O Palmeiras foi até o Maracanã e voltou com a vitória por 2 a 1. Gols de Flaco López, aos 45 minutos do primeiro tempo, e de Marlon Freitas, aos 85, garantiram a vitória sobre o Fluminense, na noite de quarta-feira (14), na ida da semifinal da Libertadores. Wesley Natã descontou nos acréscimos e manteve o confronto vivo.
Na volta, quarta-feira (21), às 21h30, no Nubank Parque, o Verdão avança com qualquer vitória ou empate. Sem Abel Ferreira, suspenso após a expulsão contra a LDU, o time foi comandado pelo auxiliar João Martins e manteve a organização que o levou à vantagem.
O jogo
O Fluminense dominou a bola e o território, mas não transformou o domínio em perigo. Na primeira etapa, o time de Marcão pressionou a saída palmeirense e criou as primeiras chances. Hulk recebeu em profundidade e chutou cruzado, no meio do gol, nas mãos de Carlos Miguel. Depois de lançamento de Ganso, Canobbio finalizou de primeira e mandou por cima.
A primeira chegada realmente perigosa do Palmeiras veio aos 45. Em contra-ataque, Piquerez levantou a bola na área, e Flaco López finalizou de primeira para vencer Fábio. O Palmeiras foi para o intervalo na frente, depois de passar quase toda a etapa sem a bola.
No segundo tempo, o Fluminense manteve a posse, mexeu no time com Hércules, Serna, Lucho Acosta e Castillo e passou a apostar mais em bolas aéreas. Canobbio cabeceou e parou em Carlos Miguel. Quanto mais o time carioca se expunha, mais espaço o Palmeiras encontrava. Aos 85 minutos, Felipe Anderson participou da jogada, e Marlon Freitas bateu de dentro da área para fazer 2 a 0.
Nos acréscimos, Nonato acionou Guga pela direita. O lateral cruzou, e Wesley Natã ganhou de Gustavo Gómez pelo alto para cabecear e descontar, aos 93. O lance expôs uma falha de comunicação entre a defesa e Carlos Miguel, que ficou no meio do caminho. Jhon Arias, ex-Fluminense, foi alvo de vaias e xingamentos da torcida tricolor durante a partida.
Análise tática
Sem a bola, o Palmeiras fechou o meio. Murilo, Gustavo Gómez e Barboza formavam a linha de três, com Giay e Piquerez recuando para compor uma linha de cinco, e Flaco López sozinho como referência à frente. A compactação entre os setores empurrou o Fluminense para os lados e para longe da área.
O Fluminense teve a bola, mas não teve profundidade. Ganso tentou romper linhas com passes verticais, e Hulk saiu da área para ajudar na construção. Faltaram velocidade de circulação, movimentação entre as linhas e ataque às costas dos alas palmeirenses. Com o passar do tempo, os cruzamentos ganharam espaço e o ataque ficou previsível.
Os contrastes já apareciam nos números da competição. Antes do jogo, o Fluminense tinha a terceira maior média de posse da Libertadores (62,4%), enquanto o Palmeiras liderava em finalizações por partida (16,3), segundo levantamento publicado na véspera. O Maracanã repetiu o roteiro: uma equipe controlou, a outra decidiu.
Nas substituições, Marcão buscou aceleração com Serna e criatividade com Lucho Acosta e Castillo, sem resolver o problema de infiltração. O Palmeiras manteve a estrutura e trocou por jogadores capazes de segurar a bola e acelerar contra-ataques: Maurício, Felipe Anderson e Sosa. Felipe Anderson participou do segundo gol.
Há pontos de atenção para o Palmeiras. O time criou pouco e dependeu da eficiência: o gol de Flaco López foi sua primeira chegada de perigo. Teve ainda contra-ataques em vantagem numérica para ampliar e parou em Fábio. Na defesa, o gol sofrido nasceu de bola aérea e de falha de comunicação entre Gómez e Carlos Miguel, ponto que o Fluminense deve explorar na volta.
