Sport bate Ponte Preta, encerra jejum, mas velhos problemas seguem à mostra

Sob o comando enérgico de Mariano Soso à beira do gramado, Rubro-Negro bate a combalida Macaca na Ilha do Retiro, chega aos 41 pontos e volta a encostar no G-6; atuação, contudo, ainda expõe falta de pontaria e problemas crônicos da temporada

Jogadores do Sport reunidos minutos antes da partida. Foto: João Moraes / ORB Sports

O torcedor do Sport reencontrou o caminho da vitória e uma velha conhecida energia na área técnica na noite desta quinta-feira (10). No retorno do técnico Mariano Soso à Ilha do Retiro, o Leão fez o dever de casa e superou a virtualmente rebaixada Ponte Preta por 2 a 0, em partida válida pela 27ª rodada da Série B. O resultado encerra semanas de turbulência na Praça da Bandeira — marcadas pela demissão de Gilmar Dal Pozzo —, quebra o jejum de vitórias e leva o time aos 41 pontos, ficando a apenas dois da zona de classificação para a briga pelo acesso.

Entretanto, se os três pontos trouxeram alívio imediato e recolocaram o Rubro-negro colado no G-6, o futebol apresentado dentro das quatro linhas ainda não autoriza euforia. Contra um adversário afundado em grave crise institucional e recheado de jovens da base, o Sport voltou a apresentar os mesmos vícios técnicos e coletivos que acompanham o clube ao longo de toda a temporada: volume estéril, controle territorial sem contundência e um desperdício alarmante de gols.

Efetividade rápida mascara início burocrático

Com pouquíssimo tempo para trabalhar — desembarcou no Recife e comandou apenas uma atividade antes do duelo —, Mariano Soso teve a prudência de manter a base estrutural desenhada pelo interino Sued Lima ao longo da semana. O Sport, no entanto, começou o jogo fiel ao roteiro que irritou o torcedor em 2026.

Apesar de dominar a posse e ter chegado a acertar a trave em lance invalidado por impedimento, até os 18 minutos o Leão sofria para furar as linhas paulistas, trocando passes lentos e sem profundidade.

O desafogo veio na bola parada: aos 25 minutos, após bate-rebate na área, Marcelo Ajul mandou por cima do goleiro. A bola resvalou na trave, voltou no rosto do zagueiro Diego Leão, da Ponte, e foi para o fundo das redes para inaugurar o marcador. O gol desarticulou o jovem time campineiro e, aos 33 minutos, Chrystian Barletta converteu a penalidade máxima com tranquilidade para ampliar para 2 a 0. Apenas a partir dos 37 da primeira etapa o Sport começou a imprimir um ritmo vertical condizente com a disparidade técnica entre as equipes.

Volume ofensivo e festival de gols perdidos

Na etapa complementar, o cenário foi de amplo domínio mandante. Aos oito minutos, o Sport já adiantava as linhas e ocupava o terço final; aos 15, o volume virou blitz na área da Macaca. Foram 22 finalizações e pelo menos quatro grandes chances claras criadas ao longo dos 90 minutos.

Apesar da superioridade plena, o placar não se transformou em goleada unicamente pela falta de precisão do ataque rubro-negro. Perotti, Diego Hernández e Barletta acumularam oportunidades desperdiçadas na cara do goleiro Vinicius. Em uma Série B de margem mínima, o excesso de gols perdidos contra um adversário entregue serviu de alerta: a pontaria precisa ser ajustada com urgência para confrontos de maior exigência.

Raio-X: O choque anímico de Soso e o longo caminho pela frente

A vitória diante da Ponte Preta era uma obrigação incontestável para as pretensões do Sport na temporada. O grande mérito da noite esteve fora do campo tático: a figura inquieta de Mariano Soso na beira do gramado representou a injeção anímica que o elenco e as arquibancadas cobravam. O treinador argentino — que construiu forte identificação com a torcida na sua passagem anterior — devolveu a postura competitiva, a combatividade e a intensidade nas disputas que haviam desaparecido sob o comando anterior.

Ainda assim, a régua de avaliação precisa ser calibrada com sobriedade. O adversário era uma Ponte Preta desfigurada, imersa em caos político e com uma garotada sem poder de reação. O Sport de Soso mostrou espírito de luta e recolocou o clube na briga direta pelo G-6, mas terá que corrigir a lentidão na criação e a pontaria deficitária se quiser transformar o choque anímico em uma arrancada definitiva rumo à Série A.