Pressionados por dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão, clubes como o Corinthians buscam fôlego financeiro em uma nova legislação voltada para casos extremos. A proposta, que pretende regulamentar a relação entre endividamento e contratações, surge como uma tentativa de sanear o futebol brasileiro e evitar um possível colapso financeiro das instituições.
A mercantilização do futebol com a chegada do ramo publicitário não chegou da noite para o dia, mas passou por uma construção que se intensificou desde os anos 1970 e 1980 com a chegada das transmissões da televisão brasileira, bem como o marketing esportivo.
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Anterior ao processo de intensificação dos patrocínios, o Bangu time carioca pioneiro na inclusão racial, também se tornou precursor na implementação do patrocínio com a Fábrica Bangu, em 1948.

Embora a profissionalização dos jogadores tenha sido feita no início do século XX , as preocupações com fair play financeiro, ou seja, a saúde financeira dos clubes de não gastar mais do que sua arrecadação surgiram no próprio século XXI. Por ser uma discussão nova no meio futebolístico, alguns clubes acabam sofrendo com a gestão.
No futebol brasileiro, há a discussão recorrente entre Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e elencos das Séries A, B, C e D para propor uma solução ao tema. Como resposta a esse cenário, a entidade apresentou, no fim de 2025, um pacote de medidas financeiras que deverá começar a ser aplicado a partir de 2026.

Por consequência, alguns clubes como Corinthians e Atlético-MG, que possuem dívidas superiores a um bilhão de reais, terão de de se adequar às novas medidas não só da CBF, mas também critérios da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Lei do bilhão pago
Entre as propostas discutidas está a chamada “Lei do Bilhão Pago”, voltada a clubes com endividamento considerado crítico. Inicialmente, a medida teria aplicação apenas no futebol brasileiro. Caso apresente resultados positivos, o modelo poderia ser apresentado para a International Football Association Board (IFAB).
O processo é rigoroso, envolve estudos, testes em campo e votação, geralmente visando aumentar saúde do clube e evitar condutas antidesportivas que prejudiquem o cumprimento da lei.
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A proposta estabelece que clubes com dívidas superiores a R$ 1 bilhão deverão apresentar um plano de redução desse valor para aproximadamente R$ 850 milhões ao longo de um período determinado. Para isso, as equipes precisarão comprovar capacidade de geração de receita e apresentar um plano de pagamento com prazo de até 10 anos.
Caso fique demonstrado que o clube não possui capacidade financeira para cumprir esse prazo, a CBF poderá solicitar à entidade máxima do futebol a ampliação do período de pagamento para até 20 anos.
Se for comprovado que a receita do clube não for capaz de pagar a dívida em uma década, a Confederação chefiada por Samir Xaud deve enviar um ofício para pedir a entidade máxima do futebol o aumento do prazo para o pagamento em até 20 anos.

Caso o clube tenha condições e não pague no prazo estipulado e o acordo não seja fechado , o corpo esportivo do clube sofrerá transfer ban, até que a dívida seja reduzida ao valor definido.
Exemplo prático
Na tabela abaixo, foi feito um estudo de caso com informações de faturamento e dívidas, baseados em dados de transparência dos clubes em 2025.
No caso do Corinthians, a situação é mais complexa, uma vez que a dívida total do Timão é de estimada em R$ 2,8 bilhões, mas a PGFN ofertou um desconto à diretoria do Parque São Jorge em 46,6% sobre o valor total das multas e juros, permitindo o parcelamento do restante da dívida em até 120 meses.
| Time | Valor | L(T) | Ano 1 | Ano 2 | Ano 3 | Ano 4 | Ano 5 | Ano 6 | Ano 7 | Ano 8 | Ano 9 | Ano 10 | Ano 11 |
![]() | R$ 1,2 Bilhão | R$ 790 Milhões | R$ 1,1 B | R$ 1,05 B | R$ 1B | R$ 950 M | R$ 900 M | R$ 850 M | N/A | N/A | N/A | N/A | N/A |
![]() | R$ 1,4 B | ±R$ 800 M | R$ 1,35B | R$ 1,3B | R$ 1,25B | R$ 1,2B | R$ 1,15 B | R$ 1,1 B | R$ 1,05B | R$ 1B | R$ 950 M | R$ 900 M | R$ 850 M |



