O Fluminense derrotou o Vasco por 1 a 0 neste sábado (5), no Maracanã, em confronto pelo Brasileirão. O único gol da partida, marcado por Lucho Acosta no início do segundo tempo, foi suficiente para encerrar uma sequência de quatro clássicos sem perder do Cruzmaltino, que havia vencido o rival no primeiro turno e o eliminado na Copa do Brasil.
Com o resultado, o Vasco segue na 17ª posição, com 25 pontos, dentro da zona de rebaixamento, enquanto o Fluminense chegou aos 45 pontos e permanece na briga pela parte de cima da tabela.
Como as equipes entraram em campo
Pedro Emanuel escalou o Vasco no 4-1-4-1: Léo Jardim; Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton; Tchê Tchê como volante único; Adson, Thiago Mendes, Cauan Barros e Andrés Gómez no meio ofensivo; e David centralizado no ataque.
Do outro lado, o técnico Marcão manteve o Fluminense no 4-2-3-1, com Fábio; Guga, Ignácio, Millán e Renê; Martinelli e Hércules como dupla de contenção; Canobbio, Luciano Acosta e Soteldo armando as jogadas; e Hulk como referência de área.
A partida
O Vasco tomou a iniciativa logo nos primeiros minutos e incomodou o Fluminense no campo de defesa. Aos cinco minutos, Piton arriscou de longe e mandou por cima do gol. Pouco depois, um erro de saída de bola tricolor quase resultou em gol vascaíno: Thiago Mendes recebeu na área e finalizou, mas Renê bloqueou em cima da linha. O próprio Piton teve mais uma chance minutos depois, batendo forte para o gol.
Apesar da pressão inicial, faltou pontaria na finalização para o Vasco converter o volume de jogo em vantagem no placar, e as equipes foram para o intervalo sem gols.
O segundo tempo começou com o Fluminense em outra postura, mais agressivo e vertical. Aos três minutos, Hulk achou Ganso na entrada da área, e o atacante exigiu boa defesa de Léo Jardim. A pressão tricolor deu resultado aos 15 minutos: Hulk novamente foi acionado, encontrou Soteldo pela esquerda, e o venezuelano cruzou na medida para Lucho Acosta, que ganhou de Piton na disputa e finalizou para abrir o placar.
Atrás no marcador, o Vasco buscou reação. Colidio fez o pivô para Thiago Mendes aos 24 minutos, mas o chute foi bloqueado pela defesa tricolor. Tchê Tchê também arriscou de fora da área pouco depois, sem sucesso diante de Fábio. O time aumentou a presença no ataque no restante da partida, mas sem qualidade suficiente no último terço para empatar.
Leitura tática: por que o Vasco perdeu?
A queda de rendimento do Vasco no segundo tempo explica a derrota. No primeiro tempo, o time de Pedro Emanuel conseguiu o que buscava: pressionar a saída de bola do Fluminense e explorar erros individuais da defesa tricolor, como o lance que gerou a chance de Thiago Mendes. Só que essa estratégia dependia de sustentar a intensidade por 90 minutos e o Cruzmaltino não teve fôlego tático para isso.
Quando o Fluminense ajustou a postura no intervalo e passou a jogar mais direto, com Hulk servindo de referência para acionar Soteldo e Ganso nos espaços, o Vasco recuou sem conseguir reorganizar a marcação. Tchê Tchê como volante único no 4-1-4-1 ficou exposto contra a dupla de criação do Fluminense, e o setor pelo lado esquerdo onde Piton teve papel ofensivo no primeiro tempo, sofreu na transição defensiva, justamente o lado por onde saiu o gol.
Faltou ainda ao Clube da Colina converter em gol o domínio que teve na etapa inicial. Sem aproveitar a pressão do começo do jogo, a equipe deu ao Flu a chance de dominar o roteiro pelo resto da partida.
O contraste do “DNA Copeiro”

O resultado escancara o problema estrutural do time de Pedro Emanuel: contra o Fluminense, o Vasco vinha de um retrospecto positivo, com invencibilidade em duelos de mata-mata e confronto direto.
Só que essa competitividade pontual, ligada à intensidade e ao entrosamento tático em jogos únicos, não se repete na rotina do Brasileirão, que exige gestão de elenco, consistência defensiva e capacidade de sustentar um plano de jogo por 38 rodadas. O “DNA Copeiro” segue vivo nas competições de mata-mata, mas isso não tira o Vasco do Z4 e é essa a distância que o time de Pedro Emanuel ainda precisa encurtar.

