Fim da cera? CBF acrescenta novas regras e impõe punições no futebol brasileiro

Pacote adotado pela CBF altera procedimentos durante as partidas e busca aumentar o tempo de bola em jogo nas Séries A e B

Foto: Luciana Vermell/CBF

Quem for ao estádio ou ligar a televisão nas próximas rodadas do futebol brasileiro vai se deparar com uma dinâmica de jogo diferente. Em uma decisão conjunta entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B, um pacote de mudanças drásticas e novas regras no regulamento da arbitragem entrou em vigor com efeito imediato. A meta é clara: acabar com a mania da “cera”, combater o excesso de paralisações e aproximar o ritmo das partidas nacionais das grandes ligas da Europa.

As novidades foram tiradas diretamente do caderno de testes da FIFA aplicado na Copa do Mundo de 2026. A urgência da implementação no Brasil, adiantada em relação à previsão global inicial de 2028, tem justificativa numérica. Um diagnóstico produzido pela comissão de arbitragem mostrou que a Série A marcava uma média modesta de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida, bem abaixo do patamar ideal de 60 minutos estipulado pela entidade máxima do futebol e distante dos números praticados na Inglaterra, Alemanha e França.

As novas regras: cronômetro acelerado e punições inéditas

Foto: Cesar Greco/Palmeir

Entre as alterações mais impactantes está o garrote sobre a amolação na reposição de bola. Goleiros agora contam com um cronômetro rigoroso de cinco segundos para cobrar o tiro de meta assim que o árbitro apita; se estourarem o tempo, a infração é punida diretamente com um escanteio para a equipe adversária. O mesmo teto de cinco segundos passa a valer para a cobrança de arremessos laterais a partir do momento em que o atleta pega a bola nas mãos.

O pacote também mirou a tradicional lentidão nas substituições e o uso estratégico de atendimentos médicos para esfriar o confronto. O atleta substituído tem até dez segundos para deixar o campo pelo setor mais próximo, sob pena de sanções disciplinares. Além disso, qualquer jogador de linha que receber atendimento médico no gramado precisará obrigatoriamente aguardar um minuto do lado de fora antes de receber autorização para retornar. Nos casos em que o goleiro precisar de atendimento, a regra cobra um preço tático: o técnico terá de escolher um atleta de linha para cumprir esse minuto fora de campo.

Disciplina no diálogo e o fim da “mão na boca”

A convivência em campo também passa por uma filtragem rígida. O bate-boca acalorado com a arbitragem perdeu espaço: apenas o capitão de cada time tem permissão para se aproximar e conversar com o árbitro sobre as decisões da partida.

Outro ponto que chama atenção é a punição para discussões entre atletas. Intitulada internamente como uma resposta às provocações veladas, a atitude de cobrir a boca com a mão ou a camisa para falar com um adversário durante uma discussão passa a render cartão vermelho direto.

No campo da tecnologia, a arbitragem ganha um respaldo ampliado. O VAR passa a ter autonomia para revisar lances que originem o segundo cartão amarelo, lance crucial que frequentemente definia o rumo de jogos com expulsões controversas.

Com um investimento anunciado na casa dos R$ 200 milhões voltado à capacitação e modernização dos equipamentos de arbitragem, a CBF e as diretorias apostam que o ganho médio possa ultrapassar os cinco minutos de jogo fluido por confronto. A bola agora está com os atletas e comissões técnicas, que terão de se adaptar rapidamente a um futebol sem espaço para perda de tempo.