A Fórmula 1 segue direto para a 17ª etapa da temporada 2026, em Singapura, entre os dias 9 e 11 de outubro, no circuito urbano de Marina Bay. O fim de semana vem logo depois de uma corrida caótica na Malásia, onde o GP do Bahrein foi realizado em Sepang, após a mudança forçada pelo cenário no Oriente Médio. A prova teve forte chuva, problemas técnicos nos carros ainda na volta de apresentação e um atraso de mais de 1h30 para a largada. Foi nesse cenário que Max Verstappen largou mal, perdeu posições para as duas Mercedes, reagiu e venceu à frente de Kimi Antonelli e Lewis Hamilton, conquistando o primeiro triunfo dele em 2026. A vitória também confirmou a evolução recente da Red Bull, que colocou Isack Hadjar em quinto.
Um ano depois: o que aconteceu em Singapura em 2025
George Russell fez um fim de semana perfeito em 2025: largou na pole position e venceu a corrida com a Mercedes, à frente de Verstappen e de Lando Norris. A tensão ficou atrás dos líderes, já que Norris, que largou em quinto, passou por Antonelli e atacou Piastri na primeira curva, chegando a tocar na traseira de Verstappen na disputa com o companheiro de equipe. Mesmo com a vitória de Russell, a McLaren garantiu ali o título de construtores, com o terceiro lugar de Norris e o quarto de Piastri. Russell, aliás, tinha uma conta a acertar: ele declarou que, dois anos antes, havia desperdiçado uma oportunidade em Marina Bay e que a vitória compensava aquilo. Há ainda uma curiosidade que deixa a edição de 2026 mais interessante: Antonelli terminou em quinto lugar em 2025, atrás de Russell, Verstappen e dos dois McLaren, e à frente das duas Ferrari. Um ano depois, os dois pilotos da Mercedes são o primeiro e o segundo colocados do campeonato.

Por que Singapura vale tanto para Antonelli?
Para Kimi Antonelli, Marina Bay chega em um momento de transição, isso porque o italiano deixou de ser o jovem talento que surpreende e virou o piloto a ser batido. Ele lidera o campeonato desde a terceira etapa, no Japão, já venceu oito corridas em 2026 e chega a Singapura com 320 pontos, 84 a mais que Russell, o companheiro de Mercedes que é o vice-líder. Hamilton soma 214, Charles Leclerc tem 191, e Norris e Verstappen aparecem empatados com 188. A temporada de Antonelli já entrou para as estatísticas: depois de Mônaco, a vantagem de 66 pontos sobre o segundo colocado foi a maior após seis etapas desde que o sistema atual de pontuação foi adotado, em 2010, e ele ainda é apontado como o líder de campeonato mais jovem da história. A média de resultados também mostra a distância entre os dois: o resultado médio de Antonelli no ano é o primeiro lugar, contra 3,5 de Russell.
É por isso que este fim de semana pesa tanto. Singapura é a última Sprint da temporada, o que significa 33 pontos em jogo (8 da Sprint e 25 da corrida), a última chance de uma pontuação extra para quem quer reduzir ou ampliar a diferença. As contas mostram que o título não sai agora: restam seis corridas depois de Marina Bay, o que equivale a 150 pontos, e a imprensa italiana já apontava que Antonelli seria campeão se saísse de Singapura com 150 pontos de vantagem. Mesmo se Russell zerar e Antonelli levar tudo, a diferença chegaria no máximo a 117. Ou seja, o objetivo do italiano é outro: sair de Singapura com a vantagem engordada e deixar o título à distância de poucas etapas. As projeções feitas antes das últimas corridas apontavam o México, entre 30 de outubro e 1º de novembro, como o cenário provável para a festa.
Há também um componente pessoal. Em 2025, Antonelli mostrou o potencial dele em uma pista conhecida por punir jovens pilotos. Agora ele volta como líder, e o que está em jogo é administrar. Em Sepang, ele não gerenciou bem a relargada depois do safety car e acabou surpreendido por Verstappen e Russell, o que custou a vitória. Em uma pista de rua, cercada de muros e com ultrapassagem difícil, um erro desse tipo pode virar abandono, e abandono é o único adversário que realmente preocupa quem tem 84 pontos de frente.

Um circuito sem espaço para erros
Marina Bay é uma pista de rua, cercada de muros e disputada sob luzes artificiais. A precisão pesa mais do que em qualquer lugar, o calor e a umidade aumentam o desgaste físico e a corrida de 62 voltas costuma ser considerada uma das mais duras do calendário. Ultrapassar é notoriamente difícil: em 2025, Norris passou boa parte das voltas finais grudado em Verstappen sem conseguir completar a manobra. A prova também tem fama de imprevisível, e a chuva já atrasou a largada em 2022.
Singapura entrou no calendário em 2008 como o primeiro GP noturno da história da F1, e aquela edição ficou marcada por uma das maiores polêmicas do esporte, o episódio conhecido como “Crashgate”. Entre os vencedores recentes, Carlos Sainz venceu em 2023 e Norris em 2024. Sebastian Vettel segue como o maior vencedor da prova, com cinco vitórias.

Sprint muda o jogo
Será a primeira vez que Marina Bay recebe um fim de semana de Sprint, e também a sexta e última Sprint da temporada. Isso significa só um treino livre antes de a pista valer pontos, e as equipes terão que acertar o carro quase de primeira, já que a Qualificação Sprint acontece poucas horas depois do primeiro contato com o circuito. Na Sprint, o vencedor leva oito pontos, e a pontuação vai até o oitavo colocado, que recebe um.
Programação (horário de Brasília)
Sexta-feira (9/10)
- 5h30: Treino livre 1
- 9h30: Qualificação Sprint
Sábado (10/10)
- 6h: Corrida Sprint
- 10h: Classificação
Domingo (11/10)
- 9h: GP de Singapura (62 voltas)
Onde assistir
A corrida de domingo passa na Globo, em TV aberta, e também no SporTV, Globoplay e F1 TV. Vale conferir a grade da emissora para as sessões de sexta e sábado.
Verstappen chega com moral depois da pole e da vitória em Sepang, Antonelli precisa administrar a liderança, Russell tenta reduzir a distância para o companheiro e Hamilton e Norris querem entrar de vez na briga. Em Marina Bay, onde um erro pode virar safety car, o roteiro pode mudar a qualquer volta.

