Derrota para o Cruzeiro expõe problemas do São Paulo para 2027

Derrota por 2 a 0 no Mineirão é a segunda seguida do Tricolor, que chega a 12 jogos sem vencer como visitante

São Paulo começou o clássico pressionando o Santos no MorumBIS. Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC

O São Paulo perdeu por 2 a 0 para o Cruzeiro na noite desta quarta-feira (7), no Mineirão, pela 29ª rodada do Brasileirão. Kaio Jorge e Zé Lucas marcaram os gols que levaram os mineiros ao G-4. Para o Tricolor, o resultado repete um problema antigo: é o 12º jogo seguido sem vitória longe do Morumbis, e a última vitória como visitante foi em março, sobre o RB Bragantino.

Sobre o jogo

O São Paulo chegou ao Mineirão com quatro desfalques no elenco depois da derrota para o Santos na sexta-feira (2), e Dorival Júnior montou o time com três zagueiros e Calleri e Artur na frente. A partida foi equilibrada nos primeiros minutos. Wendell finalizou forte aos cinco minutos e parou em Otávio, e, aos 18, Bobadilla viu William desviar o rebote.

Mas o Cruzeiro foi mais incisivo, e a diferença apareceu no fim do primeiro tempo. Aos 43, Felipe Morais acionou Matheus Pereira, que deu um passe de letra para Kaio Jorge bater entre os zagueiros. Na etapa final, Bruno Rodrigues chutou, Coronel deu o rebote, a bola bateu no travessão e Zé Lucas cabeceou para ampliar. A noite poderia ter sido pior: Coronel fez várias defesas importantes e impediu um resultado pior para o tricolor.

Depois de levar o segundo gol, o São Paulo pouco ameaçou. Mostrou passividade e pouco combate, sem criar nada de relevante no segundo tempo. Artur ainda exigiu defesa de Otávio em cobrança de falta, mas foi só. Um time sem a intensidade e a criação necessárias para reagir quando perde, justamente o que se espera de quem tem pretensões maiores que fugir da parte de baixo.

O fantasma do Z-4

Os números explicam o desconforto. O São Paulo está em 11º, com 36 pontos, a cinco do Internacional, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. Em 19 de setembro, após vencer o próprio Inter, a vantagem sobre o Grêmio, então primeiro do Z-4, era de oito pontos, e a equipe respirava depois do pior momento da temporada, quando ficou dez rodadas sem vencer e viu torcidas organizadas cobrarem o elenco no CT.

O susto, portanto, ainda não passou. Faltam nove rodadas, e o clube já chegou a tratar 45 pontos como meta para evitar a queda. Para chegar lá, bastam nove pontos, algo possível com a vantagem de jogar em casa contra o Vitória, no sábado (10), às 21h, no Morumbis. Mas, enquanto o time não resolver o rendimento fora de casa, qualquer tropeço no Morumbis reabre a conta. Hoje o risco é menor do que foi em agosto, mas não é impossível.

Olhando para 2027

O planejamento do São Paulo começa com uma indefinição: o contrato de Dorival Júnior vai até o fim de 2026 e o clube ainda não renovou com o treinador. A decisão sobre o comando técnico vai pesar em todo o resto, inclusive em quem fica e quem sai do elenco.

O dinheiro curto é o outro pano de fundo. A Fifa aplicou um novo transfer ban por uma dívida de 300 mil dólares com os agentes do meia Giuliano Galoppo, que defendeu o clube de 2022 a 2025 e hoje joga no Atlanta United, emprestado pelo River Plate. É o segundo ban da temporada: o primeiro, por uma dívida de 1,05 milhão de euros com a Lazio, durou pouco mais de 15 dias e foi retirado no início de agosto. Dorival já admitiu que a diretoria precisa buscar jogadores sem aportes iniciais e que é preciso “usar a criatividade”.

Nesse cenário, os jogadores emprestados cujos vínculos de cessão terminam no fim do ano viram uma fonte de reforços sem custo de transferência. O caso mais promissor é o do lateral Maílton, titular absoluto do Fortaleza, que somava 31 jogos, quatro gols e cinco assistências no primeiro semestre. O goleiro Jandrei também chama atenção: titular do Juventude desde 2025, entrou em campo 26 vezes em 2026, sofreu 16 gols e terminou 14 partidas sem ser vazado, o que pode ser uma alternativa para o gol. O zagueiro venezuelano Ferraresi, emprestado ao Botafogo, assumiu a titularidade e somava 16 jogos e um gol, o que interessa a um setor defensivo que tem preocupado Dorival.

Outros casos são mais incertos. O lateral esquerdo Patryck ganhou espaço no Campeonato Gaúcho, mas sofreu uma lesão na coxa e ficou cerca de quatro meses parado, com apenas oito jogos na temporada. O volante Iba Ly teve pouca sequência no Juventude, e o meia Alisson, no Fluminense, ainda alterna entre titular e reserva. Com vários vínculos chegando ao fim, a diretoria terá de decidir se aproveita os emprestados em bom momento ou se os negocia para fazer caixa.