Brasil cai para Espanha nas quartas da Copa do Mundo Feminina Sub-20

As Canarinhas não conseguiram performar diante da atual campeã, o que gera questionamentos sobre a qualidade e investimento na categoria

Foto: Luciana Vermell/CBF
Foto: Luciana Vermell/CBF

O Brasil está eliminado da Copa do Mundo Feminina Sub-20. Neste sábado (19), a Seleção perdeu por 1 a 0 para a Espanha, na Arena Sosnowiec, na Polônia, e deu adeus à competição ainda nas quartas de final. O único gol da partida foi marcado por Pau Comendador, aos 27 minutos do primeiro tempo. Apesar de uma melhora brasileira depois do intervalo, a equipe não conseguiu transformar a maior posse de bola e a pressão ofensiva em oportunidades claras para buscar o empate.

O primeiro tempo da atual campeã

A Espanha começou a partida impondo seu ritmo e controlando a posse de bola. Com troca rápida de passes e movimentação constante, as espanholas conseguiram fazer a defesa brasileira trabalhar desde os primeiros minutos. A Amarelinha encontrava dificuldades para recuperar a bola e, quando conseguia avançar, não tinha facilidade para construir jogadas próximas da área adversária. A equipe espanhola, por outro lado, circulava a bola com paciência e procurava espaços para chegar ao gol de Thais Lima.

Brasileiras nivelam a partida

A pressão espanhola acabou dando resultado aos 27 minutos. Rosalia Domínguez recebeu com liberdade pelo lado esquerdo e teve espaço para levantar a cabeça antes de cruzar para Pau Comendador. A atacante apareceu em boa posição para finalizar e abriu o placar na Arena Sosnowiec. O gol obrigou o Brasil a mudar sua postura, mas a Seleção ainda teve dificuldades para responder antes do intervalo. Camilla Orlando promoveu a entrada de Clarinha ainda na primeira etapa, tentando aumentar a presença ofensiva brasileira, porém a Espanha continuou controlando boa parte das ações até o fim dos primeiros 45 minutos.

Na volta do intervalo, Camilla Orlando fez novas mudanças para tentar modificar o cenário da partida. Dulce e Brendha entraram, e o Brasil passou a adiantar a marcação, ficar mais tempo com a bola e buscar uma postura mais agressiva. A mudança fez a Seleção crescer no jogo e diminuir o domínio espanhol apresentado na primeira etapa. Com mais posse, as Canarinhas passaram a chegar com maior frequência ao campo de ataque e começaram a testar a goleira Laia Lopez.

Insuficiência e reflexos

Apesar da melhora, o Brasil não conseguiu transformar a reação em chances realmente perigosas. A Seleção passou a controlar mais a bola, mas encontrou dificuldades para finalizar com qualidade e levar a goleira espanhola a trabalhar de maneira constante. Enquanto o relógio avançava, La Rojita passou a encontrar espaços para explorar os contra-ataques e também teve oportunidades para ampliar. Nos minutos finais, a melhor chance espanhola de marcar o segundo gol terminou na trave, mantendo o Brasil vivo até os últimos instantes.

A equipe brasileira ainda tentou pressionar em busca do empate, mas a Espanha conseguiu administrar a vantagem e confirmou a classificação para a semifinal. Com o resultado, o Brasil adia novamente o sonho do primeiro título mundial da categoria. A melhor campanha brasileira na Copa do Mundo Sub-20 feminina continua sendo o terceiro lugar, alcançado nas edições de 2006 e 2022.

A eliminação brasileira deixa, portanto, duas discussões em aberto: até que ponto faltou futebol para superar uma Espanha mais organizada e quanto o cenário das categorias de base influencia no desenvolvimento das novas gerações do futebol feminino nacional? O resultado em campo aponta para uma Espanha eficiente e um Brasil que cresceu após o intervalo, mas não conseguiu transformar sua reação em gols. Ao mesmo tempo, a campanha volta a colocar os investimentos, a estrutura e o cuidado com a formação de jovens atletas no centro do debate sobre o futuro da Seleção – estando próxima de uma Copa do Mundo sediada no país.

O resultado dentro de campo não pode ser explicado por um único fator, e a Espanha também mostrou organização e qualidade durante boa parte do confronto. Ainda assim, a dificuldade brasileira para criar diante de uma adversária que controlou o jogo na primeira etapa nos trás a reflexão sobre o preparo e o cuidado oferecidos às jovens jogadoras que chegam às seleções de base.

A Espanha, atual campeã mundial da categoria, segue na busca pelo bicampeonato. O primeiro título veio em 2022, justamente após vitória sobre o Japão na decisão. Agora, as espanholas enfrentam a Itália na semifinal, em partida marcada para quarta-feira (23), às 10h (de Brasília).