O São Paulo deixou a Arena Condá com uma derrota que vai além dos três pontos perdidos. O 1 a 0 para a Chapecoense, lanterna do Brasileirão, aumentou a pressão sobre o Tricolor, que chegou ao 10º jogo consecutivo sem vencer na competição e agora está apenas três pontos acima da zona de rebaixamento.
Enquanto o São Paulo se aproxima da parte de baixo da tabela, a Chapecoense ganhou uma esperança na luta contra o rebaixamento. A equipe catarinense conquistou sua segunda vitória no campeonato justamente contra um adversário que vinha como favorito por causa da classificação às quartas de final da Sul-Americana na ultima terça-feira (18).
Posse de bola sem agressividade
O São Paulo teve 70% de posse de bola e trocou 263 passes certos, mas os números escondem uma das principais deficiências apresentadas pela equipe. O Tricolor controlou a bola, mas não conseguiu controlar o jogo. A circulação aconteceu principalmente entre defesa e meio-campo, sem velocidade suficiente para quebrar as linhas da Chapecoense.
Foram nove finalizações durante a partida, mas somente duas acertaram o alvo. No primeiro tempo, Anderson praticamente não precisou trabalhar. A dificuldade não estava em chegar ao campo de ataque, mas em saber o que fazer quando chegava. Faltaram movimentação, criatividade e jogadas capazes de criar superioridade perto da área.
A posse, que poderia ser uma arma, acabou funcionando apenas como um indicador de domínio territorial. O São Paulo tinha a bola, mas não conseguia transformar esse controle em nenhuma chance clara.
Chapecoense aproveita, São Paulo erra
A diferença entre as equipes apareceu na eficiência. A Chapecoense teve menos a bola, mas soube aproveitar uma das principais oportunidades que criou. Aos 26 minutos, Giovanni Augusto cobrou escanteio e Bruno Pacheco apareceu para marcar, em um lance que nasceu de uma falha de comunicação entre Rafael e Sabino.
O gol obrigou o São Paulo a buscar ainda mais o ataque, mas a equipe perdeu Calleri aos 31 minutos, quando o centroavante deixou o campo sentindo a panturrilha esquerda. Gustavo Domingos entrou em seu lugar e Luciano passou a ficar mais isolado no setor ofensivo.
No segundo tempo, Marcos Antônio substituiu Danielzinho, mas o cenário pouco mudou. Luciano acertou a trave aos 18 minutos, enquanto Rafael precisou fazer uma grande defesa para evitar o segundo gol da Chapecoense em contra-ataque com Garcez. Foram momentos pontuais de perigo em uma equipe que, no geral, continuou com dificuldades para criar.
O problema já não parece ser apenas um jogo

A derrota para a lanterna ganha um peso maior quando colocada ao lado da sequência recente do São Paulo. São 10 partidas sem vencer no Brasileirão, e a equipe começa a olhar mais para a parte de baixo da tabela do que para as posições que dão acesso às competições continentais.
Depois do jogo, Domingos Duarte pediu desculpas aos torcedores e afirmou que a derrota “não tem explicação”. A declaração demonstra o incômodo dentro do elenco com uma campanha que não consegue reagir, mesmo quando o time apresenta superioridade na posse de bola.
O São Paulo ainda não está no Z4, mas a distância é curta o suficiente para transformar os próximos resultados em decisivos. O problema deixou de ser apenas a falta de vitórias e passou a envolver também a maneira como a equipe joga: muita bola, pouca criação e pouca capacidade de transformar domínio em resultado.
Sul-Americana é o alívio em meio à crise
O contraste com a Sul-Americana torna o momento ainda mais curioso. Na terça-feira (18), o São Paulo venceu o Bolívar por 3 a 1 e garantiu vaga nas quartas de final, onde terá o Boca Juniors pela frente. No torneio continental, o time consegue competir e encontrar resultados; no Brasileirão, porém, a realidade é oposta.
A Sul-Americana pode representar o caminho para salvar a temporada e até garantir uma vaga na Libertadores, mas não pode esconder o que acontece no campeonato nacional. O São Paulo precisa encontrar respostas rapidamente, principalmente porque os adversários da parte de baixo começam a se aproximar.
A Chapecoense precisava desesperadamente de uma vitória e conseguiu. O São Paulo, que vinha de uma classificação continental, tinha a obrigação de confirmar seu favoritismo e acabou deixando a Arena Condá com mais dúvidas.

