Max Verstappen afirmou que considera seriamente deixar a Fórmula 1 ao fim da temporada de 2026. A declaração veio após o Grande Prêmio do Japão, disputado no Circuito de Suzuka, onde o piloto terminou na oitava colocação. A informação foi publicada pelo jornal holandês De Telegraaf e reforçada em entrevista à BBC.
O tetracampeão destacou que sua insatisfação não está ligada ao desempenho da Red Bull Racing, mas sim às mudanças implementadas no regulamento técnico da categoria, principalmente em relação à forma de pilotagem exigida pelos carros de 2026.
“É isso que eu estou dizendo. Estou pensando sobre tudo dentro deste paddock. Na vida privada, estou muito feliz. Você também espera por 24 corridas – desta vez 22, mas normalmente 24. E você pensa: ‘Vale a pena? Ou eu aproveito mais estando em casa com a minha família? Vendo mais meus amigos quando você não está aproveitando seu esporte?’”
A temporada de 2026 marca uma ampla reformulação na Fórmula 1, com mudanças no chassi e, principalmente, nas unidades de potência. A parte elétrica passou a representar cerca de metade da potência dos carros, o que tem gerado críticas entre pilotos do grid.
“Eu posso aceitar facilmente ser 7º ou 8º, porque sei que você não pode toda vez dominar, ser primeiro ou segundo, lutar por pódios. Eu sou muito realista sobre isso, já estive nessa situação antes. Eu já estive sem vencer na F1. Mas ao mesmo tempo, quando você está em 7º ou 8º e não está gostando de toda a fórmula por trás disso, não parece natural para um piloto de corrida”
Um dos principais pontos de insatisfação é a dificuldade de recarga da bateria durante as voltas. Mesmo com técnicas como frenagem regenerativa e o chamado “lift and coast”, a energia disponível tem sido insuficiente em diferentes situações, especialmente em classificações e em circuitos com longas retas.
“É claro que eu tento me adaptar a isso, mas não é legal a forma como você tem que correr. É realmente antipilotagem. Então chega a um ponto em que, sim, não é o que eu quero fazer. Claro que você pode olhar isso e fazer muito dinheiro. Legal. Mas no fim das contas isso não é mais sobre dinheiro, porque essa sempre foi minha paixão”
Esse cenário tem provocado a perda de velocidade no meio das retas, fenômeno conhecido como superclipping. Apesar do aumento no número de ultrapassagens, há críticas sobre a naturalidade dessas disputas, e Verstappen é um dos principais críticos do atual modelo.
Na atual temporada, o piloto ocupa a nona colocação no campeonato, com 12 pontos somados. Apesar dos resultados, ele reforçou a relação com a equipe.
“Quero estar aqui para me divertir, aproveitar ao máximo e curtir. No momento, não é bem o que está acontecendo. Claro que eu gosto de certos aspectos; gosto de trabalhar com minha equipe, é como uma segunda família. Mas quando eu me sento no carro, infelizmente não é o mais agradável. Estou tentando. Fico me dizendo todo dia para tentar e aproveitar, mas é muito difícil”
Verstappen tem contrato com a Red Bull até 2028, mas cláusulas de desempenho podem permitir uma saída antecipada

