Remo vence Botafogo e agrava crise alvinegra no Brasileirão

Em mais uma atuação completamente apagada, o time do técnico Tite sofreu outra derrota e voltou a desperdiçar a oportunidade de se afastar da zona de rebaixamento

Foto: Samara Miranda/Remo

O Remo venceu o Botafogo por 2 a 1 na noite desta quarta-feira (28), no Mangueirão, em Belém, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com gols de Jajá e Leonel Picco, a equipe paraense encerrou um jejum de 12 partidas sem vencer na competição. Edenílson descontou para o Alvinegro, mas a reação tardia não foi suficiente para evitar mais um resultado negativo.

A derrota representa mais um capítulo preocupante da temporada alvinegra. Depois de perder por 3 a 0 para o Internacional, no Beira-Rio, o Botafogo voltou a apresentar um futebol pouco convincente, com dificuldades na criação, falhas defensivas e pouca capacidade de reação. O resultado aumenta a pressão sobre Tite e deixa a equipe em situação delicada na reta final do Brasileirão.

Um primeiro tempo de pouca inspiração

O Botafogo começou a partida com a responsabilidade de buscar um resultado positivo para se distanciar da zona de rebaixamento. No entanto, a equipe voltou a demonstrar os mesmos problemas apresentados nas últimas rodadas: pouca criatividade no setor ofensivo e dificuldades para controlar os ataques adversários.

O Remo, que também entrou em campo pressionado pela situação na tabela, mostrou mais intensidade nos primeiros minutos e aproveitou uma falha da defesa alvinegra para abrir o placar. Aos oito minutos, após cruzamento de Marcelinho pela direita, a defesa do Botafogo não conseguiu afastar a bola, e Jajá apareceu na pequena área para completar para o gol.

O gol deixou ainda mais evidente a fragilidade defensiva do Alvinegro. Mesmo diante de um adversário que atravessava uma longa sequência sem vitórias, o time de Tite voltou a permitir que o rival encontrasse espaços em sua área.

Após sofrer o gol, o Botafogo tentou assumir o controle da posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar o domínio territorial em chances claras. A equipe até levou perigo em algumas jogadas, como no cabeceio de Arthur Cabral que acertou o travessão, mas não conseguiu estabelecer uma pressão consistente sobre o adversário.

O primeiro tempo terminou com a sensação de que o Alvinegro tinha a bola, mas não sabia o que fazer com ela. Enquanto o Remo conseguia explorar os espaços e ameaçar em transições, o Botafogo apresentava um futebol previsível e pouco agressivo.

Segundo gol expõe novamente a defesa

Na volta do intervalo, o cenário ficou ainda mais complicado para o Botafogo. Logo no início da segunda etapa, Leonel Picco aproveitou uma sobra na área e acertou uma finalização forte, sem chances para Gabriel Batista, ampliando a vantagem do Remo para 2 a 0.

O gol evidenciou novamente os problemas de posicionamento e proteção da área alvinegra. Em uma partida na qual precisava demonstrar concentração e competitividade, o Botafogo voltou a sofrer um gol em um momento crucial, dificultando ainda mais qualquer possibilidade de reação.

Com a desvantagem de dois gols, Tite promoveu mudanças para tentar modificar o panorama da partida. O time passou a se lançar mais ao ataque e conseguiu aumentar a presença no campo ofensivo, mas continuou encontrando dificuldades para construir jogadas com qualidade.

A reação só ganhou força aos 37 minutos do segundo tempo, quando Edenílson aproveitou uma jogada construída pelo lado esquerdo e diminuiu o placar para 2 a 1. O gol deu esperança ao Alvinegro nos minutos finais, que passou a buscar o empate, mas a equipe não conseguiu transformar a pressão em uma nova bola na rede.

O Botafogo terminou a partida com mais posse de bola e maior volume de passes, mas esses números não se converteram em eficiência. A equipe finalizou pouco na direção do gol e voltou a mostrar que controlar a bola não significa necessariamente controlar o jogo.

Tite ainda não encontrou o caminho

A sequência recente do Botafogo é preocupante. Desde a chegada de Tite, o time não conseguiu apresentar uma evolução consistente e voltou a acumular resultados negativos justamente no momento em que cada ponto se torna fundamental para garantir a permanência na Série A.

A vitória sobre a Chapecoense, por 1 a 0, havia criado a expectativa de uma reação. Entretanto, as derrotas para Internacional e Remo mostraram que os problemas continuam presentes, tanto na organização defensiva quanto na construção ofensiva.

Mais do que os resultados, preocupa a maneira como o Botafogo tem se comportado em campo. A equipe apresenta dificuldades para reagir quando sofre um gol, encontra poucos caminhos para furar defesas organizadas e comete erros que facilitam a vida dos adversários.

Contra o Remo, o Alvinegro enfrentou um adversário que não vencia havia 12 jogos no Brasileirão. Ainda assim, não conseguiu impor sua superioridade técnica e saiu de Belém derrotado. O resultado aumenta os questionamentos sobre as escolhas de Tite e sobre a capacidade do elenco de responder à pressão na reta final.

Situação na tabela fica mais preocupante

Com a derrota, o Botafogo permanece com 39 pontos e ocupa a 11ª colocação, mas vê a distância para a zona de rebaixamento diminuir em meio à disputa acirrada na parte inferior da tabela. O Alvinegro ainda depende dos resultados dos concorrentes diretos, mas já não pode desperdiçar tantos pontos sem correr riscos maiores.

O Internacional, que venceu o próprio Botafogo por 3 a 0 na rodada anterior, chegou aos 35 pontos e deixou momentaneamente o Z-4. Outros concorrentes também seguem na briga para escapar do rebaixamento, tornando a classificação cada vez mais apertada.

Já o Remo chegou aos 29 pontos, permaneceu na 19ª posição e ainda tem uma distância considerável para o primeiro clube fora da zona de rebaixamento. Apesar disso, a vitória diante do Botafogo encerra um longo jejum e mantém viva, ao menos matematicamente, a esperança de permanência.

Para o Botafogo, o cenário é claro: a equipe precisa voltar a vencer e recuperar a competitividade antes que a situação se complique de vez. A margem de segurança diminui, e a sequência de atuações ruins não permite mais tratar a permanência na primeira divisão como algo garantido.

Próximo compromisso exige resposta imediata

O Botafogo terá pouco tempo para assimilar a derrota e corrigir os erros. O próximo compromisso será contra o Atlético-MG, na quarta-feira (4 de novembro), no Estádio Nilton Santos, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Diante de sua torcida, o Alvinegro precisará apresentar uma postura diferente, com mais organização defensiva, intensidade e criatividade no ataque. Em um momento no qual a pressão aumenta a cada rodada, conquistar os três pontos será fundamental para evitar que a luta contra o rebaixamento se transforme em uma crise ainda maior.

O resultado em Belém deixa um alerta evidente: se o Botafogo não mudar rapidamente seu desempenho, a reta final do Brasileirão poderá se tornar muito mais dramática do que o torcedor imaginava.