João Martins e a organização sem Abel
João Martins não chegou ao Maracanã como improviso. Ele trabalha com Abel Ferreira há mais de uma década, desde as categorias de base do Sporting. Entre suas funções na comissão estão a preparação física e a ligação com a logística, segundo perfil publicado pelo Goal. No início de 2026, quando já havia substituído o titular em 29 jogos, seu retrospecto era de 16 vitórias, oito empates e cinco derrotas. Antes da semifinal, vinha de duas vitórias e um empate nos três últimos jogos sob seu comando.
O que ficou visível em campo e nas declarações públicas aponta para quatro movimentos. O primeiro foi a continuidade do sistema: Martins manteve a linha de três zagueiros, que, segundo o Portal do Palestra, havia vencido os seis jogos em que atuou junta, e recebeu Gustavo Gómez de volta após suspensão. O time chegava embalado pela goleada por 4 a 1 sobre o Corinthians, três dias antes. O segundo foi ajustar o desenho ao adversário: na vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, em 8 de outubro, ele explicou que usou três zagueiros por causa das características ofensivas do rival, e no Maracanã aplicou a mesma lógica contra o time de maior posse, com linha de cinco, compacta, e um atacante de referência.
O terceiro foi a disciplina sem a bola e a escolha das trocas. O Palmeiras aguentou a pressão do primeiro tempo sem desmontar o posicionamento, e o bloco só foi vazado em bola aérea, nos acréscimos. Maurício, Felipe Anderson e Sosa deram mais condução de bola sem abrir mão da compactação, e a jogada do segundo gol passou por Felipe Anderson. O quarto foi o discurso de foco: após o empate sem gols com o Grêmio, Martins repetiu a conta de que “faltam 16 finais” e descartou priorizar uma competição.
Os bastidores do planejamento, como a comissão dividiu tarefas durante a semana e quanto Abel participou à distância, não foram detalhados nas fontes consultadas. A seção descreve o que se pôde observar no jogo e nas falas públicas.
Projeção para a volta
O Palmeiras decide a vaga em casa, quarta-feira (21), às 21h30, no Nubank Parque, por ter feito a melhor campanha da fase de grupos. Abel Ferreira volta ao banco. O gol de Wesley Natã mudou a conta: o Fluminense já não precisa vencer por três gols, e sim por dois.
Na prática, o Verdão avança com vitória ou empate. Se o Fluminense vencer por um gol, a vaga vai para os pênaltis, e uma vitória tricolor por dois gols ou mais leva o Fluminense à final.
Com Abel de volta, a expectativa é de bloco compacto, de pouca exposição e de transições rápidas, que renderam os dois gols no Maracanã. O time busca a sexta semifinal de Libertadores em sete anos e o primeiro título continental desde 2020. A dúvida está no ataque: Vitor Roque ficou fora da ida com entorse no tornozelo direito, e Ramón Sosa, que voltou a treinar e entrou no Maracanã, precisa ser reavaliado ao longo da semana.
O Fluminense precisa marcar cedo, acelerar a circulação e atacar as costas dos alas. Hulk, Ganso, Savarino e Canobbio terão de criar mais do que criaram no Rio. O risco é conhecido: quanto mais jogadores no ataque, mais espaço para o contra-ataque palmeirense, como no gol de Marlon Freitas. Antes disso, o Fluminense enfrenta o Santos no domingo (18), pelo Brasileirão.
O Palmeiras é favorito, e o motivo é estrutural: precisa apenas não perder, joga em casa e vive de transições, justamente o que o Fluminense concede quando se lança ao ataque. O cenário mais provável é de um Palmeiras fechado e de um Fluminense com a bola, repetindo o roteiro da ida, mas com mais urgência. Um gol cedo do Tricolor, especialmente em bola aérea, que foi o ponto frágil dos acréscimos, tornaria a noite tensa. O favoritismo é palmeirense, mas a vaga só se decide nos 90 minutos de quarta.

