O técnico interino do Botafogo, Rodrigo Bellão, falou sobre mais uma derrota do time no Brasileirão. Na noite desta segunda-feira, o Alvinegro foi derrotado pelo Athletico Paranaense por 3 a 2, no Nilton Santos. João Cruz e Viveros, duas vezes, marcaram para os paranaenses, enquanto Santi Rodríguez marcou os dois gols do time carioca no final da partida.
Para o técnico interino, o Botafogo teve uma boa reação após sofrer dois gols rapidamente, mas a falta de efetividade da equipe pesou na derrota.
“Eu acho que a equipe já está em processo de se levantar. Como eu falei um pouco na resposta anterior, eu vejo a equipe criando chances. Então, a gente precisa continuar buscando algumas atitudes. Aliás, na verdade, nem é atitude, acho que atitude não faltou para a equipe. A equipe buscou. Faltam alguns ajustes para que a gente consiga equilibrar e o resultado começar a acontecer. Então, eu acho que estamos muito perto de conseguir, com alguns ajustes, trazer resultados melhores. Eu acho que não é um desempenho, acho que é o resultado”.
Questão psicológica está pesando?
Bellão também foi questionado se a questão psicológica poderia estar pesando no desempenho do time.
“Para mim, não é uma questão psicológica. Como tivemos uma sequência negativa, isso acaba levando a um aflorar de nervos pela partida. Procuro olhar pelo outro lado até, porque mesmo com o placar adversário conseguimos criar muitas chances, fazer dois gols no final e terminar muitas jogadas. Se fosse uma questão psicológica, mental, a equipe teria recuado, baixado. Não é fácil controlar, após alguns resultados negativos, tomar um primeiro gol de início, um segundo gol e ainda criar mais. Eu veria uma parte psicológica ruim se não tivéssemos reagido no jogo, e acho que reagimos bem”.
O técnico também falou sobre o tempo de preparação até o próximo compromisso e destacou que terá apenas três sessões de treino com todos os jogadores.
“O período parece que é longo, mas, perante a ciência, eu tenho, na verdade, só três sessões de treino efetivas com todos os atletas. Como hoje é segunda, seriam quinta, sexta e sábado para o jogo de domingo, só para exemplificar que não são oito dias [desde o jogo contra o Cienciano], porque parece que eu tenho todos esses dias. Amanhã [terça] é folga, então, na terça-feira, eu consigo trabalhar mais os atletas que não jogaram, mas três dias já me ajudam a conseguir criar algumas situações”.
Outras respostas de Bellão
Mudanças e ajustes que precisam ser feitos
“No intervalo, é a gente conseguir entender o que nós fomos capazes de fazer na partida para a gente acreditar muito, porque eu acho que, mesmo antes de a gente tomar os dois gols, a estratégia estava bem traçada. A gente criou duas ou três chances antes de tomar o primeiro gol e tomamos dois gols rapidamente. Eu até tenho o hábito de chamar de efeito onda. Às vezes, você toma o primeiro gol, ainda está tentando se estabilizar, e é um momento delicado para as equipes. Às vezes, acabam tomando o segundo, e acho que aconteceu. A gente conseguiu ter um equilíbrio já da metade para o final do primeiro tempo, e é isso que eu tentei trazer para eles. Ajustei taticamente a equipe.
Eu joguei o Montoro no segundo tempo para fora, coloquei o Júnior Santos, para a gente ter o Montoro fazendo o movimento do Danilo, que era do outro lado. O contrário do Danilo: vindo para dentro. Era o Montoro agora vindo para dentro, deixando o corredor para o Telles, e acho que a gente foi muito feliz no segundo tempo nesse sentido. Adiantei o Medina também, e acho que a gente conseguiu criar muito, inclusive em transições do adversário. Quando eu achei que a gente começou a abafar um pouquinho mais, foi a hora que eu coloquei mais dois jogadores, o que é normal. Aí acho que teve um ganho grande.
É o que eu falo muito para os meus jogadores: acreditar. Eu acho que é possível e ainda acredito que, se tivesse mais um ou dois minutos de acréscimo, talvez a gente pudesse estar aqui falando de um placar diferente”.
Bellão também explicou como pensou a escalação e a possibilidade de utilizar Danilo em uma função mais avançada
“Hoje, a minha ideia foi entrar num 4-2-3-1, com o Edenílson jogando pelo lado, ali mais aberto. O Edenílson é um jogador com multifunções. Isso na carreira dele toda, e aí ele tem essa condição de jogar também aberto e vir por dentro, com a ideia de fazer rupturas nas costas dos laterais do Athletico
Tanto que várias das chances do primeiro tempo foram a bola do Vitinho nas costas do lateral deles, para o Edenílson fazer essa ruptura, e vice-versa. Também o Edenílson conseguindo fazer essas bolas para o Vitinho. Então foi muito nesse sentido, porque ele consegue jogar mais aberto.
O Danilo, eu vejo um cara que tem esse poderio ofensivo. Concordo, é um jogador bem box-to-box, como se fala. Mas eu não vejo ele caindo tanto aberto ou tendo uma leitura e execução igual à do Edenílson, que sabe jogar desse jeito por fora. O Danilo já é mais por dentro. Então, ele conseguindo fazer tanto o lado esquerdo quanto o lado direito, rompendo, atacando e pisando na área, esse box-to-box mais no corredor central, eu acho que é a qualidade maior dele. Com certeza, assim que ele estiver disponível, é uma maneira que eu vou tentar explorar cada vez mais, pisando na frente”.
Sobre a utilização de Santi e Matheus Martins
“Enquanto eles (Matheus Martins e Santi Rodríguez) estão no Botafogo, são nossos jogadores. Estão trabalhando normalmente. Confio e acredito em todos. Tanto que o Santi entrou e fez dois gols. Enquanto não tem nada concreto, não tem por que não usar. Confio neles, estão treinando para caramba. Se eu achar necessário, não tem problema nenhum”.
Sequência do Botafogo
O Botafogo agora terá seis dias de preparação até o próximo jogo, o clássico contra o Flamengo, no próximo domingo (30), às 16h, no Maracanã. O Alvinegro está na 11ª colocação do Brasileirão, com 30 pontos, seis acima do Z-4.

