A casa caiu no Santiago Bernabéu. O Real Madrid anunciou nesta segunda-feira (12) a demissão de Xabi Alonso, encerrando precocemente um projeto que nasceu cercado de expectativa e terminou sob o peso de uma derrota dolorosa para o Barcelona, na final da Supercopa da Espanha, no último domingo. O clássico decisivo foi o estopim de uma crise que já vinha ganhando corpo nos bastidores e selou o destino do treinador.
Ídolo eterno como jogador, Xabi Alonso havia sido escolhido para dar continuidade ao legado deixado por Carlo Ancelotti no início da temporada. A aposta, porém, durou menos de oito meses. Apesar de números que, à primeira vista, impressionam — 24 vitórias em 34 partidas, com 72 gols marcados e 38 sofridos —, o desempenho em momentos-chave e a incapacidade de vencer confrontos diretos decisivos minaram a confiança da diretoria e da torcida.

O cenário atual ajudou a acelerar a decisão. O Real Madrid ocupa a segunda colocação de LaLiga, quatro pontos atrás do rival Barcelona, e aparece apenas em sétimo lugar na fase de liga da Champions League, ainda na zona de classificação direta para as oitavas de final, mas distante do protagonismo europeu que se espera no Bernabéu. Para um clube que vive sob a lógica da excelência imediata, o “quase” nunca é suficiente.
Para apagar o incêndio e tentar devolver estabilidade ao vestiário, a diretoria recorreu a um nome da casa. Álvaro Arbeloa, de 42 anos, ex-lateral e multicampeão com a camisa merengue, assume o comando da equipe principal após passagem pelo Real Madrid Castilla. Trabalhando na base desde 2020, Arbeloa construiu trajetória vitoriosa nas categorias infantis e juvenis, ganhou força internamente e passou a ser visto como um líder natural, preparado para dar o próximo passo.

Como jogador, Arbeloa defendeu o Real Madrid por sete temporadas, conhecendo como poucos o peso do escudo, a pressão das arquibancadas e a exigência por títulos. Agora, o desafio é ainda maior: liderar um elenco estrelado em meio a turbulências, reconstruir a confiança da torcida e recolocar o clube no caminho das conquistas.
No Bernabéu, o tempo raramente perdoa. E, mais uma vez, a história mostrou que, no Real Madrid, o passado glorioso não garante o futuro, apenas aumenta a cobrança por grandeza imediata.

