Flamengo pelo apoio, aos jogadores também. Dois dias em que não tive tempo para nada. Reuniões, observações, sem tempo para ver as coisas ao redor. Focado porque sabia que tinha quatro dias para organizar um jogo da importância de Flamengo x Fluminense na final do campeonato”.

Ao abordar o modelo de jogo, Jardim indicou que pretende respeitar as características atuais do elenco e manter elementos do trabalho anterior, ajustando apenas pontos que considera importantes.

“Minha forma de viver o futebol e trabalhar é que eu dou sempre importância ao elenco que tenho e às características. Temos um DNA no clube e queremos mantê-lo, o elenco está formado desta forma. Não vamos alterar radicalmente, mesmo que eu acredite em outras coisas. Vamos tentar impor algumas ideias, mas sei o que foi o Flamengo no ano anterior e queremos manter essas características”.

O técnico ainda explicou que pretende dar flexibilidade tática à equipe, destacando que o time precisa saber se adaptar a diferentes momentos do jogo.

“Algumas das ideias do Filipe vão continuar. O jogo tem muitas nuances. Há momentos em que temos que jogar em transição, em outros temos que ter a posse. Temos que jogar mais baixo, em outros momentos marcar mais alto. As melhores equipes do mundo têm que ter variabilidade. Se formos só de posse e o adversário nos pressionar, nós vamos ter dificuldade. Não queremos fugir do DNA desse grupo. Temos que jogar um futebol de acordo com nossos jogadores”.

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